Mulheres recebem salários 19,4% menores que homens, diz relatório / Foto: Getty.
As mulheres trabalhadoras do
Brasil recebem, em média, salários 19,4% menores que os homens. Em posições de
chefia, a diferença é ainda maior e chega a 25,2%.
Os dados foram divulgados pelo
governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com base no primeiro relatório de
transparência salarial. O documento foi feito a partir de informações enviadas
por 49,5 mil empresas, todas com mais de cem empregados, ao Ministério do
Trabalho e Emprego, o que totalizou 17,7 milhões de pessoas.
O envio de informações é
obrigação prevista na lei de igualdade salarial aprovada em 2023. Segundo o
levantamento, no recorte de raça, a desvantagem das mulheres é ainda maior. As
mulheres negras correspondem a 16,9% do total (2,9 milhões de pessoas) e têm a
renda mais desigual.
A remuneração média da mulher
negra é de R$ 3.040,89 e corresponde a 68% da média de homens não negros, que é
de R$ 5.718,40.
O levantamento também afirma
que apenas 32,6% das empresas têm uma política própria de incentivo à
contratação de mulheres, enquanto 26,4% das companhias têm incentivo específico
para mulheres negras e 5,4% para vítimas violência doméstica.
O Distrito Federal, Sergipe e
Piauí são as unidades da federação com menores diferenças salariais entre
homens e mulheres: elas recebem 8%, 7,1% e 6,3% a menos nesses locais,
respectivamente. Das 49,5 mil empresas que participaram o levantamento, 33%
estão em São Paulo.
Os números foram apresentados
em evento com os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, do Planejamento, Simone
Tebet, da Gestão e Inovação, Esther Dweck, e das Mulheres, Cida Gonçalves, e
representantes do Ministério Público do Trabalho e da sociedade civil.
O presidente do TST (Tribunal
Superior do Trabalho), Lelio Bentes, também esteve presente e enalteceu a lei.
"É momento de celebração. O Brasil dá um passo importante no sentido de
assegurar efetiva equidade", disse.
Tebet disse que foi a
"presença forte" de Lula e o apoio do presidente que levou à
aprovação da lei no Congresso no ano passado. "Primeiros de muitos passos
que temos à frente. A desigualdade salarial entre homens e mulheres sempre me
incomodou", disse.
Os discursos também foram
marcados por críticas à ação movida pela CNI (Confederação Nacional da
Indústria) e pela CNC (Confederação Nacional do Comércio e Serviço) junto ao
STF (Supremo Tribunal Federal) pela derrubada de alguns trechos da lei.
"Não é possível que tenha alguém na Justiça questionando a lei",
afirmou Cida Gonçalves.
O Ministério do Trabalho e
Emprego fez um relatório individual para todas as empresas e, agora, elas têm
obrigação de publicar o documento em suas páginas na internet ou redes sociais,
"sempre em local visível". As firmas que não tornarem públicas as
informações ficam sujeitas a multa de 3% do valor da folha de pagamento,
limitada a 100 salários-mínimos.
Além disso, caso o ministério
constate diferença salarial em alguma empresa específica, ela será notificada e
terá que elaborar, em 90 dias, um plano para alterar essa situação.
"Não tem de nossa parte
intenção de punição às empresas, o que queremos é respeito ao direito das
mulheres de ter salário igual. O que pedimos é que venham dialogar conosco e
assumir responsabilidades no processo de ajuste na política de pessoal",
afirmou Marinho.
A ministra das Mulheres
afirmou que a lei da igualdade salarial foi uma determinação de Lula, mas que
também se trata de uma "exigência mundial". Ela mencionou outros
desafios à frente da pasta.
"Discutimos muito tempo questão da violência das mulheres e ele disse que quer feminicídio zero", afirmou.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.