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Os advogados dizem ter se
sentido traídos pela PGR (Procuradoria-Geral da República), que acusou o
militar por supostos vínculos com os ataques de 8 de janeiro mesmo após meses
de colaboração de Cid com a Polícia Federal.
"O que se viu foi uma
deturpação das informações fornecidas, em ilações convertidas em insumo para
atribuir-lhe crimes que jamais cometeu ou poderia cometer. Sente-se, sim,
traído pelo órgão acusador que se valeu da sua boa-fé para construir uma acusação
desconectada da realidade fática, da materialidade típica e do seu próprio
relato para ao final mandá-lo para o fuzilamento", disse a defesa.
As afirmações foram feitas nas
alegações finais apresentadas pelos advogados de Cid ao Supremo.
A defesa do militar afirma que
não é razoável que a PGR faça uso das informações repassadas por Cid e, depois,
apresente posição contrária aos principais benefícios do acordo de colaboração
premiada.
"A concessão dos
benefícios que foram ajustados no acordo de colaboração está vinculada,
essencialmente, ao proveito das informações trazidas à investigação, fato que é
incontroverso e ressaltado pela Polícia Federal e a própria acusação em certos
trechos", diz a defesa.
Os advogados de Cid pedem que
o acordo de delação seja mantido integralmente pelo STF, inclusive com a
proposta de perdão judicial. Em caso de "incrédula condenação", a
defesa do militar quer o benefício previsto de pena inferior a dois anos de
prisão.
Sobre o mérito da acusação, a
defesa diz que o tenente-coronel deve ser absolvido das acusações por não haver
provas de sua participação na tentativa de golpe de Estado.
Todos os réus do núcleo
principal da trama golpista são acusados de cometer os crimes de organização
criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado democrático
de Direito, dano ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.
A delação de Mauro Cid foi uma
das partes do processo mais atacadas pelas defesas dos demais réus. O vaivém do
militar na sede da PF em Brasília e o fato de Cid revelar novas informações
quando os benefícios do acordo estavam sob risco geraram dúvidas até em
ministros do STF sobre a validade da colaboração.
Nas alegações finais, a defesa
do tenente-coronel reforçou que ele fechou a delação de forma espontânea.
"O acordo [...] preencheu todos os requisitos de validade, eficácia e
efetividade, e como tal, foi homologado e ratificado pelo colaborador e essa
Corte", disse.
"Seria desarrazoado, para
não dizer despropositado, que pudesse a Procuradoria-Geral da República -que
não é contratante-, utilizar-se da colaboração como base acusatória e ao mesmo
tempo, punir o colaborador por efetivamente ter colaborado", acrescentam
os advogados.
A defesa afirmou que Cid
adotou postura "incomum e corajosa" ao decidir colaborar com a
investigação, "mesmo ciente de que sua postura enfrentaria forte
resistência, represálias e de certa forma, coação por parte de seus antigos
aliados".
Os advogados disseram que
Mauro Cid não relatou alguns fatos suspeitos em seus primeiros depoimentos por
"absoluto desconhecimento das eventuais ações planejadas". Nesse
ponto, a estratégia é negar que tenha havido mudança de versões, mas acréscimos
nos depoimentos após novas informações reveladas pela PF.
A primeira parte do processo a
apresentar as alegações finais foi a Procuradoria-Geral. O procurador-geral
Paulo Gonet pediu a condenação de Cid e redução de apenas um terço da pena.
Em seu acordo de colaboração
premiada, Cid pediu que não fosse condenado a pena superior a dois anos de
prisão. Era uma estratégia para tentar sua permanência no Exército e evitar o
retorno à cadeia.
Gonet defendeu um meio-termo.
Ele argumentou que, mesmo que tenha colaborado com a investigação, o militar
omitiu informações importantes, se contradisse em trechos dos depoimentos e
apresentou resistência ao cumprimento do acordo.
"Diante do comportamento
contraditório, marcado por omissões e resistência ao cumprimento integral das
obrigações pactuadas, entende-se que a redução da pena deva ser fixada em
patamar mínimo", disse o procurador-geral da República.
O processo contra o núcleo
principal da trama golpista está em sua reta final. Com a manifestação de Mauro
Cid protocolada nesta terça, inicia-se o prazo para as defesas dos demais réus
apresentarem suas alegações finais.
Os advogados terão 15 dias
para produzir o material e enviar ao Supremo. O prazo se encerra em 13 de
agosto.
Terminada essa fase do processo, caberá ao ministro Alexandre de Moraes pedir uma data para o julgamento dos réus. A expectativa é que o caso seja levado à Primeira Turma no fim de agosto ou início de setembro.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.