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Imagem: Reprodução/TV Globo
O Parque dos Naufrágios Artificiais de Pernambuco ganha, a partir desta segunda-feira (16), duas novas atrações, com o afundamento de dois navios de pesquisa, em Tamandaré, no Litoral Sul do estado. Os novos integrantes devem atrair mais mergulhadores e várias espécies marinhas.
Os navios Riobaldo e Natureza passaram décadas atuando junto à ciência brasileira e, agora, estão próximos de uma "aposentadoria", no fundo do oceano. Riobaldo é o mais antigo e, com 50 anos de idade, foi construído nos Estados Unidos. Natureza saiu de um estaleiro no Ceará, há 29 anos.
O professor de oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Mauro Maida afirma que foi graças às duas embarcações que os pesquisadores brasileiros puderam descobrir os recursos pesqueiros do litoral nordestino, o que foi uma condição para que o Brasil ampliasse a faixa do mar territorial para 200 milhas.
"Esses navios foram muito importantes na época dos levantamentos da Zona Econômica Exclusiva. Trabalhamos muito em parceria com várias universidades do Nordeste e navegamos para levantar os recursos vivos", afirma Mauro.
Riobaldo e Natureza navegaram até 2003 e, desde então, estavam parados, sem manutenção, corroídos pela ferrugem que tomou conta do casco. Aos poucos, os barcos se transformaram em sucata e uma reforma, nas condições em que estavam, seria inviável.
A saída, mais nobre do que parar no ferro velho, será transformar os navios em recifes artificiais. Uma moradia de luxo para os peixes no fundo do mar e uma atração para os turistas e mergulhadores. Esse foi o destino de outras 14 embarcações que foram afundadas e fazem parte do Parque de Naufrágios Artificiais de Pernambuco.
Em fevereiro de 2017, os quatro últimos rebocadores foram afundados: Bellatrix, Phoenix, São José e Virgo. Eles se juntaram aos 33 pontos de mergulho que transformaram o Recife na capital nacional dos naufrágios. As cores, a beleza e a diversidade das espécies marinhas movimentam o turismo de mergulho no estado.
Segundo o empresário Fernando Clark, o mercado de mergulho cresceu cerca de 30%, em 2019, em relação ao ano passado.
"Muitos argentinos têm vindo ao Brasil para mergulhar. O mercado tem crescido muito e isso é muito interessante. As reservas deste ano, sem o afundamento, cresceram em média 30% em relação ao ano passado. Acontecendo o afundamento desses dois navios, a procura deve aumentar, e muito".
Afundamento
O planejamento para afundar os navios levou quase cinco meses e envolveu representantes da Capitania dos Portos, Polícia Federal, UFPE e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Os navios serão levados a cerca de sete quilômetros de distância da orla e ficarão numa profundidade que varia de 24 a 27 metros. O local escolhido é uma área com fundo de cascalho, onde não vão atrapalhar nem a pesca, nem a navegação. Por precaução, os mastros, de seis metros de altura, foram arrancados.
Os navios serão rebocados até o local e explosivos serão detonados para abrir buracos no casco. Eles devem afundar ao mesmo tempo, durante cerca de 20 minutos. Todo o óleo dos tanques foi retirado e somente as carcaças de ferro irão naufragar, sem os cabos, cordas, madeiras e pneus.
Como os navios devem atrair muita vida marinha, é importante fiscalizar a área para evitar a pesca ilegal. Um radar vai ajudar a monitorar o local em tempo real. Segundo o secretário de Turismo do estado, Rodrigo Novaes, as embarcações estão a caminho da aposentadoria que merecem e continuarão dando alegria ao estado.
"A gente vai poder atrair mais pessoas, aumentar a ocupação hoteleira, e movimentar o comércio, a economia, gerando emprego e renda", afirma.
FONTE: G1