
O Santa Cruz enfrenta um novo e delicado capítulo em meio ao processo de transição para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O presidente do Conselho Fiscal do clube, Bartolomeu Bueno, anunciou nesta quinta-feira (3) que prepara seu pedido de renúncia do cargo.
A decisão, revelada em entrevista a Rádio Clube, decorre de ameaças que ele e sua família vêm sofrendo por parte de torcedores, que pressionam pela aprovação do negócio que pode injetar R$ 1 bilhão no Tricolor. O jurista expressou sua profunda insatisfação com a postura de alguns torcedores, ressaltando que ele e outras pessoas envolvidas no processo não merecem passar por tais situações.
A exposição gerada pela discussão da SAF tem preocupado seus familiares e até mesmo um sócio, que estão pedindo para que ele deixe o cargo.
“Estou seriamente pensando em deixar isso para lá e sair. Quem quiser vender o Santa Cruz, venda, empreste, faça o que bem entender. Hoje vou dar o parecer favorável à aprovação do balanço e das contas do presidente Bruno Rodrigues, e estou pensando seriamente, logo em seguida, em pedir renúncia dessa comissão fiscal para cuidar da minha vida. Se não for hoje, será amanhã”, revelou Bartolomeu ao jornalista Jorge Soares.
“Não é nem que eu tenha medo, é que a minha família está me pedindo para sair. O meu sócio está pedindo para eu sair. Estou muito chateado com essa ignorância, com essa violência. Eu não mereço isso, muitos que estão sendo agredidos não merecem. Sempre fizeram muito pelo Santa Cruz”, concluiu o conselheiro.
A polêmica central gira em torno da cessão definitiva do estádio do Arruda, principal patrimônio do clube, para a SAF. Os investidores da Cobra Coral Participações S.A. condicionam o aporte bilionário à transferência do estádio, o que tem gerado grande desconforto entre conselheiros, sócios e torcedores do Mais Querido.