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Imagem: Reprodução/Google
Faz pouco tempo que o Brasil começou a monitorar e relatar casos da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), quadro potencialmente grave que afeta crianças e adolescentes e pode estar relacionado à covid-19. Por enquanto, pouco se sabe sobre esse quadro clínico, que apresenta diversos sintomas, atinge vários órgãos do corpo e, se não tratado correta e precocemente, pode matar.
Para entender o que já se sabe a respeito da SIM-P, a reportagem conversou com Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), e Saulo Duarte Passos, médico e professor titular de pediatria da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Confira a seguir.
Descrita como síndrome inflamatória multissistêmica (SIM-P), o quadro clínico é, possivelmente, uma reação grave e tardia à infecção pelo novo coronavírus. A condição pode afetar crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, mas há Estados brasileiros que monitoram o quadro até 21 anos.
Os primeiros relatos foram registrados em países da Europa no final de abril, quando os serviços de saúde do Reino Unido e da França reportaram alguns casos. No começo de maio, foi noticiado um número de 15 crianças hospitalizadas em Nova York (EUA). Mais recentemente, começaram a ter registros no Brasil. Hoje, estima-se que haja mais de 300 casos em todo o mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde publicou nota de alerta sobre a síndrome em maio e passou a fazer o monitoramento em julho.
Geralmente, a febre é o primeiro indício da condição, que pode estar acompanhada de dor no corpo, fraqueza muscular, dor de garganta, de cabeça e abdominal, além de diferentes manifestações gastrointestinais. E como o próprio nome diz, a síndrome é multissistêmica é pode afetar vários órgãos e sistemas do organismo, como coração e sistema nervoso central.
Há, ainda, relatos de conjuntivite e manchas ou erupções vermelhas na pele. "Isso vai progredindo e algumas crianças evoluem para choque, que é condição de maior preocupação e gravidade, além da hospitalização que motiva entrada em UTI", diz Sáfadi.
Por enquanto, as evidências científicas são inconclusivas quanto a uma relação de causa e efeito entre a covid-19 e a SIM-P. Sabe-se, porém, que a maioria das crianças e adolescentes identificada com a síndrome foi infectada pelo novo coronavírus. Até o momento, fala-se em possível relação temporal, porque a condição clínica surge algumas semanas após um quadro de covid-19, mesmo que tenha evoluído bem.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.