Publicada em 21/08/2019 às 10h56.
Saiba quem é o homem que sequestrou o ônibus no Rio
No vão central da Ponte Rio-Niterói, sequestrador mandou motorista atravessar ônibus na pista e ameaçou atear fogo no veículo.

 

Imagem: Reprodução do Google

 


A polícia do Rio libertou na última terça-feira (20) 39 pessoas ameaçadas por um sequestrador dentro de um ônibus. Depois de três horas e meia, ele foi alvejado por seis disparos de atiradores de elite e caiu morto. Os tiros não feriram nenhum refém.


“Terror psicológico e muito medo, todo mundo pensando na família, nos filhos. Ameaçou. Se a polícia encostasse no ônibus, ele ia tacar fogo no ônibus, em todo mundo”, contou um passageiro.


“Momento mais tenso foi quando ele botou gasolina no ônibus, nos potinhos, amarrou. Fiquei muito tenso. Foi brabo”, disse outro passageiro.


“Ele só falava que queria entrar para a história e que a gente ia ter muita história para contar”, completou outra testemunha.


O sequestrador interrompeu a viagem do motorista e de 38 passageiros que estavam a caminho do trabalho às 5h30. Todos vinham de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, e cruzavam a Ponte Rio-Niterói.


O sequestrador deu a ordem para o motorista deixar o ônibus atravessado na pista pouco depois de passar pela base da Polícia Rodoviária Federal. Dez minutos depois, às 5h40, a Polícia Rodoviária Federal chegou ao local.


Os reféns contam que puderam usar o telefone celular dentro do ônibus.


“Teve passageiro que falou com a família, eu falei com os meus familiares e os familiares falando com a polícia”, contou o professor Hans Miller Moreno do Nascimento.

 

O repórter Genilson Araújo acompanhou toda a ação do Globocop:


“Policiais cercando neste momento um ônibus da empresa que faz a ligação São Gonçalo-Rio de Janeiro, policiais militares e também policiais rodoviários federais”.


Imagens obtidas com exclusividade pelo Jornal Nacional mostram a movimentação do sequestrador dentro do ônibus. Ele falava várias vezes com o motorista e também com os passageiros, que permanecem sentados.


A polícia fechou o trânsito na Ponte Rio-Niterói nos dois sentidos. Às 6h19, a porta do ônibus se abriu. O primeiro refém foi libertado. Quase 20 minutos depois, mais um passageiro saiu do ônibus.


Às 6h30, o sequestrador lançou um coquetel molotov na pista, que logo se apagou. Depois foi possível ver imagens de fogo dentro do ônibus.


O Bope - o Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar - assumiu as negociações. Às 7h44, o sequestrador apareceu na porta do ônibus. William Augusto da Silva olhou a movimentação e voltou.


Atiradores de elite do Bope se posicionaram. O sequestrador deixou mais cinco reféns saírem. A última mulher libertada desmaiou do lado de fora. Dentro do ônibus ficaram 33 reféns amarrados.


“Amarrou todo mundo com lacre”, explicou um passageiro.


A multidão de motoristas e motociclistas presos no engarrafamento esperava o desfecho. No pior momento, o congestionamento em toda a cidade chegou a 114 quilômetros.


A polícia diz que o sequestrador entrou no ônibus com uma arma de brinquedo, um aparelho de dar choques, uma faca e gasolina. Ele obrigou uma das passageiras a pendurar partes de garrafa pet com o combustível no teto.


“Acendia o isqueiro, mas falava que não ia fazer nada. Mas, mesmo assim, ficava brincando com o isqueiro e era algo perigoso”, contou a passageira Rafaela.


Às 9h01, a repórter Lívia Torres falava ao vivo da Ponte Rio-Niterói quando ouviu tiros.

 

“A situação aqui ainda é muito tensa. A gente ouve barulho muito forte de muitos tiros”.


Dá para ouvir pelo menos seis tiros.


“Um policial, um atirador de elite em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros fez um sinal de comemoração, o que nos leva a crer que o criminoso acabou sendo atingido por esses tiros”.


Imagens da Record TV mostram o momento em que o sequestrador foi atingido. William desceu do ônibus e jogou um casaco para os policiais. Quando voltava, foi baleado.


Do lado do ônibus dá para ver que o sequestrado pintou de preto alguns vidros na lateral e também da frente, para tentar se esconder da polícia.


O terror dos passageiros durou cerca de três horas e meia. Só terminou quando o sequestrador foi atingido pelos policiais. Ficaram marcas dos tiros no farol e também na porta do ônibus, onde o sequestrador caiu.


Os 33 reféns que estavam no ônibus foram liberados sem ferimentos. Cerca de 40 minutos depois dos tiros, o governador Wilson Witzel pousou na Ponte Rio-Niterói e, ao descer do helicóptero, comemorou.


“Nossa primeira preocupação é salvar reféns e rapidamente solucionar o problema e o que nós assistimos foi um trabalho muito técnico da Polícia Militar”, disse o governador.


A Ponte Rio-Niterói foi totalmente liberada às 11h.


À tarde, na delegacia, um primo do sequestrador William Augusto da Silva pediu desculpas.


Quase todos os passageiros da linha 2520D se conhecem, pegam o ônibus juntos. Depois de prestarem depoimento, só pensavam em seguir adiante.


“Agora é livramento, é curtir a vida e viver a vida como se fosse a última, que, depois disso a gente nunca acha que vai acontecer com a gente, mas acaba acontecendo”, disse o administrador Luan Tavares.

 

G1

 

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