Publicada em 10/08/2017 às 07h58.
Rara condição faz “meninas” desenvolverem pênis, em Salinas
É estimado que uma a cada 90 crianças nascidas na região de Salinas passam pela rara transição.
Bigbang News/YouTube
Foto: Reprodução/Curiosamente

Crianças de uma pequena comunidade da República Dominicana estão ficando conhecidas como guevedoces, que significa “pênis aos doze”. Essa nomenclatura surgiu porque bebês nascidos aparentando ser meninas desenvolveram um pênis antes de chegarem aos 12 anos de idade. Ainda que pouco conhecido, esse acontecimento se tornou tão frequente na área, que já é considerado “normal”. É estimado que uma a cada 90 crianças nascidas na região de Salinas passam pela rara transição.


A transição ocorre por causa de uma enzima a menos que impede a produção do hormônio masculino dihidrotestosterona no útero da gestante. No início da gravidez, todos os bebês têm glândulas internas chamadas de gônadas e um pequeno tubérculo entre as pernas. Ao chegar na 8ª semana, bebês que têm o cromossomo Y começam a produzir um nível alto de dihidrotestosterona e então, nos meninos, o tubérculo se desenvolve em um pênis e, nas meninas, em um clitóris. Por causa dessa falta de hormônios, os bebês de Salinas nascem sem testículos e com uma pseudovagina. Com o advento da puberdade, o nível de testosterona das crianças começa a aumentar, o que dá prosseguimento ao desenvolvimento de um pênis.


A estranha condição de Salinas foi tema da série de documentários da BBC Countdown To Life (“contagem para vida”, em tradução livre). Entre os protagonistas da obra, o canal britânico mostrou a história de Johnny, criado como uma menina. “Eu nunca gostei de me vestir como menina e quando compravam brinquedos de menina para mim eu nunca brincava. Quando eu via um grupo de meninos, eu parava para ir jogar futebol com eles”, contou o garoto, que eventualmente desenvolveu testículos e um pênis. O trabalho mostra ainda o drama de Carla, que, aos 7 anos, está passando por uma transição e deve adotar o nome Carlos. “Notei que sempre que ela via um dos amigos meninos, ela queria brigar com ele. Os músculos começaram a aparecer e o peitoral começou a crescer. Era possível perceber que ela seria um menino. Eu a amo não importa o que aconteça. Menino ou menina, não faz diferença”, explicou a mãe da criança.

A história de Johnny roda o mundo desde 2015 e inspirou estudos de casos semelhantes na Papua Nova-Guiné e no Egito, por exemplo. Em 2017, um trio de documentaristas tem mostrado a vida de guevedoces enquanto tentam realizar um filme que conta a história do problema que tem se tornado a deficiência na região. Isso porque, de maioria católica, a aceitação de um terceiro gênero tem sido difícil no país e o desafio do intitulado Guevedoce Project é mostrar como fica a questão psicológica dessas pessoas, tendo em vista que parte delas opta por fazer uma cirurgia de mudança de sexo para retornar ao gênero que tinha na infância, enquanto outra parte segue a vida como homens. A iniciativa pode ser acompanhada pelas redes sociais e, em julho de 2017, revisitou a família de Johnny (foto), famosa mundialmente pela condição, e produziu um vídeo que tenta explicar, de forma lúdica a intuitiva, a dimensão do desafio enfrentado pelos órgãos de saúde locais.


Diario de Pernambuco

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