
Foto: Evaristo Sá/AFP
Brasileiros fizeram "panelaços" na noite desta quarta-feira (17) após a revelação de que o presidente Michel Temer foi gravado dando aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. A informação foi publicada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal "O Globo", e confirmada pela Folha de S.Paulo. Houve também protesto na Avenida Paulista, em São Paulo. Já em Brasília, no momento em que estava em reunião para definir estratégia de reação à nova crise política, Temer enfrentou protesto e buzinaço do lado de fora do Palácio do Planalto.
Em São Paulo, o som das panelas foi ouvido no bairro de Santana, na zona norte da capital. O protesto foi registrado em vídeo pelos moradores da região. Segundo internautas, também houve "panelaços" na Vila Mariana e na região central da cidade.
No Rio de Janeiro, houve relatos de batidas de panelas na Tijuca, no Flamengo e em Botafogo. Internautas afirmaram nas redes que houve ainda "panelaços" em Brasília, Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Recife (PE).
Protesto no Planalto
No momento em que estava em reunião para definir estratégia de reação à nova crise política, o presidente Michel Temer enfrentou protesto e buzinaço do lado de fora do Palácio do Planalto.
Com cartazes e bandeiras, um grupo de cerca de cinquenta manifestantes pediu a saída do peemedebista do cargo e a realização de uma eleição direta. O protesto foi acompanhado pelo som de buzinas de motoristas que passaram em frente à sede administrativa do governo federal.
Os manifestantes iniciaram o protesto na calçada do Palácio do Planalto. Eles, no entanto, foram afastados pela Polícia Militar, que foi acionada por determinação da equipe de segurança da Presidência da República. Com spray de pimenta, manifestantes foram retirados e levados para a Praça dos Três Poderes, onde continuaram a manifestação.
Com o protesto, a segurança das saídas do Palácio do Planalto foi reforçada. Para evitar os manifestantes, ministros e parlamentares deixaram o local pela garagem dos fundos.
Segundo relatos de presentes, no gabinete presidencial, Temer estava visivelmente preocupado e incomodado, mas tentou transparecer calma e agradeceu o apoio de assessores e aliados. "A vida segue e amanhã cumpro agenda cedo", disse.
Em uma tentativa de reação, Temer se reuniu com o ministros, políticos aliados e com o núcleo de comunicação do Palácio do Planalto para preparar um posicionamento público. A ordem é minimizar as acusações, passar um clima de normalidade institucional e defender que é necessário aguardar a divulgação das eventuais gravações.
Nos bastidores, contudo, assessores e auxiliares reconhecem que, caso os áudios venham a público, podem criar a pior crise enfrentada até o momento pela gestão peemedebista, com potencial de afetar a fidelidade da base aliada.
A avaliação é de que podem também fomentar os partidos de oposição a pressionarem por seu impeachment, já que o episódio ocorreu durante o mandato presidencial. Um auxiliar de Temer, no entanto, lembra que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não é Eduardo Cunha e que, portanto, "dificilmente um pedido prosperará".
Passeata na Avenida Paulista
Centenas de manifestantes se reuniram na noite desta quarta (17) em frente ao Masp, na Avenida Paulista, para protestar contra o governo de Temer. Os manifestantes chegaram a ocupar toda a pista sentido Consolação, provocando paralisação do trânsito no local.
Antes mesmo da divulgação do conteúdo de gravações que implicam Temer no início desta noite, já havia um debate promovido pela Frente Povo Sem Medo, que discutia as reformas trabalhista e previdenciária patrocinadas pelo governo. Outros movimentos aderiram ao ato, como a Frente Brasil Popular.
Após a publicação do conteúdo das gravações, mais manifestantes foram convocados por meio das redes sociais, engrossando o público no local. Houve uma negociação com a polícia para que uma parte da avenida fosse interditada para dar espaço para a manifestação, mas o pedido foi negado, o que não impediu os manifestantes de levarem a intenção a cabo.
Entre os gritos de ordem estão os pedidos de "diretas já", "fora, Temer" e cânticos pedindo o fim do governo do peemedebista.
Entre os manifestantes estava o ator Otávio Muller, que disse: "Vim aqui porque estou indignado e sou contra o governo Temer. Não sou filiado partido nenhum. Sou um cidadão de bem, comum e que tenho o direito de me manifestar". "O problema é que acordo cedo amanhã para a gravação, porque cinema se grava cedo", lamenta.
Convocação
Os movimentos populares divulgaram o texto abaixo nas redes sociais: "A Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo convocam todos e todas para construir atos e manifestações em todas as capitais do Brasil para exigir a saída do presidente Michel Temer e eleições diretas.
As provas divulgadas hoje de corrupção e suborno para calar o ex-deputado Eduardo Cunha comprovam, o que há mais de um ano afirmamos, que o presidente ilegítimo Michel Temer não tem nenhuma condição de continuar na presidência da República.
Só o voto popular pode resolver essa imensa crise política, resgatar a democracia e credibilidade na principal instituição brasileira. Qualquer outra saída será golpe dentro do próprio golpe.
É por isso, que as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo convocam todos e todas para ocupar as ruas no próximo domingo, dia 21 de maio, de todas as capitais do país para exigir Fora, Temer e Eleições Diretas, Já!"
Folhapress