
Foto: Divulgação.
A
Polícia Civil deflagrou, na terça-feira (14), a Operação Fragrância do Crime,
contra uma quadrilha pernambucana especializada em furtos a instituições
financeiras e estabelecimentos comerciais em outros estados. O grupo também é
acusado de lavar milhões de reais oriundos dos crimes.
O
Diário de Pernambuco apurou que Lucas Barros Ferreira Souza, de 31 anos, é
apontado pela investigação como líder da organização criminosa. Ele e outros 13
suspeitos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Foram cumpridos,
ainda, cinco mandados de busca e apreensão.
Em
fevereiro de 2025, Lucas foi flagrado transportando roupas, sem nota fiscal,
durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-101, em
Alhandra, no litoral da Paraíba. O município fica a 86 quilômetros do Recife.
Ao
lado dele, estava o ambulante Victor Henrique de Carvalho, o “Vitinho”, de 31
anos, que também foi alvo da operação. Segundo a Polícia Civil, Vitinho seria
“executor habitual” dos furtos e principal “abastecedor financeiro” da
quadrilha.
De
acordo com o inquérito, só esse suspeito teria movimentado R$ 2,1 milhões em um
período de 16 meses, de outubro de 2024 a janeiro de 2026. Ele, no entanto, tem
renda declarada de apenas R$ 2.125,09 mensais.
Atuação
interestadual
Ainda
de acordo com a investigação, Vitinho seria o proprietário de um Fiat Palio
usado no furto a uma cooperativa financeira. Em interrogatório, ele negou os
crimes, disse que vendeu o carro há mais de um ano e declarou que suas
movimentações financeiras estão ligadas a “compra e venda” de mercadorias.
Em
2018, o suspeito também foi acusado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB)
de sair do Recife para participar de uma série de furtos a uma loja da Magazine
Luiza em Itabaiana, a cerca de 90 quilômetros de João Pessoa.
Os
crimes aconteceram nos dias 3 e 11 de julho de 2017. Na ocasião, a quadrilha
era composta por cinco criminosos e conseguiu levar três smartphones da loja,
avaliados à época em R$ 4,5 mil.
Em
Pernambuco, a investigação contra o grupo criminoso começou em outubro de 2025
e é conduzida pela Delegacia de Polícia de Roubos e Furtos (DPRF). Cerca de 70
policiais civis foram empenhados para atuar na Operação Fragrância do Crime.
Lavagem
de Dinheiro
Com
base em relatórios de inteligência, a Polícia Civil suspeita que o grupo lavava
dinheiro ilícito por meio de técnicas de “smurfing”, quando grandes quantias
são fracionadas em pequenos depósitos para contas de terceiros e empresas de
fachada.
A
principal hipótese é que Vitinho atuava como o ponto-central (“hub”),
responsável por fazer a conexão financeira com outros envolvidos. De acordo com
a investigação, ele teria transferido mais de R$ 720 mil para outros
investigados.
A
maior parte do valor foi destinada às contas de Paulo Vyctor dos Santos
Silveira, de 21 anos, que teria recebido R$ 609 mil, em 170 movimentações, de
acordo com a Polícia Civil. Ele foi preso na operação.
Outros
alvos da investigação, Willian Pessoa Serafim de Lima e Jefferson Santana de
Souza, receberam transferências que somaram R$ 93,8 mil e R$ 19,7 mil,
respectivamente, segundo inquérito.
Os
outros suspeitos que tiveram a prisão preventiva decretada foram: David Nóbrega
de Lima; Jadeilson de Jesus Barbosa da Silva; Erik de Melo Silva; Diane
Carneiro dos Santos; Williams Rafael do Carmo Moreira; Rosane do Nascimento
Silva; Pablo Henrique Magalhães da Silva; Elisa Camila Barros da Silva e José
Vicente da Silva Carneiro.
O Diário não localizou a defesa dos envolvidos. O espaço segue aberto para manifestação.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.