Publicada em 03/08/2019 às 07h50.
Bolsonaro diz que não falou 'nada de mais' sobre pai de presidente da OAB
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (2) que não falou "nada de mais" sobre o pai do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil

 

Foto: Evaristo Sá/AFP

 

Em entrevista, ele disse que enviará ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), cópias das declarações em que criticou o militante de esquerda Fernando Santa Cruz, que desapareceu em 1974, durante a ditadura militar (1964-1985).


Nesta semana, Bolsonaro citou o pai do presidente da entidade para reclamar sobre a atuação da OAB na investigação do caso Adélio Bispo, autor de facada desferida contra o então candidato na campanha eleitoral.


O presidente disse saber como o pai de Santa Cruz desapareceu durante a ditadura, e que poderia explicar a ele se Santa Cruz quisesse.


"Mesmo eu não sendo obrigado [a prestar esclarecimentos], eu presto. Não falei nada demais. Eu vou entregar os vídeos, fazer a degravação e mandar", afirmou Bolsonaro nesta sexta.


Barroso encaminhou uma interpelação a Bolsonaro para que ele esclareça "eventuais ambiguidades ou dubiedades" na crítica ao militante de esquerda, que integrava a APML (Ação Popular Marxista-Leninista).


"O que eu falei de mais para vocês? Me responda. O que tive conhecimento na época. Eu ofendi o pai dele? Não ofendi o pai dele", disse o presidente.


Na última segunda-feira (29), Bolsonaro declarou: "Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele."


"Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", continuou Bolsonaro.


Mais tarde, ainda na segunda-feira, o presidente remendou sua declaração, defendeu os militares e culpou a esquerda pela morte de Fernando Santa Cruz.


"Não foram os militares que mataram, não. Muito fácil culpar os militares por tudo o que acontece", disse o presidente, em transmissão ao vivo pela internet enquanto cortava o cabelo na sede do governo.


"Até porque ninguém duvida, todo mundo tem certeza, que havia justiçamento. As pessoas da própria esquerda, quando desconfiavam de alguém, simplesmente executavam."


Essa versão é desmentida por uma série de documentos do próprio regime militar, que nunca afirmou que Fernando -um dos mais de 200 nomes que constam das listas de desaparecidos políticos- foi morto por militantes esquerdistas.


O presidente lamentou nesta sexta todas as mortes ocorridas durante a ditadura militar, tanto na esquerda como na direita, e disse que nada disso teria ocorrido se não houvesse a "vontade de implantar o comunismo no Brasil".


"É uma verdade. A verdade dói, machuca. Agora, eu lamento todas as mortes que tiveram dos dois lados", disse.


Barroso deu um prazo de 15 dias para Bolsonaro responder à interpelação. A decisão atendeu a pedido de Felipe, que, de acordo com o despacho se sentiu pessoalmente ofendido e entendeu que houve crime de calúnia contra a memória de seu pai.


Fernando desapareceu em fevereiro de 1974, após ser preso por agentes do DOI-Codi, órgão de repressão da ditadura militar, no Rio de Janeiro. Até hoje, sua morte é um mistério e seu corpo nunca foi encontrado.


FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO

 

 

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