Publicada em 19/08/2020 às 08h32.
Anunciante não quer financiar ódio, diz criador de boicote ao Facebook
Diversas empresas desistiram de anunciar no Facebook por conta da propagação do discurso de ódio na rede.

Imagem: NewsTrack / Divulgação 


Anunciantes mostraram que não querem seus dólares subsidiando insultos, intimidação e estereótipos. Também não querem sua verba de marketing financiando discursos de ódio.


Essa é a visão de Jonathan Greenblatt, presidente da Liga Anti-Difamação (ADL, na sigla em inglês), centenária organização judaica e uma das principais entidades de combate ao preconceito nos EUA.


Foi a ADL que idealizou a iniciativa "Stop Hate for Profit" (parem o ódio com fins lucrativos), que convoca empresas a pararem de anunciar no Facebook por um mês, em protesto à inação da plataforma em relação a discurso de ódio. Mais de 1.200 empresas aderiram, entre as quais Disney, Coca-Cola e Unilever.


"Todas essas empresas não querem que seu dinheiro financie conteúdo que demoniza e difama pessoas por causa da origem delas, da maneira como rezam ou devido às pessoas que amam", diz Greenblatt.


Ele afirma que a ADL planeja diversas outras ações nos próximos meses. Ainda assim, afirma acreditar que apenas a mobilização da sociedade civil e a pressão econômica dos anunciantes não são suficientes para fazer empresas como o Facebook mudarem de comportamento.


"O governo poderia tanto adotar medidas antitruste quanto rever a seção 230 [legislação que exime plataformas de responsabilidade por postagens de terceiros]".


Greenblatt participa de uma live na terça-feira (18) sobre o "Stop Hate for Profit", promovida pelo Instituto Brasil-Israel, a Confederação israelita do Brasil (Conib) e a ADL.


Pergunta - Quais são os principais tipo de discurso de ódio que circulam pelo Facebook e como vocês monitoram as postagens?


Jonathan Greenblatt - A Liga Anti-Difamação é a mais antiga organização de combate ao ódio no mundo. Na [segunda-feira, dia 17] fez 107 anos do linchamento de um homem judeu que catalisou o nascimento da Liga. Há gerações monitoramos ódio no mundo real e, mais recentemente, o ódio online. Discurso de ódio é um problema em toda a internet: em vídeos online, plataformas de videogames e blogs.


Mas é nas redes sociais em que ele é mais frequente e tem o maior alcance, porque as redes reconfiguraram a forma pela qual nós obtemos informações, como nos conectamos a outras pessoas, fazemos compras, tudo. E é no Facebook que o assédio e o ódio online ocorrem mais frequentemente.


No início do ano, publicamos um levantamento sobre a experiência de internautas com ódio e assédio –dos usuários que relatam ter sofrido assédio, 77% afirmam que ocorreu no Facebook. Discurso de ódio, que inclui ataques e intimidação, normalmente contém racismo, antissemitismo, xenofobia e aparece de diversas maneiras, em palavras, memes e vídeos.


FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO 

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