Publicada em 15/09/2019 às 10h42.
Aos 67 anos, morre o cantor Roberto Leal
Cantor lutava contra um cancro há dois anos.

Imagem: Global Imagens

 

Roberto Leal - nome artístico de António Joaquim Fernandes - morreu aos 67 anos. O cantor lutava contra um cancro há dois anos, uma doença que o impedia de andar e lhe afetava a visão. A informação foi avançada por José Cesário, antigo secretário de Estado das Comunidades e da Administração Local, à TSF.


O cantor que nasceu em Macedo de Cavaleiros, e que emigrou para o Brasil ainda criança, estava internado desde quarta-feira, e morreu na madrugada deste domingo. A imprensa brasileira detalha que Roberto Leal estava internado no hospital Samaritano, em São Paulo. 


Relativamente à doença, Roberto Leal explicou em fevereiro deste ano, ao programa 'Sensacional' da RedeTV, que os problemas de saúde começaram quando lhe foi diagnosticada uma hérnia discal, que evoluiu para fortes dores de coluna e nos membros inferiores. 


Devido à pele clara e à excessiva exposição solar a que se sujeitou durante vários anos, Roberto Leal descobriu que sofria, afinal, de cancro de pele. 


Já perante o diagnóstico de cancro, o português foi submetido a três cirurgias e a radioterapia. Ainda durante o tratamento, foi diagnosticado também com cataratas, resultado das sessões de radioterapia, acabando por perder parte da visão do olho direito, conta ainda o meio de comunicação brasileiro.  


Desabafou, na altura, o cantor que teve de lidar com a "descrença" por parte da família. "Muitas pessoas visitavam-me [no hospital] e era fácil perceber que estavam a pensar: 'Este não sai mais daqui'", confessou. 


No período mais difícil da doença sofreu uma infeção hospitalar, chegou a andar de cadeira de rodas e precisou de ajuda para tomar banho. “Lembro-me que quando tomei esse banho chorei de emoção, de tristeza, porque a dor era tanta...Tive uma infeção hospitalar e vi pela primeira vez o meu médico torcer o lábio”, recordou em janeiro no programa ‘Você na TV’, da TVI. 


Apesar de ter de usar uma carreira de rodas para se locomover, Roberto Leal não deixou de cantar e, confessou, muitas vezes foi levado ao colo para conseguir subir ao palco. 


À agência Lusa, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas manifestou que se trata de "uma perda profunda para a comunidade portuguesa, para a que vive no Brasil e mais especificamente em São Paulo". José Luís Carneiro adiantou que Roberto Leal era um reflexo da simbiose entre a música tradicional e popular portuguesas e as várias manifestações culturais existentes no Brasil.


O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas recordou ainda à Lusa uma conversa que teve recentemente com o cantor, que lhe contou o seu percurso de vida. Para José Luís Carneiro, a história de vida de Roberto Leal revela um homem determinado que viveu o preconceito quando chegou ao Brasil, tendo conseguido impor-se.


"Conseguiu afirmar-se pelo seu mérito e trabalho e ganhar respeito da comunidade brasileira e o respeito e admiração de muitos portugueses de diferentes gerações que estão atentos à sua criação cultural e artística", disse.


José Luís Carneiro considera que Roberto Leal é um símbolo de uma geração de portugueses que saíram do país na década de 50 e 60, viveram muitas dificuldades e conseguiram vencer o preconceito tornando-se um exemplo em vários planos.


O secretário de Estado disse ainda ter apresentado as condolências do Governo português à família do cantor, que considera ser "um símbolo para os que passaram as mesmas dificuldades e conseguiram vencer todos os obstáculos".

 

FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO

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