
Imagem: Divulga??o
Uma imagem de sat?lite que registra suposto navio na costa pernambucana no in?cio deste m?s pode ajudar a desvendar a origem da mancha de ?leo que atingiu pelo menos 105 locais de 46 munic?pios em oito estados nordestinos nos ?ltimos 25 dias.
O grupo que analisa o caso, composto por ?rg?os ambientais estaduais e federais e pela UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) e UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), identificou um ponto em alto mar com uma mancha ao lado.
Ainda n?o h? resultado conclusivo. A grande dificuldade ? a qualidade da imagem, que foi aproximada para se analisar ponto a ponto.
Eduardo Elvino, diretor de controle de fontes poluidoras da CPRH (Ag?ncia Pernambucana de Meio Ambiente) que estuda o problema desde o in?cio em parceria com a UFPE e UFRPE, diz que as imagens s?o distorcidas e, por isso, a an?lise ? bastante dificultada.
"Imagine que temos quase uma cor s?. Por isso, a gente est? analisando pixel a pixel (ponto a ponto). Identificamos um ponto, que seria um suposto navio, e estamos trabalhando para saber a densidade desta mancha", disse.
Elvino informou que n?o h?, at? o momento, detalhes sobre a poss?vel embarca??o. Ainda n?o tem como precisar a dist?ncia entre o ponto que est? sendo analisado e a costa pernambucana. Ele disse tamb?m, sem especificar a quantidade, que, na imagem, aparecem v?rios navios que ser?o analisados posteriormente.
Marcus Silva, professor do departamento de oceanografia da UFPE, que tamb?m trabalha no grupo de investiga??o do problema, declarou que, pela quantidade de ?leo descartada, ? preciso an?lise muito detalhada para saber se o material teve origem na mesma fonte.
Ele afirma, de maneira preliminar, que existe coincid?ncia entre o tempo de sa?da do ?leo com o per?odo em contato com a ?gua e posterior chegada ? areia da praia.
"Mas h? um volume bastante expressivo, que s? fomos percebendo com o passar do tempo. Uma lavagem de um tanque de um ?nico navio, por exemplo, n?o produz essa quantidade de material", afirma.
O professor diz que, no momento, ainda n?o ? poss?vel cravar o que realmente aconteceu. Atesta apenas que a origem ? marinha e que o sistema de ventos est? distribuindo o material.
Marcus Silva declara que tamb?m investiga imagens dos mapas de vento para construir um padr?o de circula??o superficial capaz de espalhar um grande volume de ?leo, como foi identificado.
"? um quebra-cabe?a. Pego o mapa de vento e a imagem de sat?lite para construir esse padr?o. O tempo de chegada na costa vai dar um hist?rico para apontar h? quanto tempo isso est? viajando", declara.
Ao contr?rio do que a CPRH informou na quinta-feira (26), a mancha de ?leo avan?a aproximadamente 10 cent?metros em um segundo.
Os primeiros materiais come?aram a aparecer nas praias nordestinas no dia 2 de setembro em oito estados: Maranh?o, Piau?, Cear?, Rio Grande do Norte, Para?ba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Na regi?o, s? o estado da Bahia n?o foi atingido.
Relat?rio do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov?veis) aponta entre as praias afetadas alguns dos destinos tur?sticos mais famosos do Nordeste, como Pipa e Natal (RN), Carneiros, Porto de Galinhas e Boa Viagem (PE), e Jo?o Pessoa (PB).
A an?lise das amostras do ?leo feitas pela Petrobras e pela Marinha revelou que a subst?ncia ? petr?leo e n?o ? de origem brasileira.
A fauna tamb?m foi afetada. Em quatro estados, foram encontradas mortas seis tartarugas marinhas e uma ave (Bobo-pequeno). Outras duas tartarugas foram resgatadas com vida.
De acordo com a CPRH, as manchas n?o seguir?o, necessariamente, para a Bahia e o Sudeste. A tend?ncia ? que o ?leo siga para o norte do pa?s.
O Ibama orienta que banhistas e pescadores n?o entrem em contato com o ?leo e que, se identificarem o material, notifiquem a prefeitura. Caso cidad?os encontrem animais com ?leo, devem acionar ?rg?os ambientais. Esses animais n?o devem ser lavados e devolvidos ao mar.
Na manh? da quarta (25), as manchas chegaram a Sergipe. A praia de Ponta dos Mangues, no munic?pio de Pacatuba, amanheceu coberta pelo material.
A ?rea atingida fica perto da reserva biol?gica de Santa Isabel, na cidade litor?nea de Pirambu. Essa unidade de conserva??o ? dos principais pontos do projeto Tamar, executado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva??o da Biodiversidade) que atua na preserva??o de esp?cies de tartarugas-marinhas amea?adas de extin??o.
A dermatologista Alessandra Romiti, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que o contato de banhistas e pescadores com o ?leo pode causar irrita??es na pele e alergias.
"Os dois principais riscos para a pele s?o a rea??o al?rgica, que pode gerar coceira e vermelhid?o e a forma??o de acnes de oclus?o, ou seja, acnes geradas pelo excesso de ?leo na pele, similar a quando se passa produtos oleosos demais como os protetores solares".
Romiti destaca que se deve tomar cuidado com a regi?o dos olhos, nariz e boca. Ela orienta que, em caso de contato com o material e eventual irrita??o na pele, deve-se procurar um dermatologista para o tratamento, que varia do uso de pomadas e sabonetes espec?ficos ? prescri??o de rem?dios de ingest?o oral.
Em nota, o Ibama corrobora a vers?o da dermatologista e acrescenta que o petr?leo cru "pode conter compostos considerados cancer?genos".
FONTE: FOLHA PE