
Foto: Divulgação.
Pernambuco
ocupa a quinta posição entre os estados com maior taxa de mortes violentas
intencionais (MVI) em 2025. Os dados fazem parte do Anuário Brasileiro de
Segurança Pública de 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Em
2025, Pernambuco registrou 33 MVIs a cada 100 mil habitantes, contra 36,4 em
2024. À frente de Pernambuco entre as maiores taxas estão Alagoas (33,1), Ceará
(34,7), Bahia (36,8) e, na primeira posição, Amapá (42,5).
Para
calcular as MVIs, o Fórum considera a soma do número de vítimas de homicídios
dolosos (quando há intenção de matar), latrocínios (o roubo seguido de morte),
feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de
intervenções policiais.
Apesar
de Pernambuco figurar entre os piores estados, o Anuário apresenta um cenário
de melhora em comparação com a edição anterior. Em 2025, o estado teve uma
redução de 9,3% nas taxas de MVI em comparação com o ano anterior, quando
contabilizou 36,4 mortes por 100 mil habitantes. A variação coloca Pernambuco
na décima posição entre os estados que mais reduziram.
A
taxa de 33 MVIs também é a menor da série histórica, iniciada em 2012.
Brasil
O
Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca que o país, pela primeira vez,
alcançou a meta nacional de redução dos homicídios prevista na Política
Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027, antecipando seu
cumprimento em dois anos.
Foram
32.914 casos de homicídios dolosos, com uma taxa nacional de 15,4 e uma redução
de 10% em relação aos dados de 2024.
A
Política Nacional, revisada em 2021 e que é a norma orientadora para
implementação do Sistema Único de Segurança Pública vigente, havia definido uma
meta de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027.
Dentro
da categoria de homicídios dolosos estão inclusos os feminicídios, que até
outubro de 2024 eram uma qualificadora. Com a lei 14.994, de 9 de outubro de
2024, virou um tipo penal autônomo.
Considerando
todos os MVIs, o Brasil contabilizou 40.775 ocorrências. A quantidade de casos
equivale a uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes, uma queda de 8,2% em
relação ao ano de 2024 e de 31% comparando a 2012, primeiro ano da série
histórica. "Essa expressiva redução é puxada, sobretudo, pela diminuição
dos homicídios dolosos", assinala o FBSP.
Com
exceção das mortes por intervenção policial e feminicídios, todas as demais
categorias das MVIs caíram, reforçando uma tendência iniciada em 2018.
"Apesar
da queda consistente de quase todas as Mortes Violentas Intencionais,
permanecem em crescimento duas modalidades particularmente preocupantes: os
feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial, revelando que a
redução geral da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos
sociais", diz trecho do relatório.
O
documento cita a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de
120 mortes em dois dias do mês de outubro - o maior registro de letalidade policial
da série histórica.
"A
boa notícia sobre a antecipação da meta de redução de homicídios no Brasil
precisa ser, infelizmente, relativizada", avalia o fórum. "O país
precisa encontrar mecanismos de controle do uso da força mais efetivos, já que
tais dados mostram que o Estado, em suas múltiplas esferas e poderes, tem sido
parte do problema e não apenas das soluções para a segurança pública
brasileira".
Ao
todo, sete unidades da federação tiveram um aumento nos casos de MVI, comparado
com os dados do ano anterior. Compõem a lista Rio Grande do Norte (19,6%),
Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato
Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Municípios
O
município do Cabo de Santo Agostinho, no Grande Recife, é o oitavo mais
violento do país, com uma taxa de 65,1 mortes violentas intencionais (MVI) por
100 mil habitantes. Apesar de mais uma vez figurar no ranking das dez cidades
mais violentas do país, o Cabo apresenta uma melhora em seu quadro. No ano
anterior, aparecia como a 5ª cidade mais violenta, com 73,3 MVIs a cada 100 mil
habitantes.
Todas
as cidades que compõem a lista das 10 maiores taxas de MVI estão no Nordeste. O
levantamento considerou apenas cidades com população igual ou superior a 100
mil habitantes.
O
Nordeste é a região brasileira com a maior taxa desde 2020. A Bahia tem cinco
municípios no ranking, enquanto Ceará tem três, e Pernambuco e Paraíba, um
cada.
Violência
doméstica e sexual
Pernambuco
também teve aumento nos casos de feminicídio. Foram 88 registros em 2025,
contra 78 em 2024, o que representa uma variação de 12,5%.
Já
com relação a tentativa de feminicídio, houve redução. Os casos caíram de 156
em 2024 para 151 no ano seguinte.
Tráfico
de drogas
O
estado registrou um aumento de ocorrências de tráfico de drogas. Em 2025, houve
9.773 casos contabilizados. Já em 2024, foram 9.090. Os números representam um
aumento de 7,3%.
Já
com relação a posse e uso de drogas, a queda foi de 26,4%. O Anuário
contabiliza 15.823 notificações em 2024 contra 11.678 em 2025. Para o Fórum,
2024 marca um ponto de inflexão no campo das políticas de drogas.
"As ocorrências de posse e uso entram em queda após a decisão do STF sobre o porte de maconha, enquanto os registros de tráfico atingem o maior patamar da série histórica, movimento que a análise associa tanto a mudanças no comportamento das polícias quanto à pressão do mercado transnacional da cocaína sobre o país", resume.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.