Publicada em 16/04/2026 às 10h45.
Pernambuco tem 235 mil pessoas em áreas de alto e muito alto risco em 925 localidades
Os dados do Serviço Geológico do Brasil foram apresentados na manhã desta quarta-feira (15), pela Defesa Civil estadual, durante a Reunião de Integração Institucional para a Operação Inverno 2026.

Foto: Divulgação.


 Pernambuco tem atualmente cerca de 235 mil pessoas vivendo em áreas classificadas como de alto e muito alto risco (R3 e R4) para enchentes, desmoronamentos e quedas de barreiras, distribuídas em 925 pontos já mapeados em todo o estado.

 

Os dados, do Serviço Geológico do Brasil, foram apresentados na manhã desta quarta-feira (15), pela Defesa Civil estadual durante a Reunião de Integração Institucional para a Operação Inverno 2026.

 

Conforme o órgão, os números evidenciam o nível de vulnerabilidade diante da quadra chuvosa, especialmente na Região Metropolitana do Recife, onde se concentram encostas ocupadas e áreas próximas a rios.

 

Novidade

 

Diante desse cenário, o Estado aposta em três frentes principais para reduzir os impactos das chuvas em 2026: o envio de alertas antecipados à população, a execução de obras estruturantes e o reforço das forças de resposta.

 

Uma das principais novidades é o uso do sistema Defesa Civil Alerta, que permite o envio de mensagens emergenciais diretamente para celulares em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio, nos casos mais graves.

 

A ferramenta é operada pelo Governo de Pernambuco, em parceria com o governo federal, e utiliza dados do monitoramento meteorológico e hidrológico para antecipar situações de perigo.

 

Segundo o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil do estado, coronel Clóvis Ramalho, o objetivo é garantir que a população tenha tempo para agir.

 

“Com base nesse acompanhamento, a gente pode emitir alertas antecipados para que as pessoas busquem medidas de autoproteção em locais seguros”, afirmou.

 

Além do sistema automático, continuam sendo enviados alertas por SMS e WhatsApp para moradores cadastrados, que podem se inscrever enviando o CEP para o número 40199.

 

A expectativa é que municípios como Recife, Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca passem a operar a ferramenta diretamente, ampliando a rapidez da comunicação.

 

O mapeamento das áreas de risco, ampliado desde 2023 em mais de 30 municípios, também é apontado como um avanço.

 

As informações são utilizadas para orientar planos de contingência, controle urbano e a execução de intervenções em áreas vulneráveis.

 

Entre as principais ações estruturantes citadas estão obras de contenção de encostas em municípios como Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Igarassu e Paudalho, além da limpeza e desassoreamento de rios, como no bairro de Peixinhos, em Olinda.

 

Na Mata Sul, o sistema de barragens segue em expansão, com a barragem de Panelas já concluída e outras, como a de Gatos, em construção.

 

Mesmo com os investimentos, o cenário segue exigindo atenção. Segundo o coronel Ramalho, as duas mortes recentes, no bairro de Águas Compridas, em Olinda, podem estar associadas aos efeitos do clima.

 

Em 2025, o Estado contabilizou mais de 18 óbitos por eventos climáticos.

 

Reforço

 

O Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) também prometeu reforçar a estrutura para a Operação Inverno 2026.

 

Ao todo, 88 militares integram forças-tarefas especializadas, distribuídas em quatro regiões do Estado, com atuação voltada para situações como deslizamentos, desabamentos e inundações.

 

De acordo com o subcomandante-geral, coronel Valfrido Curvelo, os profissionais passam por treinamento contínuo ao longo do ano.

 

“A cada ano a gente se prepara mais, tanto com equipamentos quanto com capacitação, para atuar com mais segurança”, afirmou.

 

Outra medida adotada foi a implantação de uma sala de gerenciamento estratégico, com monitoramento em tempo real, uso de drones e painéis digitais, que auxiliam na tomada de decisões durante as ocorrências.

 

O acionamento das equipes segue um sistema escalonado, de acordo com a gravidade.

 

Municípios

 

Nos municípios, conforme informações repassadas na reunião desta quarta-feira, as ações também estão sendo voltadas para a prevenção.

 

Em Chã Grande, na Zona da Mata Sul, equipes da Defesa Civil realizam monitoramento das áreas de risco, com colocação de lonas em encostas e atuação integrada com outras secretarias.

 

Em Bezerros, no Agreste, o foco está na conscientização da população sobre o descarte correto de lixo, considerado um dos principais fatores que agravam os alagamentos.

 

Áreas como o entorno do canal do Salgado e as margens do rio Ipojuca estão entre as mais críticas.

 

Já em Olinda, onde há 243 áreas classificadas como de risco muito alto e cerca de 220 áreas de alagamento, a prefeitura estaria com plantão de 24 horas e atualizado o plano de redução de riscos.

 

De acordo com Carlos D'Albuquerque, secretário executivo de Defesa Civil de Olinda, no último fim de semana, foram registrados dez deslizamentos e quedas de árvores, sem vítimas, mas com imóveis interditados, alguns com necessidade de demolição.

 

Quadra chuvosa

 

A previsão para a quadra chuvosa é entre abril e julho, e indica chuvas dentro ou abaixo da média, segundo a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC).

 

Ainda assim, há possibilidade de eventos intensos concentrados em poucos dias.

 

“Podemos ter chuvas fortes em um ou dois dias que acumulam o volume esperado para o mês inteiro”, explicou a diretora presidente da APAC, Suzana Montenegro.

 

Segundo ela, a previsão é atualizada duas vezes por dia, com maior precisão no curto prazo.

 

O encontro reuniu representantes das esferas federal, estadual e municipal e marcou a etapa final de preparação para a quadra chuvosa.

 

Segundo a Defesa Civil, a integração entre os órgãos é essencial para garantir uma resposta mais rápida e eficiente em situações de emergência.

 

Orientação

 

De acordo com o coronel Ramalho, a Defesa Civil do estado orienta a população evitar áreas de risco e ficar atenta a sinais de deslizamento, como rachaduras em paredes, inclinação de árvores e portas travando.

 

Em caso de alagamentos, a recomendação é não atravessar áreas inundadas, devido ao risco de choques elétricos e obstáculos submersos.

 

Em situações de emergência, os contatos são:


193, do Corpo de Bombeiros e

199, da Defesa Civil.



FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.




              

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