Publicada em 22/09/2019 às 09h18.
Luciano Huck intensifica articulação para ser presidente em 2022
Aliados do apresentador ouvidos pela Folha confirmam que ele "está considerando" a possibilidade, embora a decisão concreta só deva vir mais tarde.

Imagem: reprodu??o do Google


O discurso oficial ? o de que ele est? imerso em uma jornada de busca por conhecimento, mas a express?o "candidato a candidato" passou a ser vista como mais apropriada para o momento atual de Luciano Huck, 48.


O empres?rio e apresentador da TV Globo, que esteve perto de concorrer ao Planalto em 2018, intensificou sua movimenta??o pol?tica nos ?ltimos meses, em sinal de que a candidatura ? uma vontade mais viva do que nunca.


Aliados de Huck ouvidos pela Folha confirmam que ele "est? considerando" a possibilidade, embora a decis?o concreta s? deva vir mais tarde.


Com a prepara??o, ele chegaria a 2022 com a ideia amadurecida, diferentemente do que ocorreu em 2018, quando acabou atropelado por acontecimentos e concluiu prescindir de uma estrutura s?lida o suficiente para encarar uma batalha presidencial.


Gestos recentes, tanto de iniciativa dele quanto de atores externos, indicam estar em curso o surgimento de uma campanha para ocupar o espa?o do centro na sucess?o de Jair Bolsonaro (PSL), que j? disse que deve tentar a reelei??o.


Huck desde 2017 se articula ancorado no seu engajamento em movimentos que pregam renova??o pol?tica. Ele agora estabeleceu um ritmo acelerado de conversas com l?deres pol?ticos e partid?rios, entrevistas ? imprensa, palestras em eventos para formadores de opini?o e apari??es p?blicas para debater temas urgentes, como a crise na Amaz?nia.


A face pol?tica do apresentador do "Caldeir?o do Huck", o programa das tardes de s?bado que ele comanda na Globo h? 19 anos, pode ser acompanhada nas redes sociais. Ele se define nos perfis como "apresentador de TV e curioso".


Ali, diante de seus 48 milh?es de seguidores, posicionamentos de tom mais s?rio dividem espa?o com fotos da mulher, a apresentadora Ang?lica, junto com os tr?s filhos, v?deos de sua atra??o na Globo e selfies com amigos como Neymar.


Nos bastidores, o caldeir?o de Huck tamb?m ferve. Ele passou a aproveitar as muitas viagens para grava??es (chega a visitar tr?s estados por semana) para reuni?es com governantes e influenciadores.


Foi assim, por exemplo, que esteve neste ano com os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e do Paran?, Ratinho Junior (PSD). No encontro com o filho do apresentador Ratinho, Huck estava com Junior Durski, criador do Madero, rede de hamburguerias da qual ? s?cio.


O prefeito de S?o Paulo, Bruno Covas (PSDB), tamb?m esteve no rol dos que sentaram com Huck. H? tr?s meses, o tucano participou de evento no Instituto Criar, ONG fundada em 2003 pelo apresentador.


A lista de interlocutores reflete proximidade com partidos que buscam se posicionar ao centro do espectro pol?tico. Hoje sem filia??o, o comunicador estabeleceu pontes com o Cidadania, antigo PPS (destino mais prov?vel caso efetive a candidatura), o DEM (jantou com o presidente da legenda, ACM Neto) e o PSDB (onde tem a b?n??o de Fernando Henrique Cardoso, h? tempos entusiasta de uma aventura eleitoral sua).


FHC, que costuma ser ouvido por Huck em momentos decisivos, continua reiterando simpatia ? candidatura para a Presid?ncia da Rep?blica.

 

O n?cleo embrion?rio em torno da ideia re?ne figuras experimentadas: Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central (governo FHC); Paulo Hartung, ex-governador do Esp?rito Santo (que passou por PMDB, PSDB, PPS e PSB e hoje est? sem partido); e Roberto Freire, dirigente do Cidadania, disposto a tudo para garantir o "passe" do novato.


Tamb?m orbitam o projeto: o cientista pol?tico Leandro Machado, do Agora!, movimento que o apresentador integra desde 2017 e que formula pol?ticas p?blicas; e o empres?rio Eduardo Mufarej, que teve a ajuda de Huck para fundar o RenovaBR, curso para novos pol?ticos que depende de doa??es privadas e se diz suprapartid?rio.


Atuando como assessores informais, eles se encarregam de dar conselhos ao apresentador e de aproxim?-lo de potenciais aliados, tanto no ambiente pol?tico quanto no meio empresarial e no setor n?o governamental.


Nessa mesma toada, Huck adota publicamente um discurso de concilia??o e respeito ?s diferen?as. H? alguns dias, em um semin?rio promovido pela revista Exame em S?o Paulo, disse ser uma pessoa "com a cabe?a aberta", avessa ? l?gica de polariza??o.


? esquerda, contudo, ele direcionou ataques desde o segundo turno da elei??o de 2018. Quando a disputa estava entre Bolsonaro e o petista Fernando Haddad, Huck falou: "No PT eu nunca votei e jamais vou votar. Isso ? fato".No imbr?glio entre Tabata Amaral e a c?pula do PDT de Ciro Gomes, o apresentador ficou do lado da deputada federal, eleita com o apoio da escola de pol?ticos RenovaBR, uma das organiza??es de renova??o que ele apadrinha.


No mesmo evento da Exame, no qual deixou na plateia a impress?o de j? falar como presidenci?vel, Huck alfinetou Lula (PT), ao criticar a ret?rica do ex-presidente. "O 'nunca antes na hist?ria deste pa?s' s? foi poss?vel porque antes disso teve um governo que organizou e equilibrou o Estado", afirmou, em alus?o ? gest?o FHC e ao Plano Real.


Na palestra, Huck apresentou ? plateia de executivos um conceito com jeito de slogan de campanha: disse acalentar um "sonho maior" para o Brasil, uma plataforma que envolveria diminui??o da desigualdade, efici?ncia da gest?o e crescimento econ?mico aliado a programas sociais.


O discurso que vem sendo testado pelo apresentador ? uma evolu??o das ideias que difunde desde 2017, quando despontou como prov?vel concorrente ao Planalto. Nas falas, sempre ressaltou a defesa da educa??o e da igualdade de oportunidades.


O "pa?s afetivo" a que ele se refere nas declara??es seria o reflexo de uma vis?o h?brida, nem de direita nem de esquerda, que conciliaria valores liberais na economia com um dedo do Estado em pol?ticas de enfrentamento ? mis?ria.


Ele emerge como "um excelente candidato para derrotar a disjuntiva nefasta entre lulopetismo e bolsonarismo", na opini?o de Freire. "Tem uma boa vis?o do mundo e compreens?o pol?tica dos problemas brasileiros", acrescenta o apoiador.


Enquanto tenta se colocar como algu?m que circula bem da Faria Lima (a avenida do PIB em S?o Paulo) aos grot?es do pa?s (onde entrevista an?nimos para quadros de seu programa), Huck e seus correligion?rios sondam o terreno.E no caminho h? o governador paulista, Jo?o Doria (PSDB), apontado tamb?m como candidato a preencher a lacuna do centro. Ainda que o pleito esteja distante, interlocutores do apresentador j? fazem c?lculos e proje??es de cen?rio. Dizem que ambos t?m pontos fracos e fortes.


Huck tem em suas m?os pesquisas demonstrando que ? conhecido nacionalmente (gra?as a uma carreira de mais de 20 anos na TV) e goza de popularidade da classe A ? E. Numa elei??o, encarnaria a figura de outsider e conseguiria angariar apoio das celebridades de quem ? amigo.


Doria, por outro lado, tem armas competitivas: controla a m?quina do principal estado do pa?s e a estrutura do PSDB, acumula experi?ncia de gest?o, rivaliza ? altura em habilidade de comunica??o e sabe tamb?m manejar o apoio de empres?rios e artistas.


Huck e Doria, n?o por acaso, viraram alvo de ataques de Bolsonaro ?e pelo mesmo motivo. Em agosto, o presidente disse que ambos se aproveitaram da "teta" do BNDES, por terem comprado jatinhos a juros subsidiados pela institui??o.


O apresentador, em resposta, sustentou que a negocia??o foi feita dentro da lei. Depois decidiu se calar sobre o epis?dio, no estilo "quando um n?o quer, dois n?o brigam".


Recentemente, disse a amigos ter ficado com a impress?o de que o esc?ndalo pretendido por Bolsonaro teve efeito passageiro, j? que, nas incurs?es pa?s afora para grava??es, ele n?o ouviu provoca??o ou coment?rio sobre o tema.


O entorno de Huck est? consciente de que pol?micas nas quais ele se envolveu ao longo da vida voltar?o ? tona no contexto de guerra eleitoral. Al?m do jatinho, o grupo antev? advers?rios resgatando a amizade do apresentador com o deputado A?cio Neves (PSDB-MG).


Para isso o posicionamento tamb?m j? est? dado: Huck era, nas palavras de um interlocutor, "amigo de balada" d o tucano, que caiu em desgra?a ap?s a Lava Jato. O apresentador disse que sentiu "enorme tristeza" com o que foi revelado pelas investiga??es e que se decepcionou com A?cio, para quem fez campanha na elei??o presidencial de 2014.


A parte negativa de seu curr?culo tem ainda uma condena??o por dano ambiental em sua casa de Angra dos Reis (RJ), pela qual pagou multa de R$ 40 mil, afirma??es do passado consideradas machistas e a vez em que supostamente estimulou turismo sexual no Brasil durante a Copa de 2014.


Antes de revisitar essas quest?es, ele ter? que resolver sua situa??o na Globo, onde tem contrato at? 2021. Questionada, a emissora n?o comentou o caso espec?fico de Huck, mas disse ter "uma pol?tica interna sobre elei??es ainda mais rigorosa do que a lei".


Segundo a nota, o canal "respeita a liberdade de manifesta??o de pensamento, express?o e informa??o" dos funcion?rios, "mas entende que posicionamento pessoal e profissional n?o podem se misturar". A Globo afirmou que, no per?odo que antecede anos eleitorais, lembra a profissionais de seus quadros "sobre as regras que, entre outras restri??es, impedem que contratados da emissora que desejem se candidatar permane?am no ar em qualquer programa".


Procurado pela Folha de S.Paulo, Huck preferiu o sil?ncio. Sua assessoria informou que ele n?o conseguiria dar entrevista. A primeira das perguntas enviadas a ele era: "O sr. quer ser candidato a presidente da Rep?blica em 2022?"


FONTE: NOT?CIAS AO MINUTO

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