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A
tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de
trabalho 6x1 pode ter um novo andamento na próxima semana na Comissão de
Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. Segundo fontes, há
uma negociação em curso para que audiências públicas sobre a matéria ocorram na
semana de esforço concentrado prevista para a semana que vem.
O
senador Eduardo Braga (MDB-AM), líder do partido na Casa, apresentou um
requerimento de audiência pública para um aprofundamento da discussão sobre a
importância e os impactos da mudança para a sociedade e para os setores
produtivos. Vale lembrar que o requerimento proposto pelo senador precisa ser
aprovado pelo colegiado para o encontro ser realizado.
Visando
compreender os benefícios em termos de produtividade e bem-estar, bem como
identificar os desafios práticos de transição no ambiente de trabalho, o
parlamentar sugere a presença de representantes da Central Única dos
Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Além
das centrais sindicais, o senador também sugere a presença de representantes do
setor produtivo, como Confederação Nacional da Indústria (CNI), Confederação
Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Associação Brasileira
de Supermercados (Abras), Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC),
Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e Fórum
dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).
O
setor produtivo defende um período maior de transição para a mudança na escala
de trabalho, assim como formas de compensação, tendo em vista que a medida pode
gerar impactos econômicos. Segundo a CNI, 97% do setor industrial seria
impactado e 73% das indústrias rejeitam a imposição da nova medida.
A
proposta em tramitação propõe a redução da jornada semanal de trabalho de 44
para 40 horas, com duas folgas remuneradas semanais. Entidades do setor
produtivo apontam para o aumento dos custos de produção, a necessidade de novas
contratações para suprir as escalas e os riscos potenciais à manutenção dos
níveis atuais de emprego.
Além
disso, setores como saúde, comércio, turismo, construção civil, transporte e
eventos, que operam em regime de turnos ininterruptos, defendem a instituição
de regras de transição proporcionais e tratamentos diferenciados por segmento.
Tramitação
Na
última semana, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP),
encaminhou para a CCJ a PEC do fim da escala 6x1. No colegiado, a matéria será
relatada por um aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
o senador Omar Aziz (PSD-AM).
O
governo deseja avançar ainda antes das eleições com a proposta na Casa. Porém,
do outro lado, a oposição atua para postergar a apreciação da matéria. A PEC
estava travada no Senado desde maio, quando foi aprovada pela Câmara dos
Deputados, e teve avanço após uma melhora na relação entre o presidente Lula e
Alcolumbre.
Há uma previsão de que os dois e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúnam nesta semana para tratar de outra prioridade do governo, a medida provisória que põe fim à taxa das blusinhas, imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. A norma está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional até o dia 8 de setembro de 2026 para não perder a validade.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.