Publicada em 28/08/2017 às 12h30.
A SORTE DE TER SORTE

 

 

 

 

 

 

 

Admmauro Gommes

Escritor, Poeta e Professor de Teoria Literária

da FAMASUL/Palmares (PE)

admmaurogommes@hotmail.com

 

 

 

 

Na vida é assim: às vezes alguém acha que é preciso ter a sorte de ter sorte. Já vi muita gente procurando um trevo de quatro folhas porque disseram que ele traz felicidade. Só soube que estavam procurando. Ninguém me disse que achou. 

 

É que estiveram buscando onde não havia o objeto desejado. A lógica é clara: procurar onde não há existência de ouro, torna-se impossível o encontro. Mesmo quando se tem um mapa bem desenhado, se não houver tesouro, nada feito. Por isso, não busque a dita cuja onde ela não mora. Mas não deixe de persegui-la. Com um pouquinho de sorte, tudo se resolve. 

 

Porém, todo cuidado é pouco. Precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém. É que a bendita pode andar encangada com o azar. Se um time joga e vence por sorte, o outro, naturalmente, teve azar. Para quem acredita que um pé de coelho dá sorte... pode até ser. Menos para o coelho. 

 

De vez em quando, é bom traçar um atalho ou agendar uma entrevista com ela, pois a sorte não dá azar de ser encontrada por um azarão. Por exemplo: a portuguesa Zoraia (que nasceu em Xexéu), foi quem puxou primeiro essa conversa. Ela disse que mudou a sorte quando saiu do Brasil e foi morar em um país europeu. Primeiro, me mostrou umas fotos com delicadíssimas flores de seu jardim, modelo de paz e harmonia, encanto e ternura. Que felicidade! Sabe o que ela me enviou por um zap, em uma semana dessas? Uma plantação de trevos. Um monte. Todos de quatro folhas e de várias espécies. 

 

Aí pode estar o segredo revelado. Lá é muito comum cultivarem esse arbusto. Ela apenas deu um empurrãozinho na sorte e foi ao encontro dos trevos. 

 

Por aqui, Zoraia, tem um dito que você bem conhece, ninguém planta laranja e colhe goiaba. Fica a lição: quem planta trevo colhe trevoada. Como se atesta, não carece sorte para encontrar um trevo de quatro folhas, nem trevo para encontrar a sorte. Então, façamos alguma coisa. João Cabral disse na sua severina obra: “Grande diferença faz, lutar com as mãos ou colocá-las para trás.” Não é bom esperar por quem pode não vir (a sorte). Nem sempre a montanha vai a Maomé. É preciso cruzar o oceano, se necessário, para ser feliz. 

 

 

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Admmauro Gommes
Poeta, cronista e professor de Literatura