
Imagem: Leo Malafaia/Folha de Pernambuco
Um tema polêmico e ainda muito discutido na área médica trata da relação entre o colesterol e a mortalidade por doenças cardiovasculares. Ligação amplamente aceita há décadas pela população. No entanto, o olhar mais recente dá conta de que emergências, como o infarto, estão ligadas a fatores ainda mais específicos do que se imagina, sendo um deles o consumo excessivo de óleos vegetais.
Esses óleos podem ser de canola, milho, soja e até farinha branca, que irritam diretamente os vasos sanguíneos. Quando isso acontece, poucas pessoas sabem, mas a substância de cura natural do corpo para reparar o dano é o colesterol. Sendo assim, “as doenças cardíacas não são causadas por gorduras animais que chamamos de gorduras saturadas, nem o colesterol, mas sim, uma série de fatores inerentes às dietas modernas”, diz o médico Humberto Arruda, especialista em Medicina Preventiva.
A tal gordura em questão é um álcool de alto peso molecular produzido no fígado e na maioria das células humanas. Como as gorduras saturadas, sua produção pelo corpo humano atende necessidades vitais. Ainda de acordo com o especialista, junto com as gorduras saturadas, o colesterol na membrana das células dá rigidez e estabilidade necessária. “Quando a dieta contém um excesso de ácidos graxos poli-insaturados, ou seja, óleos de milho, soja e de canola, elas substituem os ácidos graxos saturados na membrana celular de modo que as paredes celulares ficam realmente flácidas”, esclarece.
É nessa hora que o colesterol do sangue vai para os tecidos com a finalidade de dar integridade estrutural. “É por isso que os níveis de colesterol sérico (total) podem cair temporariamente quando trocamos as gorduras saturadas por óleos poli-insaturados na dieta, como já falamos antes”, completa Arruda, lembrando que este é precursor de vários hormônios, como os que ajudam a lidar com o estresse.
POR OUTRO LADO
Segundo o nutrólogo Jêmede Valença, não se pode negar que quem tem colesterol alterado terá maior tendência para as doenças cardiovasculares. Segundo o especialista, a polêmica sobre o assunto passa por: uma alimentação rica em colesterol aumentará o meu colesterol?
“Não necessariamente. A história de que deveríamos evitar ovo, por exemplo, não determina o metabolismo. Porque 80% do meu colesterol é sintetizado no fígado. Somente 20% ou menos terá relação com a dieta, então essa produção hepática maior de colesterol em algumas pode ter combinação genética como também sofrer alterações por circunstâncias metabólicas, como obesidade e alimentação rica em açúcar”, explica.
FONTE: FOLHA PE.