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Brasileiros em asilo nos EUA aumentou três vezes em 2023 / Foto: Divulgação.
O número de brasileiros que
pediram asilo nos Estados Unidos aumentou mais de três vezes em junho deste
ano, na comparação com outubro de 2022. Os pedidos saltaram de 206 para 695 no
período. Os dados foram compilados pelo escritório de advocacia AG Immigration
a partir de informações do Departamento de Estado e do Departamento de
Segurança Interna dos EUA.
A comparação é feita com outubro de 2022 porque é quando
começa o ano fiscal nos Estados Unidos. Desde então, o governo americano
recebeu 295 mil petições de asilo, sendo 3.417 (1,1% do total) de cidadãos
brasileiros. Esse dado coloca o Brasil na 17ª posição entre as nacionalidades
que mais pedem o benefício imigratório. Para efeito de comparação, no mesmo
período do ano fiscal anterior (outubro 2021 e junho de 2022), foram 1.622
pedidos.
Recorde
em maio
No ano fiscal corrente, o mês com maior demanda de
brasileiros por asilo foi maio, com 777 registros, o que colocava o país como o
13º no ranking específico do mês.
“Nos últimos anos, vimos um aumento na quantidade de
brasileiros flagrados na fronteira dos Estados Unidos com o México, justamente
com o objetivo de solicitar asilo e eventualmente receber a autorização para
morar no país. A maioria deles sai do Brasil para fugir da violência ou da
pobreza”, explica a advogada de imigração Ana Barbara Schaffert.
Topo
do ranking
Cinco países da América Latina e do Caribe lideram o
ranking de procura por asilo e representam 70% dos pedidos de outubro do ano
passado até junho de 2023: Cuba (74 mil), Venezuela (67 mil), Colômbia (25
mil), Nicarágua (23 mil) e Haiti (18 mil). O primeiro país fora do continente a
aparecer na lista é o Afeganistão, na sétima posição, com cerca de 10 mil
solicitações.
Schaffert esclarece que, de acordo com a lei americana,
para um imigrante ser elegível ao asilo, ele precisa comprovar um medo crível
de ser perseguido no país de origem por motivo de raça, religião,
nacionalidade, opinião política ou por integrar algum grupo social. Essas
condições são mais claras de serem identificadas em países não
democráticos.
Habitantes de países da América Central com grande presença
do crime organizado recorrem ao asilo com frequência.
A advogada pontua que para esses países e para os
brasileiros, as chances de sucesso não são altas. “O fato de a pessoa viver em
uma cidade ou bairro violento ou na extrema pobreza não a torna elegível para
pleitear asilo nos Estados Unidos. Ela precisa demonstrar claramente que será
perseguida por um dos motivos previstos em lei se voltar para o país de
origem”.
Taxa
de aprovação
Números do Departamento de Justiça americano (equivalente
ao nosso Ministério da Justiça) consultados pela AG Immigration mostram que 11%
dos pedidos de asilo feitos por brasileiros foram aceitos no primeiro semestre
do ano fiscal corrente. É a décima menor taxa de aprovação de uma lista de 65
países para os quais o dado está disponível.
“No Brasil, os casos
que costumam ser bem-sucedidos são de brasileiros vítimas de perseguição de
facções criminosas, embora casos de perseguição política tenham crescido do ano
passado para cá”, explica Schaffert.
Os países com maiores taxas de concessão de asilo são
Etiópia (78%) e Eritreia (78%), os dois na África Oriental; seguidos pelo
asiático Myanmar (75%) e Belarus (73%), no Leste Europeu.
Aparecem com menos aprovações que o Brasil os
latino-americanos El Salvador (10%), Guatemala (9%), Cuba (7%) e México (4%),
que mesmo com sérios problemas de violência ou de funcionamento das
instituições, não conseguem atender aos critérios exigidos em lei para o
asilo.
Brasileiros
no exterior
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, os Estados Unidos são o país com a maior comunidade brasileira no exterior. Vivem em território americano 1,9 milhão de brasileiros, o que incluem todos os tipos de moradia e não apenas os asilados. Esse número é pouco menor que o total de habitantes de Manaus (2.063.547, segundo o Censo 2022). Em seguida, aparecem Portugal (360 mil), Paraguai (254 mil), Reino Unido (220 mil) e Japão (207 mil).
FONTE: CM7 BRASIL.