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O presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), negou, nesta quinta-feira (7), que a
retomada dos trabalhos no plenário, após o motim da oposição, tenha sido
negociada em troca do compromisso dele de pautar o projeto de lei que prevê
anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“A presidência da Câmara é inegociável. Quero
que isso fique bem claro. As matérias [jornalísticas] que estão saindo sobre a
negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados
não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia suas
prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente
ninguém”, disse Motta.
O presidente da Câmara conseguiu sentar na cadeira da mesa diretora do plenário ontem, após resistência da oposição que ocupava o local há quase 30 horas, impedindo os trabalhados legislativos. O motim da oposição começou após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os parlamentares exigiam a
anistia e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF). No Senado, a desocupação do plenário ocorreu nesta quinta, sem
acordo para votação do impeachment do ministro.
Moraes decretou a prisão de
Bolsonaro na última segunda-feira (4), por desrespeito às medidas cautelares
que o impediam de usar as redes sociais de terceiros. As restrições foram
determinadas no processo em que o ex-presidente é investigado por mandar recursos,
via pix, para manter seu filho, Eduardo Bolsonaro, no exterior. O parlamentar
licenciado atua junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e
ministros do Supremo, para tentar impedir o julgamento da trama golpista, na
qual Jair Bolsonaro é réu como líder da tentativa de golpe de Estado.
Reabertura dos trabalhos
Somente depois das 22 horas, na noite de quarta-feira (6), Motta conseguiu abrir a sessão da Câmara, após a oposição tentar impedir que ele sentasse na cadeira.
Em seguida, o presidente
da Casa fez um discurso breve, pedindo diálogo e respeito e encerrou a reunião
sem votar nenhuma matéria. A oposição comemorou o final da ocupação do plenário
afirmando que teria conseguido costurar um acordo entre líderes do Novo, PP,
União Brasil e PSD para pautar a anistia na próxima semana. Somando ao PL,
essas legendas representam 247 deputados, quase metade da Câmara, que é de 256
parlamentares do total de 513.
Por outro lado, procuradas
pela reportagem, as assessorias de imprensa das lideranças do PSD, PP e União
Brasil na Câmara não confirmaram o compromisso anunciado pelo PL de defender a
votação da anistia na próxima semana. Apesar de a prerrogativa da pauta ser do
presidente da Câmara, Motta pode ser influenciado pela maioria dos
parlamentares a pautar o projeto. Antes da sessão desta quinta, Motta comentou
com jornalistas que, mesmo com toda tensão criada, foi possível pautar “a
solução menos traumática para que a Casa pudesse retomar a sua normalidade”.
“Penso que, mais uma vez, o diálogo prevaleceu. Nós tivemos a capacidade de conversar o dia todo com as lideranças, de poder demonstrar que nós não abriríamos mão de reabrir os trabalhos ontem, conforme o nosso regimento prevê, respeitando a nossa Constituição, respeitando o direito ao contraditório”, comentou.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.