Publicada em 29/05/2017 às 15h29.
Juiz aceita denúncia e torna réus 14 investigados na Operação Greenfield
Ministério Público aponta gestão fraudulenta de fundo de pensão.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, aceitou uma denúncia do Ministério Público e tornou réus 14 pessoas investigadas na Operação Greenfield, que descobriu esquema de desvio em fundos de pensão de empresas estatais, entre as quais ex-diretores da Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal), ex-executivos da empreiteira Engevix e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, atualmente preso, em Curitiba, em razão da Operação Lava Jato.


Na decisão, assinada no último dia 24 e divulgada nesta segunda-feira (29), o magistrado considerou haver indícios suficientes de gestão fraudulenta na Fundação dos Economiários Federais (Funcef), em favor de negócios da empreiteira Engevix, também investigada na Operação Lava Jato.


Segundo o Ministério Público Federal, entre setembro de 2009 e agosto de 2010, foi aprovado um aporte de R$ 260,67 milhões da Funcef para a Cevix Energias Renováveis S/A, ligada à Engevix, sem “observância dos deveres de diligência” e com uso de documentos fraudulentos que superestimavam o valor aportado por outra parceira do projeto, a Desenvix.


Os valores foram investidos para obter participação acionária no empreendimento, mas, segundo o MPF, houve “flagrante prejuízo” para a Funcef de, no mínimo, R$ 402 milhões.


A mesma denúncia apontou participação do lobista Milton Pascowitch e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para garantir a conclusão dos aportes da Funcef nos empreendimentos da Engevix, pedindo e recebendo propina de R$ 5,5 milhões.


“Verifico que denúncia atende aos requisitos contidos no artigo 41 do Código de Processo Penal, descrevendo de modo claro e objetivo os fatos imputados aos denunciados”, escreveu o juiz na decisão, que tornou réus:


 

  • Demósthenes Marques, ex-diretor de Investimentos da Funcef

  • Guilherme Narciso de Lacerda, ex-diretor-presidente da Funcef

  • Luiz Philippe Peres Torelly, ex-diretor de Participações Societárias e Imobiliárias da Funcef

  • Antônio Bráulio de Carvalho, ex-diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef

  • Geraldo Aparecido da Silva, ex-diretor de Benefícios, em exercício, da Funcef

  • Sérgio Francisco da Silva, ex-diretor de Administração da Funcef

  • Carlos Alberto Caser, ex-presidente da Diretoria Executiva da Funcef

  • José Carlos Alonso Gonçalves, ex-diretor de Benefícios da Funcef

  • Roberto Carlos Madoglio, ex-superintendente Nacional de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa Econômica Federal

  • José Antunes Sobrinho, sócio da Engevix /Desenvix

  • Gerson de Mello Almada, ex-vice-Presidente da Engevix

  • Cristiano Kok, sócio da Engevix /Desenvix

  • Milton Pascowitch, lobista

  • João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Funcef informou que colabora com o Ministério Público como assistente de acusação no processo, auxiliando na identificação dos problemas. Informou que nenhum dos atuais diretores foi citado na operação e que em abril instalou comissões internas, compostas por funcionários da Caixa, para apuração de irregularidades.


Até a última atualização desta reportagem, o G1 tentava contato com os demais acusados na denúncia.


A decisão dá início a um processo penal, no qual os acusados poderão se defender, apresentar provas de sua inocência e pedir depoimento de testemunhas que possam absolvê-los.


Não há prazo para a conclusão da ação penal, O caso ainda poderá ainda ser rediscutida por meio de recursos junto a instâncias superiores.

 

 

G1

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