Publicada em 04/07/2017 às 14h07.
Defesa de Temer será apresentada na Câmara amanhã, diz advogado
Criminalista Antônio Cláudio Mariz tinha tem até 10 sessões do plenário da Câmara para apresentar a defesa sobre a denúncia apresentada pela PGR.

(Reprodução da internet)

 

O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira afirmou à TV Globo que irá apresentar na tarde desta quarta-feira (5) a defesa do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Responsável pela defesa do chefe do Executivo federal, o criminalista disse ainda que vai passar a tarde desta terça (4) fazendo ajustes finais na peça de cerca de 100 páginas que será entregue aos deputados.


Mariz ressaltou à TV Globo que vai alegar na defesa que a gravação feita pelo empresário Joesley Batista em março deste ano, no Palácio do Jaburu – principal prova da acusação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot –, é ilegal e não revela nada compremetedor contra o presidente da República.


O criminalista também destacou que lançará na peça de defesa um desafio para que Janot apresente algum indício de que Michel Temer era o beneficiário dos R$ 500 mil entregues em uma pizzaria de São Paulo ao ex-deputado e ex-assessor especial do Planalto Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR).


A Câmara deve abrir na tarde desta terça-feira (4) a primeira sessão que contará como prazo para Temer apresentar a defesa sobre a denúncia de corrupção passiva da Procuradoria Geral da República (PGR).


O limite para a manifestação do presidente é de dez sessões. Depois, ficará a cargo da Comissão de Constituição e Justiça elaborar um parecer recomendando a continuidade ou a rejeição da denúncia.

Por se tratar do presidente da República, a Câmara precisa autorizar o Supremo Tribunal a analisar a denúncia.


O presidente foi notificado pela Câmara na última quinta (29). Com isso, o prazo para defesa já está aberto desde então e Temer pode apresentar a manifestação a qualquer momento.


 

Análise na CCJ

 

Após a apresentação da defesa, a CCJ terá um prazo de até cinco sessões do plenário para debater e votar um parecer com recomendação de prosseguimento ou rejeição da denúncia.


O presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), deve anunciar o nome do relator ainda nesta terça.


Independentemente do resultado na CCJ, o parecer será votado pelo plenário da Câmara.


 

Aprovação da denúncia

 

O parecer será aprovado se tiver o apoio de, pelo menos, dois terços dos 513 deputados, ou seja, 342 parlamentares.


Após a análise da Câmara, a denúncia seguirá para o STF. Na Corte, os 11 ministros votarão para decidir se o presidente Michel Temer vira réu. Se virar, ele será afastado do mandato por até 180 dias.


O presidente só perderá o cargo definitivamente se for condenado pelo Supremo. Quem assumirá o cargo, então, será o presidente da Câmara, responsável por convocar eleições indiretas em 30 dias.


Segundo a Constituição, o novo presidente da República seria escolhido pelo voto de deputados e senadores.


 

Rejeição da denúncia

 

Se a denúncia for rejeitada pela Câmara, o Supremo não poderá dar andamento à ação, que seria suspensa, não arquivada.


O processo poderia ser retomado somente após o fim do mandato do presidente. Nesse caso, Temer seria julgado na primeira instância, já que, sem o cargo, não terá mais direito ao chamado foro privilegiado.

 

 

G1

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