/s.glbimg.com/po/tt2/f/original/2015/02/19/lg-g-flex-7.jpg)
Créditos: Luciana Maline/TechTudo
Você costuma mexer no celular enquanto come? O hábito, bastante comum nos dias de hoje, pode ser um grande vilão para a saúde, segundo uma pesquisa publicada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). De acordo com os especialistas do Departamento de Ciências da Saúde, fazer as refeições se distraindo com a tecnologia pode fazer com quem você coma 15% a mais de calorias do que o necessário.
O estudo acompanhou 62 pessoas adultas, entre homens e mulheres, que foram submetidas a duas situações, em quatro dias diferentes. Em algumas ocasiões, estavam distraídas com seus smartphones e, em outras, não. Nesse contexto, foram avaliados os níveis de estresse, desempenho e frequência mastigatórios, deglutição, sexo, quantidade de calorias ingeridas e Índice de Massa Corporal (IMC).
Em ambos os casos, as pessoas poderiam escolher o que comer. Entre as opções, comidas muito e pouco calóricas, que iam de refrigerantes, doces e frituras, a iogurtes naturais, saladas e frutas. A conclusão foi que, quando estavam distraídos com o celular, os voluntários optaram por refeições menos saudáveis, com maiores índices de gordura e açúcares. Além disso, a quantidade de calorias ingeridas aumentou em 15%, principalmente entre os homens mais velhos.
Tecnologia e saúde
Apesar dos malefícios, a tecnologia pode, sim, ser uma grande aliada da saúde. E, nessa linha tênue entre o mau e o bom uso, a nutricionista e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ronimara Santos, chama atenção para os detalhes que vão além da mera distração.
Ela ressalta que os anúncios que surgem enquanto consumimos conteúdo na internet, podem ter um impacto prejudicial para a saúde em alguns casos. "Quem nunca estava vagando pela linha infinita de algum aplicativo e foi influenciado por uma oferta patrocinada imperdível? Ou jogando no celular, quando apareceu uma propaganda de fast food? Ou mesmo, distraído conversando quando recebeu uma mensagem com “entrega grátis” de uma refeição que você não precisa?", provoca.
Ronimara reforça ainda que a indústria e o marketing de alimentos utilizam muito a tecnologia como forma de promover, vender produtos e influenciar pessoas. "Tudo o que você faz nas redes sociais acaba, de alguma forma, sendo aproveitado para vender. E aí o consumidor precisar estar atento e treinado a escolher as opções mais saudáveis. É nessa parte que o nutricionista é essencial", orienta.
A especialista defende que é possível evitar que o uso da tecnologia tenha um impacto negativo na saúde, programando o tempo gasto com ela. "A tecnologia é maravilhosa, nos ajuda de muitas formas e facilita muito a vida, isso é algo inegável. Mas também nos envolve em passar tempos inúteis, que poderiam ser evitados", justifica.
Ronimara defende que, da mesma forma como temos hábitos e rotinas, é preciso planejar o momento de assistir televisão, usar as redes sociais, jogar, e assim por diante. "Existem funções no próprio celular que controlam o tempo de uso do aparelho e te avisam quando você supera o tempo planejado", indica.
Outro ponto citado pela nutricionista é a influência dos smartphones na hora do descanso. "A tão falada luz azul do celular antes de dormir altera os hormônios, como a melatonina que é fundamental para qualidade do sono", alerta Ronimara.
O vício em tecnologia
Porém, desapegar da tecnologia na hora de comer ou de praticar exercícios físicos, por exemplo, pode ser uma tarefa muito complicada para algumas pessoas. As redes sociais, mensagens vídeos, fotos, jogos e tudo mais que a internet oferece, podem atrapalhar bastante a concentração.
Para Ronimara, o vício em smartphones pode ser controlado criando novos hábitos. "Não nascemos com o celular, nós aprendemos a viver colados a um. Mas também podemos aprender a não ser dependentes dele", incentiva a nutricionista, que compartilha algumas estratégias para ajudar quem quer melhoras os hábitos e cuidar da saúde.
Desative todas as notificações do seu aparelho: sons, mensagens banners e aqueles números de notificações dos apps. Elas te atraem mesmo sem você perceber. Por exemplo, você está estudando e uma nova mensagem chega. Naturalmente você vai checar. Quando menos perceber, estará vendo as publicações da sua mãe no shopping. Tudo foi feito para te envolver.
Mude a sua tela inicial e coloque nela os aplicativos que você menos se interessa: app do banco, calendário, calculadora, bloco de notas, etc. Deixe aqueles favoritos nas telas seguintes. Assim você não corre o risco de ir olhar a hora e ser abraçado pelo app de mensagens.
Ative a função Sleep do seu telefone para que você controle o recebimento de ligações durante a madrugada e noite.
Faça um teste e procure no seu telefone a função de controle do tempo de uso. Você vai se surpreender com o tempo que desperdiça ao celular.
Mude a seu pensamento: urgências serão resolvidas com ligações. O resto pode esperar. Aprenda a dedicar tempo à vida fora da tela.
Aplicativos
A pedido do TechTudo, Ronimara indicou aplicativos que podem ajudar a ter uma vida mais saudável. Veja:
HeadSpace – É um aplicativo para meditação. Na minha opinião é um dos melhores, mas o usuário precisa estar habituado com o inglês, já que ele não tem versão em português ainda. Para quem não tem muita prática da língua inglesa, tem também o Lojong.
Desrotulando – Um dos meus favoritos! Ele ajuda na hora de escolher os produtos no supermercado. Esse app tem uma lista de alimentos cadastrados e classificados de 0 a 100 conforme a quantidade de açúcar, sal, gorduras trans, aditivos químicos e nível de processamento. Você pode buscar o produto por nome ou escanear o código de barras (na versão paga). Ele também mostra a lista de ingredientes e a tabela nutricional.
Trello – Esse é para os esquecidos. É um aplicativo que ajuda na organização pessoal e por conseguinte, na vida como um todo. Você pode cadastrar listas de tarefas a fazer e pode inclusive, adicionar convidados para participar dessas listas e fazer as tarefas.
Sobre apps para cálculos de dieta, registro alimentar e contagem de calorias, Ronimara diz que não recomenda. "Eu acredito que esses aplicativos deixam os usuários muito acostumados a valorizar as calorias. Nesse sentido a gente acaba se esquecendo de analisar a qualidade do alimentos, o que é muito mais importante do que só calcular quantas calorias a refeição tem", justifica.
Criando novos hábitos
Criar novos hábitos pode não ser uma tarefa fácil. Por isso, a nutricionista Rafaela Caruso aconselha: "Pare por um instante e pense mais em você e em sua saúde". Além de se concentrar na comida, a profissional indica que o celular não seja usado durante a prática de exercícios físicos.
"É essencial não se deixar levar quando estiver na musculação ou no treino propriamente dito. Você pode acabar fazendo um movimento errado e, consequentemente, se lesionando", alerta.
Rafaela também incentiva que a tecnologia seja usada a favor da saúde por meio de mudanças simples, como evitando a recorrer a apps que podem tirar o foco.
"Os aplicativos de fast foods com descontos, por exemplo, te induzem a gastar pouco em uma refeição que não é nutritiva, tem baixíssimo teor de fibras, alto valor calórico e sódico e por aí vai", exemplifica.
Por outro lado, ela continua, existem apps que podem auxiliar na mudança de hábitos, sejam alimentares ou até de estilo de vida. Como por exemplo, de exercícios físicos que podem ser praticados em casa e que enviam notificações para lembrar de beber água.
"Porém, lembrando sempre que nem tudo pode ser feito por conta própria. Devemos valorizar o profissional de Educação Física, pois é ele quem sabe quais exercícios são necessários para cada um e como executá-los da maneira correta, assim como o Nutricionista é o único profissional capaz de prescrever um plano alimentar adequado e voltado para suas individualidades", finaliza.
TechTudo