Publicada em 07/10/2026 às 12h20.
Mapa da eleição expõe diferentes forças de Raquel e João em Pernambuco
Resultados nos municípios revelam limites de alianças e força dos redutos eleitorais.

Foto: Divulgação.


 A vitória da governadora Raquel Lyra (PSD) na disputa contra o ex-prefeito João Campos (PSB) pelo governo de Pernambuco não se explica apenas pela diferença percentual no resultado final nas urnas. O mapa da votação revela uma disputa marcada por forças eleitorais distintas: enquanto a governadora venceu em 132 dos 184 municípios pernambucanos, o socialista levou a melhor em 52. A quantidade de municípios, porém, não conta sozinha essa história. O peso eleitoral de cada cidade ajuda a compreender o resultado.


Os municípios mais simbólicos na disputa são, justamente, as bases políticas de cada um dos candidatos. No Recife, cidade governada por João Campos, o socialista venceu Raquel Lyra, mas por uma margem apertada: foram 49,94% dos votos, contra 46,07% da governadora. Uma diferença de 36.693 votos.


Para o cientista político Hely Ferreira, o desempenho na Capital pode estar relacionado justamente à saída antecipada de João da prefeitura. “Parece que o eleitor recifense queria que João ficasse mais de dois anos na prefeitura e não tivesse renunciado para ir em busca do governo do estado”, avalia.


Em Caruaru, reduto eleitoral do grupo da gestora estadual, o cenário foi praticamente o oposto. Ex-prefeita da cidade, Raquel Lyra alcançou 75,22% dos votos, enquanto João ficou com 23,10%. Uma diferença de mais de 100 mil votos.


De acordo com Ferreira, embora Raquel não estivesse mais à frente da prefeitura de Caruaru, ela conseguiu preservar uma relação política com o município e demonstrar atenção à cidade durante sua gestão no governo do estado. “Ela fez questão de frisar, de demonstrar o carinho e a atenção pelo município, priorizando certas coisas para a cidade de Caruaru”, afirma.


Regiões


Os resultados do Recife e de Caruaru ajudam a ilustrar uma diferença importante entre os dois candidatos. Enquanto João teve como principal base eleitoral uma capital de grande peso demográfico, Raquel conseguiu ampliar sua votação pelo interior e por diferentes regiões do estado.


Essa capilaridade, segundo Hely, também está relacionada à própria condição de Raquel como governadora. “É mais fácil para quem está no governo ter uma amplitude das regiões do estado”, afirmou. Segundo o especialista, enquanto o prefeito de uma capital tem sua atuação territorial limitada ao município, o governador tem a possibilidade de apresentar ações e obras em diferentes regiões.


Região que concentra a maioria do eleitorado (41,7% do total), a Região Metropolitana acabou tendo um peso maior para a governadora. Ela venceu em 12 das 15 cidades. João Campos venceu em apenas três municípios: Recife, Olinda e São Lourenço da Mata.


A vantagem territorial, porém, não significa que o apoio de prefeitos tenha funcionado automaticamente. “A popularidade de alguém não significa necessariamente que o candidato dele vai ter a mesma densidade eleitoral”, explicou. Segundo ele, quando o eleitor está satisfeito com uma gestão, pode considerar as entregas do administrador como uma obrigação, e não necessariamente como motivo para seguir sua indicação eleitoral.


Os exemplos mostram, portanto, que o apoio político local pode ajudar, mas não garante, por si só, a vitória de um candidato. “A força revela que ela soube muito bem usar a estrutura do governo do estado para fazer com que isso se transformasse em voto. O fato de você ter grandes apoios, muitos apoios, não necessariamente significa a garantia de vitória, mas está acima de tudo na competência de como você soube utilizar esses apoios”, analisou.



FONTE: FOLHA PE.




                 

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