Publicada em 23/09/2019 às 09h14.
Com projeto para filtrar água, brasileira é 1ª a ganhar prêmio da ONU
A ideia do projeto, chamado Aqualuz, surgiu quando Anna Luisa ainda cursava o ensino médio.

Imagem: Divulga??o/ONU


Um filtro que purifica a ?gua usando apenas a luz solar rendeu ? empreendedora social baiana, Anna Luisa, 21 anos, o pr?mio Jovens Campe?es da Terra, da Organiza??o das Na??es Unidas (ONU) Meio Ambiente. ? a primeira vez que uma brasileira recebe o pr?mio.


A ideia do projeto, chamado Aqualuz, surgiu quando Anna Luisa ainda cursava o ensino m?dio, e viu um cartaz do Pr?mio Jovem Cientista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient?fico e Tecnol?gico (CNPq), que tem uma categoria voltada para a etapa escolar. Naquele ano, o tema foi ?gua - Desafios da Sociedade. ?Eu quis pensar em algum projeto para participar que pudesse resolver uma das maiores problem?ticas do Semi?rido?, disse.


Na ?poca, a estudante n?o ganhou a premia??o. Quando ingressou na Universidade Federal da Bahia, no curso de biotecnologia, decidiu tirar a ideia do papel. ?Comecei a conhecer o empreendedorismo e a ver o potencial da ideia?.


O Aqualuz foi desenvolvido junto com outros estudantes da Universidade Federal da Bahia e da Universidade Federal do Cear?. Hoje, distribui ?gua pot?vel para 265 pessoas e alcan?ar? mais 700 ainda neste ano.


Projeto Aqualuz


O Aqualuz funciona da seguinte forma: o filtro purifica a ?gua da chuva coletada por cisternas de ?reas rurais por meio de raios solares e um indicador muda de cor quando o consumo ? seguro. A ?gua ? desinfetada sem o uso de subst?ncias nocivas como o cloro, por exemplo.


Para aqueles que pretendem seguir o caminho da ci?ncia, Anna Luisa tem conselhos. ?Eu diria que o primeiro passo ? come?ar. Muitas pessoas t?m ideias, mas n?o passam para a execu??o. Um fator que faz as pessoas desistirem ? errar, achar que n?o vai dar certo. Isso ? super normal, o Aqualuz est? na vers?o 10, o que significa que erramos em pelo menos nove vers?es at? chegar a um modelo funcional?.


O pr?mio ser? entregue a Anna Luisa e outros seis vencedores durante a 74? Sess?o da Assembleia Geral da ONU, em 26 de setembro, em Nova York.


Jovens Campe?es da Terra


O pr?mio Jovens Campe?es da Terra ? inspirado no pr?mio Campe?es da Terra, que ? o principal pr?mio da ONU para pessoas cujas a??es tiveram um impacto positivo e transformador no meio ambiente. Criado em 2017, o pr?mio ? voltado para jovens de 18 a 30 anos.


Neste ano, cada jovem vencedor receber? 15 mil d?lares em capital para investir em seu projeto e US$ 9 mil para investimento em comunica??o e marketing, al?m de mentorias e convites para participa??o em eventos globais.


O Brasil nunca havia sido destaque na premia??o at? este ano. Em 2019, das quase mil inscri??es recebidas em todo o mundo, 158 foram do Brasil. Al?m de Anna Luisa, tr?s jovens brasileiros est?o entre os 35 finalistas globais.


De acordo com a representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, Denise Ham?, a inten??o ? atrair cada vez mais jovens para o pr?mio, estimulando que desenvolvam projetos voltados para o meio ambiente. ?Os jovens, muitas vezes est?o conectados com tecnologias e est?o vendo problemas que s?o absolutamente invis?veis para todo mundo, mas que eles percebem?, disse.


Sobre as iniciativas contempladas na premia??o, Denise afirmou que s?o multifacetadas, com elementos de mudan?a clim?tica, envolvimento das comunidades, s?o aplic?veis e s?o replic?veis, s?o de baixo custo, simples. "O que a gente percebe ? que as mudan?as n?o precisam ser complicadas. Uma ideia simples pode achar solu??es impressionantes?, afirmou.


Brasileiros finalistas


B?rbara Schorchit ? formada em engenharia qu?mica, e natural do Rio de Janeiro. Ela fundou a empresa Genecoin, que utiliza tecnologias de blockchain - tecnologia por tr?s, por exemplo, das chamadas criptomoedas como o Bitcoin - para rastrear o uso da biodiversidade em toda a cadeia de valor de um produto.


Bernardo Andrade ? cearense, formado em arquitetura e desenvolveu o projeto Casa do Semin?rido, que oferece um modelo de arquitetura e engenharia domiciliar sustent?vel para lidar com a falta de ?gua e o calor intenso da regi?o. O projeto tem custo acess?vel, trabalha com economia circular, reciclagem e adapta??o a mudan?as do clima.


Felipe Villela ? natural do Rio Grande do Sul, formado em agricultura sustent?vel. Ele fundou a empresa ReNature, que utiliza t?cnicas agroflorestais para enfrentar desafios do desmatamento, degrada??o dos solos e recursos h?dricos, inefic?cia econ?mica e aumento de emiss?es causados por pr?ticas agr?colas insustent?veis. A empresa aproxima especialistas e produtores.


FONTE: FOLHA PE 

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