Publicada em 06/06/2017 às 07h02.
Às vésperas de julgamento no TSE, Dilma defende eleições diretas
Rousseff também classificou como estarrecedora declaração de Aécio Neves de que entrou com ações na Justiça Eleitoral apenas para "encher o saco".

Foto: Imprensa viva.com

 

A ex-presidente Dilma Rousseff defendeu nesta segunda (5) a realização de eleições diretas e classificou como estarrecedora a declaração do senador afastado Aécio Neves (PSDB) de que entrou com ações na Justiça Eleitoral apenas para "encher o saco", como revelado em gravação da Polícia Federal.

Dilma também afirmou que as reformas da Previdência e trabalhista atualmente propostas mudam por completo o que está em vigor no país e que, junto da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto dos gastos públicos, atendem à política neoliberalista que vem sendo derrotada desde 2003 pelo PT.

Às vésperas do início do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode cassar a chapa que a elegeu junto com o atual presidente Michel Temer, a ex-presidente afirmou que somente com as eleições diretas e participação popular é que a democracia será restabelecida no país, após o golpe sofrido por ela.

Durante palestra no Teatro da Pontifícia Universidade Católica (Tuca), em São Paulo, Dilma afirmou que a fala de Aécio Neves é gravíssima, "porque mostra a leviandade, a falta de princípio e de valor, que leva à marcha batida uma das maiores crises políticas e institucionais" vividas pelo país.

Por quase uma hora, Dilma falou a uma plateia formada principalmente por jovens universitários. O espaço estava lotado. O teatro tem capacidade para 672 pessoas sentadas e algumas ficaram de pé. Ao começar a palestra, a ex-presidente foi recebida por gritos de "Dilma, guerreira da pátria brasileira".

A petista não deu entrevistas aos jornalistas. "Aguardemos a Justiça", se restringiu ao dizer ao ser perguntada sobre a expectativa do julgamento e das possibilidades de ter os direitos políticos cassados por até oito anos, assim como a saída de Temer do poder. O julgamento nesta terça está previsto para começar às 19h.

Dilma afirmou que ainda não entendeu a origem da gravação que implicou Temer na delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, a maior processadora de proteína animal do mundo. Ela disse não se tratar de uma defesa "ao presidente ilegítimo", mas de algo que envolve a democracia. "Tinham autorização para gravá-lo? Porque se eles o colocaram lá, então que o respeitem. Não é uma questão dele [Michel Temer]. É uma questão relativa ao presidente", disse, lembrando do episódio em que também foi gravada e teve a conversa divulgada enquanto no exercício da Presidência.

"Não é possível aceitar qualquer ato de exceção no estado de direito democrático", afirmou Dilma. "Gravação e divulgação de conversas de um presidente é questão de segurança nacional. Vai gravar uma conversa do Trump [Donald Trump, presidente dos EUA] para ver o que acontece", completou a petista.

A ex-presidente afirmou que 2018 está chegando e que o que o atual governo conseguiu até agora foi desmontar o Brasil. "Isso é gravíssimo. A cada dia estamos perdendo uma coisa. Eles desestabilizam tudo o que podem. Quando se dá um golpe, ele se expande e cria um estado de exceção", afirmou.


Folhapress

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