Publicada em 31/08/2019 às 08h51.
Seguradoras de carro agora podem usar peças de segunda mão
O objetivo é expandir a cobertura para pelo menos metade da frota.

Imagem: Reprodução/G1

 

A Superintendência de Seguros Privados autorizou as seguradoras consertar carros com peças de segunda mão. Peças usadas.


Na oficina do Flávio Ferraz, tão importante quanto consertar é conversar.


“Eu estava fazendo a cotação de uma peça para um carro: uma peça original custava R$ 1.500 e uma peça chinesa custava R$ 650. A vida útil não vai ser a mesma, nada será a mesma. Então é isso que o usuário precisa saber”, disse o mecânico.


É um dilema que quem tem seguro nunca precisou enfrentar. As apólices sempre cobriram os consertos com peças originais.


A partir de agora as seguradoras não precisam mais usar só peças originais no conserto dos veículos. A justificativa é que isso vai baixar o preço do seguro. Mas e o consumidor? Agora ele fica dividido entre o amor pelo carro e o cuidado com o bolso. Será que essa conta vale a pena?


A Susep, o órgão do governo que fiscaliza os seguros, flexibilizou as regras para a proteção de veículos.


“O seguro com peças originais pode continuar sendo oferecido sem problemas, mas também podem ser oferecidos seguros com peças novas não-originais, nacionais e importadas, outras opções que tornem o seguro mais barato. Peças usadas também podem ser utilizadas”, explicou Rafael Scherre, diretor da Susep.


Atualmente, só 30% dos veículos que circulam no Brasil têm seguro. O objetivo é expandir a cobertura para pelo menos metade da frota.


“A expectativa é que pelo menos 10% de redução dos preços do seguro sejam alcançadas”, disse Scherre.


Especialistas apontam uma série de obstáculos no caminho. É fundamental que os Detrans certifiquem a origem das peças usadas para evitar roubos e desvios. Mas poucos estados do país estão prontos para cumprir essa medida.


E a diminuição do preço do seguro também pode não ser tão simples, como alerta o professor Renato Porto, especialista em direito do consumidor.


“Ao longo do tempo, o que vai acabar acontecendo: esse preço vai voltar a ser o que sempre foi, e a apólice de peças originais, provavelmente, o preço vai disparar e o consumidor não vai ter mais condições de fazer o que já fazia".


O engenheiro mecânico Marcelo é daqueles donos de carro que reparam nos menores arranhões. Agora a preocupação aumentou: é um olho no trânsito e o outro no contrato de seguro.


“Agora eu vou ficar muito mais atento nas letras pequenas do contrato para saber o que realmente eles estão oferecendo nessa questão dessas peças, principalmente em peças que impactam na segurança".


Outra norma publicada pela Superintendência de Seguros Privados passou a permitir que os planos de seguro tenham período de vigência de acordo com a conveniência do consumidor. Pode ser menor do que um ano ou intermitente.


Nesse caso, o contrato é interrompido por um tempo e retomado depois, com inclusão e exclusão de coberturas de risco.

 

G1

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