(Centro de Palmares, PE/ Reprodução do Google)
Um novo tipo de golpe financeiro está sendo investigado pela Polícia Civil de Palmares, na Mata Sul do estado. Ao menos quatro pessoas registraram boletins de ocorrências na delegacia local por crime de estelionato contra uma mulher, suspeita de subtrair dinheiro das vítimas em troca da promessa de aposentadoria e de altos valores indenizatórios.
A acusada trata-se de Luana Patrícia da Silva, moradora do bairro de Newton Carneiro. Segundo relatos das vítimas, ela estaria se passando por falsa advogada e utilizando documentação de um escritório de advocacia do município para lesar os clientes na cidade e zona rural.
Um dos prejudicados foi o agricultor José Antônio Gomes do Nascimento, 56. Ele afirmou, em entrevisa exclusiva ao Portal Nova Mais, que teve contato com a suposta estelionatária através de terceiros, com a promessa de receber meio milhão de reais. Para tanto, ele deveria repassar-lhe antecipadamente um pouco mais de R$ 15 mil em espécie, fato que se concretizou:
- “Ela chegou lá em casa dizendo que eu tinha R$ 500 mil para receber, mas me pediu um total de R$ 15.500,00 (quinze mil e quinhentos reais). Eu tinha esse dinheiro e repassei para ela, mas depois descobrir que ela não era advogada”, disse.
Outro cliente lesado foi José Rodrigues da Silva, 50. Segundo ele, a falsa advogada teria subtraído ilegalmente em torno de 19.600,00 (dezenove mil e seiscentos reais) dele e de alguns familiares, sob a promessa do recebimento de indenizações trabalhistas de uma usina de cana-de-açúcar:
- “Eu a conheci durante a política e lhe falei sobre minha aposentadoria. Ela me deu alguns conselhos sobre o que fazer e, depois de um tempo, com meu papeis em mãos, disse que eu tinha uma dívida trabalhista do imposto de renda e que eu teria que pagar antes R$1.400,00 (mil e quatrocentos reais). Eu disse que não tinha esse dinheiro, mas vendi algumas coisas e levantei R$ 800,00 (oitocentos reais)”, explicou.
Além desse montante, Luana também teria prometido a ele e a seus familiares o recebimento de uma indenização trabalhista que girava em torno de R$ 370 mil (trezentos e setenta mil reais), mas que teriam que desembolsar, cada um deles, cerca de R$ 4 mil (quatro mil reais). Os valores de indenização nunca foram pagos, naturalmente.
ESCRITÓRIO DE ADVOCAGIA
De acordo com o responsável pelo escritório de advocacia Gonçalves Lima Advogados, a suspeita utilizava os papeis timbrados de sua empresa sem qualquer autorização legal. Para o Dr. Thiago Gonçalves de Lima, Luana também causou prejuízo à imagem de seu escritório, o que o levou a registrar um boletim de ocorrência contra a suposta estelionatária:
- “Eu também estou sendo vítima dessa situação, pois só tivemos ciência do caso depois que alguns clientes chegaram ao escritório para perguntar se realmente existiam processos em favor deles. Pessoas que não tenham OAB (autorização para advogar da Ordem dos Advogados do Brasil), ou que não estejam ligadas ao meu escritório, não têm autorização de utilizar esses documentos”, disse.
O advogado também afirmou não saber explicar como Luana teve acesso aos documentos timbrados de seu escritório, mas admitiu já ter travado conhecimento com ela anteriomente. De acordo com ele, Luciana o teria procurado como representante de associações comunitárias rurais para contratar seus serviços de advocacia, o que gerou uma relação profissional indireta, sem nenhum vínculo empregatício:
- “Ela chegou a frequentar o meu escritório. Há alguns meses eu a conheci através de um outro advogado, quando ela disse que trabalhava vinculada a algumas associações da zona rural e que queria que prestássemos serviço a pessoas que precisavam de serviços jurídicos. “, justificou.
INÍCIO DAS INVESTIGAÇÕES
Em conversa por telefone com a redação do Portal Nova Mais, a suspeita negou todas as acusações e prometeu enviar uma nota de esclarecimento ao setor de Jornalismo, mas não cumpriu com a promessa. Mais uma vez procurada pela equipe de reportagem, Luana não foi encontrada para gravar entrevista.
O caso agora está nas mãos da Polícia Civil de Palmares, que abriu inquérito para apurar as denúncias.