Publicada em 06/08/2020 às 08h07.
Garimpeiros ilegais fecham aeroporto durante visita de ministro ao Pará
O ministro foi à região para acompanhar uma operação do Ibama.


Foto: Romero Cunha/VPR


O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, enfrentou nesta quarta-feira (5) um protesto de garimpeiros durante visita à Jacareacanga (PA), a 1.695 km de Belém. Ele foi à região para acompanhar uma operação do Ibama contra garimpos ilegais de ouro na Terra Indígena (TI) Munduruku.


Imagens distribuídas em redes sociais mostram garimpeiros não indígenas e mundurucus fechando a pista do aeroporto de Jacareacanga, após a saída de Salles, que foi à região acompanhado de um grupo de jornalistas.


Um dos garimpeiros gravou um vídeo diante de um avião da Força Aérea em que diz que "o garimpeiro é que faz as coisas pelos indígenas aqui". Segundo levantamento da ONG Greenpeace, a região do Alto Tapajós, onde está a TI Munduruku, concentra 60% da destruição provocada pelo garimpo em toda a Amazônia ao longo dos últimos 12 meses.


A atividade ilegal é feita por meio de PCs (retroescavadeiras), que rapidamente destroem os igarapés e rios da região, devastando as margens, despejando toneladas de resíduos e alterando os cursos d'água.


A operação realizada nesta quarta já era de conhecimento dos garimpeiros ao menos desde domingo, quando sites da região relataram a chegada a Jacareacanga de militares que fazem o combate a crimes ambientais por meio da Operação Verde Brasil 2, em conjunto com o Ibama.


Para o Greenpeace, o aumento do garimpo ilegal na região está relacionado às promessas do presidente Jair Bolsonaro de legalizar a atividade em terras indígenas.


"Além de estar intimamente ligado ao claro processo de desmonte da política ambiental brasileira, o 'liberou geral do garimpo está profundamente associado ao desejo do presidente em abrir as terras indígenas à mineração e ao garimpo, que já foi alvo de ação institucionalizada por meio do PL 191, enviado pelo Executivo em fevereiro deste ano, num flagrante desrespeito à Constituição de 1988, ao desejo de proteção das terras indígenas já expressado pela ampla maioria da sociedade brasileira e ao direito dos povos indígenas à consulta livre, prévia e informada", diz o Greenpeace, em nota.


A reportagem procurou Salles questionando a estratégia do Ibama na TI Munduruku, mas não houve resposta até a conclusão deste texto.



FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM,BR

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