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A revogação dos vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares, anunciada por Mark Rubio — senador republicano e atual secretário de Estado dos EUA —, foi alardeada por bolsonaristas como uma “vitória moral” contra o que chamam de "ditadura do Judiciário" no Brasil.
No entanto, passados dez dias da
publicação de Rubio nas redes sociais, a realidade parece desmentir o
espetáculo político: nenhuma notificação oficial chegou à Embaixada dos Estados
Unidos no Brasil.
Na prática, até aqui, tudo
permanece como antes. Nem Alexandre de Moraes, explicitamente citado na
postagem, nem qualquer outro ministro, tampouco o procurador-geral da República
Paulo Gonet, tiveram seus vistos formalmente cancelados.
Governo brasileiro expõe o blefe
Incomodado com a repercussão
interna da postagem, o Governo Federal decidiu agir. Uma alta autoridade
procurou, na última sexta-feira, o serviço consular da embaixada americana em
Brasília.
A resposta veio com frieza
diplomática: não houve qualquer comunicação oficial da Casa Branca ou do
Departamento de Estado sobre a revogação de vistos. Ou seja, até o momento,
Rubio falou por conta própria — e não pelos EUA.
A fanfarra bolsonarista e a
verdade inconveniente
Nas redes, o anúncio foi tratado
como se fosse uma sanção oficial do governo dos EUA contra o Supremo.
Figuras do bolsonarismo
passaram dias em êxtase, repetindo frases de efeito e espalhando vídeos
comemorativos. Mas agora o silêncio do governo norte-americano expõe o vexame:
não há documento, notificação ou qualquer ato oficial confirmando o que foi
anunciado por um político com interesses eleitorais claros.
Rubio, vale lembrar, é aliado
do presidente Donald Trump e tem histórico de declarações pirotécnicas
para agradar a base conservadora.
Transformar o STF brasileiro
em vilão internacional parece ter sido, neste caso, mais um lance eleitoral do
que uma ação diplomática com consequência real.
A lenta engrenagem da
burocracia — ou a falta de vontade política
É verdade que o sistema
diplomático norte-americano é lento e altamente burocrático.
Mas também é verdade que, se
quisessem mesmo cassar os vistos, já o teriam feito por vias formais.
A ausência de qualquer sinal
institucional, tantos dias depois da "ordem" de Rubio, sugere que a
retórica foi mais alta que a intenção.
Mesmo que a comunicação
oficial ainda esteja em trâmite, o fato de ela não ter sido feita
imediatamente, diante de uma declaração pública grave, escancara o abismo entre
discurso e realidade. Rubio jogou para a plateia. E a plateia bolsonarista,
como de costume, aplaudiu sem checar.
Ao que tudo indica, os vistos continuam válidos. E o que foi vendido como “reação dos EUA ao autoritarismo do STF” talvez não passe de uma encenação mal escrita.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.