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A reunião realizada no PL nesta segunda-feira (24) com a família Bolsonaro e as bancadas do partido no Congresso para discutir ações a respeito da prisão do ex-presidente teve uma cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por unidade e um elogio de Carlos Bolsonaro ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Todos os integrantes da família fizeram falas emocionadas a respeito de Bolsonaro, que foi preso preventivamente no sábado (22) após tentar violar tornozeleira eletrônica. Mas coube à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro um relato mais pessoal, com muito choro, segundo relatos de participantes.
A ex-primeira-dama falou que à noite, dormindo, Bolsonaro tem soluço e, às vezes, vomita e pode broncoaspirar. Ela disse que sabe a posição que tem de deixá-lo para evitar que isso aconteça, e agora teme que ele não tenha ninguém por perto para colocá-lo numa posição mais segura.
"Em várias noites, a
preocupação dela era o presidente Bolsonaro em função ali do soluço possa
broncoaspirar, e isso todo mundo sabe que gera complicações inclusive podendo
ser fatais, e ele tá lá agora sozinho", disse Flávio a jornalistas, no
final do encontro.
"Ele está dentro de um local, fechado, sozinho. Se acontecer algo, pode
ser tarde demais para acudi-lo."
Isso não tem impedido Michelle de viajar pelo país para eventos políticos. No
último sábado, por exemplo, quando Bolsonaro foi preso, ela estava no Ceará,
onde participou de um evento do PL no dia anterior.
Flávio tornou-se o porta-voz oficial do pai, algo que já vem ocorrendo desde
que foi determinada a prisão domiciliar do ex-presidente, em agosto. Na
coletiva de imprensa, ele anunciou que o PL deverá fazer uma nova ofensiva no
Congresso para destravar a tramitação do projeto de lei que dá anistia aos
condenados pelos ataques golpistas do 8 de Janeiro, o que beneficiaria seu pai.
A portas fechadas, Flávio deu recado político para frear lavação de roupa suja
entre aliados, que dominou o noticiário envolvendo bolsonaristas nas últimas
semanas.
O filho do ex-presidente disse que, por orientação do pai, vai se reunir com
cada liderança estadual para bater o martelo sobre as candidaturas
majoritárias, e que isso vai acabar desagradando alguém, mas é preciso
respeitar o comando e a decisão do ex-presidente, transmitidos por ele. Ele
pede que a divergência seja comunicada internamente e que não haja crítica ou
acusação feita por rede social.
O senador tem uma visita ao pai prevista para esta terça-feira (25).
Flávio não citou nenhum caso específico, mas o episódio mais recente ocorreu em
Santa Catarina, onde a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado levou a
críticas de integrantes do partido e troca de ofensas públicas.
A jornalistas, Flávio negou que tenha pretensões de concorrer à Presidência no
lugar do pai e disse que será Bolsonaro quem definirá o eventual candidato e
quando isso será anunciado.
"[A definição] só vai acontecer quando sair da boca do presidente
Bolsonaro e no momento em que ele entender ser melhor. Não é hora. Meu nome não
está na mesa, pretendo ser candidato ao Senado. Não vou fazer movimento para
que isso aconteça. Nosso problema é maravilhoso, porque temos vários candidatos
competitivos, preparados, caso não possa ser Bolsonaro", afirmou.
Ainda de acordo com relatos de participantes, Carlos fez um elogio a Nikolas
Ferreira. Em sua fala, o vereador afirmou ao correligionário que ele é um
político de altíssimo nível, preparado e com uma capacidade especial de se
comunicar. Ainda de acordo com relatos, o filho do ex-presidente disse que a
cada dia que passa, ele admira mais o aliado.
O deputado de Minas Gerais vinha sendo alvo de críticas dos filhos de
Bolsonaro, que acusavam o correligionário de abandonar o ex-presidente e
cobravam maiores demonstrações de apoio.
Prestes a acabar a reunião, Nikolas pediu a palavra, agradeceu a fala de Carlos e pediu unidade na comunicação da família. Esse também foi um pleito do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), segundo relatos. Neste momento, foi reforçado que o porta-voz da família é o senador Flávio Bolsonaro.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.