(Direito de imagem: Pesqueira em Foco)
Por Andréa Galvão.
Segundo os documentos históricos, tudo começou quando Maurício de Nassau retorna à Holanda em 1644. Fernandes Vieira o substitui e se torna governador da Província de Itamaracá, tendo ele obtido duas vitórias espetaculares contra os holandeses, começa a exigir uma recompensa pelos seus feitos heroicos e esta seria a concessão de 10 léguas de terras que começariam na Sesmaria de Santo Antão, abrangendo todo o interior. Ele dizia que conquistaria o território e, se preciso fosse, tomaria ele dos índios.
O Rei de Portugal alegava que não daria o que estava sendo exigido porque Vieira venceu batalhas, não a guerra.
Finalmente em 25 de junho de 1654, D. João IV assina o alvará de concessão das terras a João Fernandes Vieira, na época era um dos homens mais ricos da colônia e estava com muita dificuldade de gerir todos os seus negócios, fez uma seleção e ficou apenas com o que dava mais lucro, deixando as fazendas do Ararobá em segundo plano.
Três anos depois chegam à Capitania dois padres lusos da Congregação de São Felipe Néri, João Duarte do Sacramento e João Rodrigues Vitória. Eles fundam um hospício perto de Olinda e vão angariando recursos para mantê-lo. Só não esperavam receber boa parte das terras do Vale do Capibaribe. Neste ínterim, Francisco Brito Freire assume o governo de Pernambuco e incentiva os padres oratorianos a conhecer e tomar posse da terra. Fizeram uma longa viagem a cavalo, instalaram-se e logo se depararam com os índios Xucurus e Paratiós, rapidamente fundaram uma povoação com o pitoresco nome de Monte Alegre e pediram permissão à coroa portuguesa para erguer um templo católico sob à égide de Nossa Senhora das Montanhas, tornando-se então a primeira paróquia do agreste pernambucano.
Em 1762 a povoação Monte Alegre passa a ser a Vila de Cimbres, a Comarca do Sertão, cheia de prestígio político e social. Neste território, ao sopé da Serra do Ororubá, havia um sítio por nome de pesqueiro, uma vez que nos seus riachos havia fartura de peixes. Ele pertencia a Antônio dos Santos Coelho da Silva, homem de posses e muito influente no Moxotó. Uma de suas filhas casa-se com Manuel José de Siqueira e ele doa o sítio a título de dote. Siqueira era um visionário e dispunha de um talento nato parara empreender. Paulatinamente edifica vários prédios e a povoação ganha ares de vila próspera, em 1836. Cimbres começa a perder importância por uma série de motivos, o difícil acesso era um deles. Em 44 anos só houve progresso na grande Vila de Santa Águeda, sede do município.
Em 20 de abril de 1880, a lei nº 1484, assinada pelo vice-presidente da província, Adelino Antônio de Luna eleva a Vila de Santa Águeda à categoria de cidade, denominando-a de cidade, mas com o mesmo nome, este foi adotado pelo Frei Caetano de Messina, pois achava-o mais apropriado e bonito. Embora houvesse muita devoção à santa que já era a padroeira da localidade, a denominação não caiu no gosto popular, passando a constar oficialmente como cidade de Pesqueira. Muitos pesqueirenses desconhecem essa versão da história, pois uma outra, mais compacta, foi incutida desde muito, todavia há um fato incontestável. Todos aprendem a amar essa terra incondicionalmente, a defendê-la, a acalentar o sonho do regresso quando estão distantes e sobretudo a não esquecê-la jamais.