Publicada em 19/03/2018 às 07h08.
Agente penitenciário morre após confusão em unidade do Complexo Prisional do Curado
Secretário de Justiça aponta que servidor chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

O Presídio ASP Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa), que pegou fogo na madrugada, será visitado pelos secretários estaduais de Justiça e Cidadania, Pedro Eurico, e de Ressocialização, Éden Vespasiano, na manhã desta terça

(Foto: Everaldo Silva / TV Globo)

 

Um agente penitenciário morreu após uma confusão em uma das unidades do Complexo Prisional do Curado, na Zona Oeste do Recife, nesta segunda-feira (19), segundo o Secretário de Justiça de Pernambuco, Pedro Eurico. O Sindicato dos Agentes Penitenciários do estado (Sindasp-PE) afirma que presos tentaram tomar o setor de entrada e saída, dando início a uma troca de tiros.


Segundo secretário, o agente penitenciário chegou a ser socorrido para o Hospital Otávio de Freitas (HOF), mas não resistiu ao ferimento e morreu.


A tentativa de tomada do Setor de Permanência teria ocorrido por volta das 5h, no Presídio Agente Penitenciário Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa). O Sindasp informou ainda que um preso teria ficado ferido na confusão.


O G1 tenta contato com a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) para saber se mais presos ficaram feridos e o estado de saúde.

 

Vista aérea do Complexo Prisional do Curado, no bairro do Sancho, no Recife

(Foto: Reprodução/TV Globo)


Problemas frequentes


O Complexo do Curado tem três unidades e um histórico de problemas, tendo sido alvo de uma denúncia à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Uma confusão foi registrada no dia 15 de março, no Presídio Frei Damião de Bozzano (PFDB), outra unidade do complexo. Na ocasião,um detento morreu e outro ficou ferido.


A superlotação do Complexo do Curado foi um dos problemas constatados durante a visita da comitiva da Organização dos Estados Americanos (OEA), em junho de 2016. Representantes de organizações que denunciaram a situação do presídio apontaram, ainda, a permanência de violações dos direitos humanos, apontadas desde 2011, por um grupo liderado pela Pastoral Carcerária do Estado.


A pastoral denuncia uma série de irregularidades na unidade, que envolvem danos à integridade física dos presos, problemas de saúde por falta de cuidados médicos e falta de segurança para os agentes, entre outras. A inspeção foi feita por juízes da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA e representantes das organizações, acompanhados de equipes dos governos estadual e federal.

 

Superlotação e problemas


Pernambuco tem 10.841 vagas em unidades prisionais e pouco mais de 30 mil detentos. Com cerca de 1,5 mil agentes penitenciários, o estado tem uma média de 20,1 presos por agente.


 

Preferindo manter o anonimado, um dos agentes penitenciários do Complexo Prisional do Curado contou à reportagem sobre a situação dentro do sistema e a rotina diária de lidar com a superlotação.

 

G1

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