
Investigação da morte vai ao STF após menção a parlamentar / Foto: Agência B.
A Polícia Federal enviou ao
STF (Supremo Tribunal Federal) a investigação sobre o assassinato da vereadora
do PSOL Marielle Franco após novas provas mencionarem um parlamentar federal no
caso.
A mudança significa que a
investigação da PF avançou em direção a novos suspeitos de envolvimento no
crime. Não há informações sobre o grau de envolvimento dessa autoridade com
foro privilegiado no crime - se seria um possível mandante ou se houve menção
ao seu nome em alguma outra circunstância.
O caso tramitava até o momento no STJ (Superior Tribunal de Justiça) por causa da suspeita do envolvimento de outra autoridade com foro privilegiado perante aquele tribunal.
Por lei, o STF é o tribunal
por onde devem tramitar inquéritos e processos penais envolvendo senadores e
deputados federais. Já o STJ é o foro para governadores de estado,
desembargadores e conselheiros de tribunais de contas dos Estados.
Desde o fim do ano passado,
a PF negociava um acordo de delação premiada com o ex-policial Ronnie Lessa,
acusado de ser o autor dos disparos que mataram a vereadora. Nesse momento, a
PF enviou o caso ao STJ por causa do surgimento de indícios envolvendo uma
autoridade com foro neste tribunal.
O inquérito ainda não foi distribuído para um ministro relator, mas deve ficar na Primeira Turma do STF. O caso está sob sigilo.
"Caso troféu"
Ainda não é possível saber
se o ex-policial militar Ronnie Lessa é ou não a origem das informações que
levaram o inquérito a ser remetido ao STF nem se se trata de material para
homologar sua delação premiada - que ainda estava em fase de negociação desde
janeiro.
Antes de ser assinada pelas
partes e homologada pelo Judiciário, uma colaboração pode ser revista, ampliada
ou cancelada tanto pelos investigadores quanto pelo delator.
Investigadores da PF do Rio
viram como empecilho ao seu trabalho quando o caso Marielle voltou às manchetes
em janeiro, quando foi noticiado que Lessa havia fechado uma delação premiada e
que essa seria homologada pelo Superior Tribunal de Tribunal de Justiça. Na
verdade, não haviam sido finalizadas as tratativas.
Não foi o primeiro dissabor
recente que os policiais tiveram. Antes disso, foi criticada internamente a
promessa feita pelo diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, de dizer
que o caso poderia estar solucionado até março deste ano.
Investigadores reclamam, em conversas privadas, da transformação dos assassinatos de Marielle e Anderson em um caso "troféu" - isto é, cuja solução após tantos anos de mistério possa render dividendos políticos a quem o solucione e a quem esteja no poder.
No dia a dia, isso se traduz
como pressões indevidas sobre quem faz o trabalho, por exemplo, de separar o
que pode ser comprovado do que é apenas espuma em depoimentos.
Segundo um dos
investigadores do caso, o foco dos policiais do Rio é repetir o método da
operação Élpis, de julho do ano passado, deflagrada duas semanas depois da
homologação da delação de Élcio de Queiroz, motorista do carro de onde foram
feitos os disparos que mataram Marielle e Anderson, sem que houvesse vazamento.
A Élpis tinha como alvo o
ex-bombeiro Maxwell Simões Correa, o Suel, preso sob suspeita de ter sido o
responsável por monitorar os passos da vereadora antes do assassinato.
A operação só foi deflagrada
depois que a PF já tinha reunido um conjunto de evidências razoável a partir do
confronto da delação de Élcio com elementos de corroboração, como localização
de celulares dos suspeitos depois do crime.
Um desses "elementos de corroboração", por exemplo, foi conseguir os dados de uma corrida de táxi pedida por telefone, após o crime. O dado foi fornecido não somente pelo delator, mas comprovado nos registros da cooperativa que enviou o taxista para a corrida de táxi pedida por telefone, após o crime. O dado foi fornecido não somente pelo delator, mas comprovado nos registros da cooperativa que enviou o taxista para a corrida.
FONTE: NOTÍCIAS UOL.