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“Meu papel é de atacante”, resumiu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para explicar sua estratégia de comunicação e também responder aos questionamentos que vem recebendo de parte da direita sobre sua atuação na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Criticado pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), Nikolas alega que sofre “ataques unilaterais” e cita membros de seu grupo político que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro”. São, segundo ele, os “experts em afastar as pessoas”.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada anteontem mostra Flávio à frente do presidente Lula pela primeira vez em eventual segundo turno. Como avalia esse resultado?
Acredito que a eleição vai ser decidida pela aprovação, mas principalmente pela reprovação. Então, quanto mais um candidato for reprovado, mais a chance do outro de ir à vitória. Esse desgaste do governo Lula é um trabalho que a gente já tem feito há muito tempo. E o Flávio surpreendeu, no âmbito de trato, de conseguir fazer boas alianças, palanques nos estados, coisas que o Lula está com dificuldade. São duas coisas que foram se complementando: a boa recepção do Flávio e a alta reprovação do Lula. Eu acho que o Flávio tem acertado, mas os erros do Lula contribuem muito.
O senhor tem participado da pré-campanha do Flávio? Qual deve ser a estratégia adotada daqui para frente?
A campanha tem que ser inteligente. Assim como o Flávio disse, e eu repito,
cada um tem um papel. O time não é feito só de zagueiro, só de atacante. Cada
um tem um papel e eles se complementam, o que eu acho que para alguns é difícil
de compreender. A gente precisa convencer as pessoas não somente com o nome,
mas com as ideias que aquele nome carrega. O que o Flávio representa? Segurança
pública, corte de tributo. Você não vai ver nenhum vídeo meu falando no final:
“Então me segue aí”. Eu não preciso. Eu preciso que as pessoas compreendam aquilo
que eu carrego. O que agrega mais? Você falar para os que já vão votar com o
Flávio ou você alcançar outras pessoas? Pregar para convertido é mais simples.
Agora, alcançar aqueles que ainda não foram convencidos a votar no Flávio é o
trabalho mais difícil.
Então há gente errando hoje na campanha do Flávio?
Muitos acabam ficando muito focados em fazer a manutenção da base, o que eu também acho importante. Não tem problema o cara falar sobre o Flávio todos os dias, desde que ele não fale que a minha estratégia esteja errada. É errado o zagueiro fazer gol? Não, vai ser ótimo. Mas concorda que o papel dele, na maioria das vezes, vai ser a defesa? Meu papel é atacar. Eu posso alguma vez roubar a bola? Posso. Mas meu papel é de atacante. O problema é quando querem que todo mundo faça campanha da mesma forma. Tem alguns que se tornaram experts em afastar as pessoas. A gente não vai contribuir com uma campanha descartando quem não concorda 100% com a gente.
Quando fala de “alguns”, se refere ao Eduardo Bolsonaro, que fez
críticas públicas ao senhor por supostamente atuar contra a família Bolsonaro?
Não, isso eu deixo para o leitor. Eu nunca fomentei nenhuma briga. A pergunta
que tem que ser colocada é: o que eu já fiz? Porque uma briga são dois. Isso
não é uma briga, é um ataque unilateral. Qual post meu eu tenho atacando filho,
esposa ou o próprio Bolsonaro? Pelo contrário, eu sou extremamente leal às
ideias que o Bolsonaro carrega. Ele mesmo, na última vez que nos encontramos,
falou: “Fique em paz, estou contigo”. Mas infelizmente tem alguns que se acham
mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro.
O
senhor foi acusado pelo Eduardo de operar o algoritmo das redes contra a
família Bolsonaro. Isso aconteceu?
Sou o técnico do algoritmo (risos). Acho que a falta realmente de propósito das
pessoas faz com que elas queiram acabar com o propósito da outra.
Como está sua relação com o Eduardo hoje?
Sou muito grato a ele por tudo que fez por mim. Minha resposta sempre foi silêncio e trabalho. Sinto muito por ele estar longe da família, do pai. Não imagino como fica a cabeça da pessoa nessa situação.
O senhor vê ataques dos enteados contra a
Michelle? Como é a relação de vocês?
Lamento. Eu acho que é muito ruim atacar, se isso ocorreu. Mas eu não entro
(nisso) porque acho que são questões deles. Não tenho um nível de amizade com
ela, mas a gente conversa sobre coisas triviais, não é só política. Eu admiro e
gosto muito dela e acho que ela tem um papel fundamental com o Bolsonaro no
sentido da aproximação dele com a fé.
O
senhor tem inimigos dentro da direita?
Tenho. Ninguém não tem atrito dentro de casa, é algo natural do ser humano e eu
não fico focando nessas pessoas. Não fico alimentando essa briga porque acho
que as pessoas vão percebendo. Por que que tem tanta coisa acontecendo no
Brasil e o foco é o Nikolas? As pessoas vão virar babá de curtida de Twitter? E
me mantenho em silêncio para preservar algo maior, que é a própria direita, o
próprio Bolsonaro.
Acha
que esse tipo de atrito existe por uma disputa pelo protagonismo na direita?
Ninguém se coloca na posição de líder. Nunca me coloquei na posição “eu mando
nisso aqui, naquilo dali”. Pelo contrário, eu acredito que existem hierarquias.
Onde eu mais puder servir meu país, eu vou servir. Hoje eu estou como deputado
federal.
Concorrer ao governo de Minas é uma
possibilidade?
O Executivo algum dia vai ser inexorável na minha vida. No Executivo você
consegue ter a caneta nas mãos para realizar muitas coisas e só de não ser
bandido, vagabundo, eu sei que vou conseguir fazer muita coisa. Agora, tudo tem
seu tempo. Eu não quero ganhar somente as eleições, o difícil é governar. Não
tem como você governar um carro com passageiro.
botando o dedo no seu olho,
com gente querendo te chutar, puxar o freio de mão. Nesse momento eu não entro
para o governo porque ainda não tenho a formação de base, tanto de deputados
estaduais, quanto de vereadores, de infiltração em campos de poder como
Judiciário, imprensa, mídia, cultura, sindicato, para eu conseguir governar. Em
2030 eu já posso concorrer a governador. São planos que a gente vai avaliando.
O cenário em Minas hoje é de fragmentação da
direita. Romeu Zema como vice de Flávio ajudaria na campanha?
Eu acho que soma. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. O Zema
traz essa imagem de gestão, de seriedade. Dos nomes que estão sendo colocados,
é o que mais agrega até agora.
FONTE: FOLHA PE.