Publicada em 09/06/2026 às 11h21.
Caso Henry: em lados opostos agora, Monique e Jairinho eram aliados
Após a morte de Henry Borel, os dois sustentaram a mesma versão dos fatos.

Foto: Divulgação. 


 Hoje em lados opostos, Monique Medeiros e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, passaram os primeiros meses da investigação da morte de Henry Borel, de 4 anos, atuando como aliados.

Desde a madrugada da morte do menino, em março de 2021, os dois sustentaram a mesma versão dos fatos diante da polícia, concederam entrevistas em conjunto e compartilharam a mesma estratégia de defesa. Com o avanço das investigações, porém, a relação entre eles se rompeu.

Ao longo dos anos, Monique passou a atribuir ao então companheiro agressões, manipulação e a responsabilidade pela morte do filho, enquanto Jairinho manteve a versão de inocência. Relembre como foram os primeiros passos de cada um deles após a morte do menino.


Ao fim dos dez dias de julgamento, o Conselho de Sentença condenou Jairinho a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso — quando há intenção de matar — desclassificada para homicídio culposo — sem intenção —, recebeu perdão judicial e foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho.


Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. O menino, de 4 anos, deu entrada no Hospital Barra D’Or com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória.


Primeira versão da morte de Henry


No primeiro depoimento prestado à Polícia Civil após a morte de Henry Borel, Monique e Jairo, que à época eram representados pelos mesmos advogados, apresentaram a mesma versão sobre a morte de Henry e atribuíram as lesões encontradas no menino a uma possível queda da cama durante a madrugada. A professora afirmou que entrou no quarto do casal, onde o menino estava, e o encontrou caído no chão por volta das 3h30, já com o corpo frio, os olhos revirados e sem responder aos chamados.


Ela disse ter chamado Jairinho e seguido com ele para o Hospital Barra D’Or. Durante o trajeto, tentou realizar respiração boca a boca na criança, sob orientação do ex-vereador. Questionada sobre a causa da morte, afirmou acreditar que Henry pudesse ter se levantado, perdido o equilíbrio e caído da cama.


Em depoimento separado, Jairinho confirmou a narrativa apresentada por Monique. Ele afirmou que dormia após tomar medicamentos de uso contínuo e que, ao ser chamado pela namorada, encontrou o menino com a temperatura corporal muito baixa e aparentando dificuldade para respirar. Segundo o então vereador, sua primeira hipótese foi a de uma broncoaspiração. Apesar de ser médico, disse que nunca exerceu a profissão e que sua última experiência com massagem cardíaca havia ocorrido ainda na faculdade.


A professora e o vereador ficaram na delegacia por 12h e saíram de mãos dadas.

 

Primeira entrevista após a morte de Henry


Menos de duas semanas após a morte de Henry Borel, Monique Medeiros e Jairinho concederam entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, na qual negaram que a criança tenha sido vítima de um crime. Monique afirmou não ter culpa pelo que aconteceu com o filho e descreveu Henry como sua “vida” e sua “prioridade”. Jairinho disse ter “certeza absoluta” de que não houve assassinato.

 

Na entrevista, Monique relatou que Henry não queria voltar para casa após passar o fim de semana com o pai, Leniel Borel, e que chegou a vomitar ao chegar ao condomínio. Segundo ela, o menino dormiu no quarto do casal e acordou algumas vezes durante a noite. A mãe afirmou que encontrou o filho caído no chão do quarto durante a madrugada e o levou, junto com Jairinho, para o hospital.


Durante a entrevista, Monique exibiu uma selfie tirada com o filho horas antes de sua morte e negou qualquer responsabilidade pelo ocorrido.


Escolha de roupa para prestar depoimento


Nove dias após a morte de Henry, Monique Medeiros dedicou atenção à roupa que usaria para prestar depoimento à Polícia Civil em 17 de março de 2021. Fotografias e mensagens recuperadas pelos investigadores em seu celular mostram que, antes de comparecer à 16ª DP (Barra da Tijuca), ela experimentou diferentes combinações e posou diante do espelho. Segundo as investigações, após consultar um advogado, optou por um conjunto social branco para ser ouvida no inquérito.


As conversas, nas quais pede aprovação do advogado em um grupo de WhatsApp, foram exibidas durante as sustentações das partes no julgamento do caso. Nas mensagens, Monique pergunta se o macacão que havia escolhido estava apropriado para a ocasião ou se mudava para outra combinação.


"Macacão preto está bom? Ou calça jeans com um blazer? Não tenho muita coisa discreta, jeans só tenho rasgado", escreveu Monique.


No mesmo dia do depoimento, Monique tirou uma selfie com o advogado na delegacia e chegou até a pedir uma pizza. Já o ex-médico e ex-vereador Jairo Santos Santos Júnior, o Doutor Jairinho, padrasto da criança, fez piadas enquanto estava na 16ª DP (Barra da Tijuca). As informações foram reveladas pelo delegado titular Henrique Damasceno durante a fase preliminar do julgamento do homicídio de Henry. Segundo ele, a mãe do menino estava "completamente à vontade".


— Monique se mostrou completamente à vontade, inclusive eles pediram pizza durante o depoimento na delegacia — disse o delegado.


Interesse por cursos dois dias após crime


Monique demonstrou interesse em investir em novos cursos dois dias após a morte de Henry Borel. Mensagens recuperadas do celular da professora mostram que, dois dias após o crime, ela buscou informações sobre aulas de inglês e gastronomia.

 

Na noite de 10 de março, Monique entrou em contato, por aplicativo de mensagens, com um curso de idiomas localizado próximo ao seu apartamento. Interessada em uma promoção, perguntou se as aulas eram presenciais.

No dia seguinte, procurou uma chef de cozinha por meio das redes sociais para obter informações sobre aulas práticas de culinária. Na mensagem, escreveu: "Sou Monique Medeiros, tenho interesse em fazer uma aula prática com você. Como faço pra entrar na lista de espera? Um grande beijo em seu coração."


Manicure, pedicure e escova um dia após enterro do filho


No dia seguinte ao enterro do filho, em 18 de março de 2021, no cemitério do Murundu, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, Monique Medeiros foi a um salão de beleza em um shopping na Barra da Tijuca. O estabelecimento fica a cinco minutos de carro do condomínio Majestic, no Cidade Jardim, onde morava com Jairinho e Henry. Na ocasião, foi atendida por três profissionais e realizou manicure, pedicure e escova. O valor dos serviços deu R$ 240.

 

Quando a professora voltou a morar com a mãe em Bangu, na Zona Oeste, a professora continuou a cuidar da beleza. Mensagens recuperadas pela Polícia Civil mostraram que ela solicitou serviços de cabeleireiro e manicure delivery, na noite de 25 de março, 17 dias após a morte do filho.


Na ocasião, escreveu para uma das profissionais: “Estou na minha mãe. Você pode vir? Pago seu carro de aplicativo. Pago o que for a mais pra vc poder vir, pois a tarde terei reunião”. Elas combinam o horário para “antes do almoço” do dia seguinte e Monique explica que estará em casa pela manhã e que tem reuniões à tarde diariamente.


Também combinam o preço do serviço. “Vai ficar ida e volta + 100 pode ser?”, pergunta a profissional. A proposta foi aceita pela professora. Monique ainda pediu indicação de uma profissional especializada em unhas de acrigel, uma espécie de acrílico postiço. A interlocutora então diz então que levará uma amiga.


Em outra troca de mensagens, Monique recebe: “Boa noite. Sou a manicure que a Tatiana indicou”. Ela responde: “Você pode vir amanhã antes do almoço?”. A mulher então sugere: “12h?”. A professora rebate: “Precisava que fosse mais cedo, porque vou trabalhar ainda e 9h tenho psicóloga”. Elas, então, acertam 10h30 e se despedem.


Mensagens à amante seis horas após a morte de Henry


Uma ex-namorada e amante de Jairinho relatou à polícia que trocou mensagens com o vereador cerca de seis horas após a morte de Henry Borel. Segundo seu depoimento, a conversa ocorreu normalmente e teve como assunto o resultado de um exame laboratorial que ela faria após relatar sintomas urinários.


De acordo com a testemunha, Jairinho demonstrou preocupação com o exame e chegou a repreendê-la por não tê-lo realizado, mas não mencionou, em nenhum momento, a morte do enteado. A mulher afirmou que soube do falecimento de Henry por amigos em comum e, posteriormente, pela imprensa.


Mudança de advogado e nova versão


Em 26 de abril de 2021, após trocar de defesa, Monique Medeiros entregou à 16ª DP uma carta em que apresentou uma nova versão sobre a morte de Henry Borel. No documento, afirmou que ela e Jairinho combinaram uma narrativa falsa sobre o caso por orientação do então advogado do casal, André França Barreto.


Monique disse que inicialmente acreditou na explicação de Jairinho de que o filho havia sofrido um acidente doméstico, mas que passou a desconfiar do namorado após tomar conhecimento dos relatos de ex-companheiras que denunciaram comportamentos agressivos do vereador. Segundo ela, os depoimentos faziam sentido porque vivia situações semelhantes.


Em sua nova narrativa, Monique afirmou que foi acordada por Jairinho durante a madrugada e encontrou o filho já desacordado no quarto. Segundo ela, o vereador alegou ter ouvido um barulho e encontrado a criança caída no chão. A versão contradizia seu depoimento anterior à polícia, no qual havia afirmado não ter tomado medicamentos naquela noite e disse não acreditar que Jairinho pudesse fazer mal ao menino.


A professora também se apresentou como vítima de um relacionamento abusivo, marcado por ciúmes, controle e agressões. Ela relatou episódios em que teria sido medicada pelo vereador, agredida fisicamente e monitorada por ele. Afirmou ainda que ignorou sinais de violência contra Henry, incluindo relatos de agressões feitos pelo próprio menino e por testemunhas, por acreditar nas explicações dadas por Jairinho.


A mãe de Henry relatou ainda que, após o enterro do filho, participou de reuniões com o advogado, que teria defendido a necessidade de uma única versão dos fatos. De acordo com a professora, ela chegou a questionar por que não poderia relatar o que acreditava ter acontecido, mas acabou aceitando a estratégia por se sentir fragilizada e sem condições de custear outra defesa.


Na carta, Monique afirmou que passou a participar de encontros frequentes para “treinar” uma nova versão dos acontecimentos. “Eu estava desolada, sem direção, sem rumo, fragilizada, violentada e sem poder sofrer a perda do meu filho, de maneira humanizada”, escreveu.


Ainda afirma que sua ida ao salão ocorreu por pressão de Jairinho, que exigia que ela estivesse "apresentável"— já que havia emagrecido e arrancado tufos de seu megahair.


Na prisão, Monique rompe com Jairinho


Após cerca de três meses presa preventivamente, Monique Medeiros concedeu uma entrevista exclusiva ao Globo onde descreveu a rotina na cadeia e apresentou uma ruptura definitiva com a versão que havia sustentado ao lado de Jairinho no início das investigações. A professora afirmou que pretendia provar sua inocência e passou a atribuir ao ex-companheiro a responsabilidade pela morte de Henry.


Monique disse que se arrepende de ter levado Jairinho para dentro de sua vida e afirmou que desconhecia as agressões sofridas pelo filho. Segundo ela, acreditava que Henry havia sido vítima de um acidente doméstico e só passou a suspeitar do então namorado após ser presa.


A mãe de Henry também relatou ter vivido um relacionamento marcado por controle, ciúmes e violência psicológica. Ela afirmou que Jairinho criticava a proximidade entre ela e o filho e tentou controlar suas redes sociais e seu celular.


Ao comentar as denúncias contra o ex-vereador, Monique declarou que Henry foi a primeira vítima fatal de Jairinho e afirmou que a morte do menino levou outras mulheres a denunciarem supostas agressões. “Hoje eu não preciso mais mentir para proteger alguém que eu desconheço”, disse. Ela também sustentou que jamais teve conhecimento das agressões contra o filho e classificou como seu maior arrependimento não ter percebido o perigo que o companheiro representava.


No júri, Monique acusa Jairinho pela morte de Henry


Durante seu interrogatório no julgamento pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros reafirmou que acredita que Jairinho foi o responsável pelo crime e negou qualquer participação nas agressões contra o filho. Diante dos jurados, ela relatou que Henry chegou a dizer que havia sido empurrado pelo então padrasto e caído da cama, mas afirmou que, à época, acreditou na explicação dada por Jairinho e não interpretou o episódio como uma agressão.


Ao longo de cerca de seis horas de depoimento, Monique sustentou que desconhecia as violências sofridas pelo menino e repetiu que confiava no ex-companheiro durante o relacionamento. Segundo ela, apenas mais tarde passou a associar os relatos e comportamentos de Jairinho às agressões que vieram à tona durante a investigação.


Em um dos momentos mais marcantes do interrogatório, Monique declarou aos jurados que acredita que Jairinho matou Henry e voltou a afirmar sua inocência. Presa desde 2021, ela disse que jamais faria mal ao filho e que, se tivesse de responsabilizar alguém pela tragédia, seria o ex-vereador.


Jairinho mantém versão de inocência


Em seu interrogatório no julgamento pela morte de Henry Borel, Jairinho negou ter agredido o menino e rejeitou a acusação de homicídio. O ex-vereador reconstruiu a madrugada da morte da criança, afirmou que Henry acordou três vezes durante a noite procurando pela mãe e sustentou que nada de anormal havia acontecido antes de o menino passar mal.


Diante dos jurados, Jairinho contestou a tese de que Henry apresentava sinais evidentes de violência, argumentando que médicos, familiares e outras pessoas teriam percebido imediatamente qualquer indício de espancamento. Ele também afirmou que nunca disse à polícia que o menino havia caído da cama e alegou que informações relevantes sobre o atendimento hospitalar foram ignoradas durante a investigação.


Ao longo do depoimento, o ex-vereador repetiu que foi acusado injustamente pela morte da criança e se emocionou ao citar o pai de Henry, Leniel Borel. Em contraposição ao relato apresentado por Monique, Jairinho manteve a versão de que não praticou agressões contra o menino e atribuiu sua condenação a uma narrativa construída contra ele.



FONTE: FOLHA PE.





                

Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI