
Relator vota contra a cassação de Moro, e julgamento é suspenso / Foto: Getty.
O desembargador Luciano
Carrasco Falavinha Souza, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, votou
nesta segunda-feira (1º) contra a cassação do senador Sergio Moro (União-PR),
ex-juiz da Operação Lava jato.
Após o
voto do relator, a sessão foi suspensa e será retomada na próxima quarta-feira
(3). Faltam os votos de seis juízes.
Se for
cassado pelo TRE, Moro não deixará o cargo imediatamente porque a defesa poderá
recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Caso a eventual cassação seja
confirmada pelo TSE, novas eleições serão convocadas no Paraná para preencher a
vaga do senador.
Nesta
tarde, o TRE começou o julgamento de duas ações nas quais o PT e o PL acusam
Moro de abuso de poder econômico devido a gastos irregulares no período de pré-campanha
em 2022.
Em
2021, Moro estava no Podemos e realizou atos de pré-candidatura à Presidência
da República. De acordo com a acusação, os concorrentes ao cargo de senador
ficaram em desvantagem diante dos "altos investimentos financeiros"
realizados antes de Moro deixar a sigla e decidir se candidatar ao Senado pelo
União.
Conforme
a acusação do Ministério Público Eleitoral (MPE), foram gastos aproximadamente
R$ 2 milhões oriundos do Fundo Partidário com o evento de filiação de Moro ao
Podemos e com a contratação de produção de vídeos para promoção pessoal, além
de consultorias eleitorais.
Ao
rejeitar a cassação, o desembargador não considerou os valores apontados como
ilegais pelas partes do processo. Para o magistrado, os valores são divergentes
e não é possível afirmar que foram excessivos. Segundo ele, os próprios
partidos não apontaram os gastos de seus candidatos.
O PL
apontou supostos gastos irregulares de R$ 7 milhões. Para o PT, foram R$ 21
milhões. O Ministério Público concluiu que o valor chega a R$ 2 milhões. Para a
defesa de Moro, foram gastos somente R$ 141 mil com o evento.
O
relator só considerou gastos totais de R$ 59 mil com a realização de coletiva
de imprensa, produção de vídeos e aluguel de carros para o lançamento da pré-campanha.
“Não
há prova alguma, nem mesmo testemunhal, dando conta que desde o início o
objetivo [de Moro] era se candidatar ao Senado. Faz parte do jogo político
acertos e contatos visando determinadas candidaturas que resultam em outras
candidaturas”, afirmou.
Falavinha
também acrescentou que Moro já era conhecido em todo o país e não teria como
ter mais projeção pela pré-campanha. "Esses indicativos mostram a grande
exposição midiática do investigado. A adoção da tese de simples soma das
despesas para apurar abuso abre via perigosa para o arbítrio",
completou.
Durante a sessão, a defesa de Moro defendeu a manutenção do mandato e negou irregularidades na pré-campanha. O advogado Gustavo Guedes afirmou que Moro não se elegeu no Paraná pela suposta pré-campanha “mais robusta”, conforme acusaram as legendas.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.