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O governo federal finalizou o
projeto de lei que estabelece regras mais rígidas para as big techs, ou seja,
as grandes empresas de tecnologia que operam no Brasil. A proposta, que será
enviada ao Congresso na próxima semana, cria obrigações específicas para
plataformas com faturamento anual superior a R$ 5 bilhões no país e R$ 50
bilhões globalmente, segundo reportagem do jornal O Globo.
As medidas pretender garantir
maior transparência e proteger a concorrência em mercados digitais.
Entre as exigências, as big
techs terão que informar aos usuários os critérios utilizados para o
ranqueamento e a exibição de ofertas de produtos, inclusive nos resultados de
busca.
Além disso, as empresas
estarão proibidas de adotar práticas que impeçam ou restrinjam a atuação de
concorrentes nos setores em que operam. O texto foi elaborado pelo Ministério
da Fazenda e finalizado no Palácio do Planalto, segundo O Globo.
Um dos pilares do projeto é o
fortalecimento do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que terá
papel central na fiscalização econômica das big techs. A proposta prevê a
criação da Superintendência de Mercados Digitais, com autonomia e poder
regulatório.
O superintendente será
indicado pelo presidente da República e aprovado pelo Senado, com mandato de
dois anos e possibilidade de recondução.
A nova estrutura permitirá ao
Cade agir diretamente contra práticas anticompetitivas por parte das big techs,
como a preferência por produtos próprios em marketplaces, acordos de
exclusividade e aquisições de startups para eliminar futuras concorrências.
O órgão poderá exigir
auditorias independentes e aplicar multas proporcionais à capacidade econômica
das empresas — a multa diária por descumprimento de regras, por exemplo, começa
em R$ 20 mil e pode ser multiplicada por até cinquenta vezes.
Representante legal no Brasil
O projeto também exige que
plataformas mantenham escritório e representante legal no país, sob pena de
sanções. A ausência dessa estrutura levou, no ano passado, à suspensão da rede
social X no Brasil (antigo Twitter), após descumprimento de ordens judiciais e
não indicação de representante, caso que resultou em multa de R$ 18 milhões
determinada pelo STF.
A proposta do governo segue
tendência internacional de regulação das big techs e se inspira em marcos
adotados na União Europeia, Alemanha e Reino Unido.
Segundo o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Pinto, a regulação mais rigorosa deve atingir no máximo dez empresas globais. Na Europa, sete gigantes já estão sujeitos a regras específicas, entre elas Google, Meta, Apple, Amazon e Microsoft.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.