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Foto: Alba Valéria Mendonça / G1 Rio
Na
denúncia contra Eduardo Paes (DEM), aceita pela Justiça Eleitoral nesta
terça-feira (8), o Ministério Público Eleitoral acusa o o ex-prefeito do Rio de
receber R$ 10,8 milhões em vantagens indevidas da Odebrecht via caixa 2.
Os
procuradores sustentam que os pagamentos financiaram a campanha eleitoral de
reeleição à Prefeitura do Rio em 2012.
De
acordo com as investigações, entre os dias 4 de junho e 19 de setembro de 2012
Paes recebeu R$ 10,8 milhões das mãos de Benedicto Barbosa da Silva Junior e de
Leandro Andrade Azevedo, executivos do Grupo Odebrecht.
O
MP afirma que o dinheiro não foi para Paes diretamente.
"Renato
Barbosa Rodrigues Pereira e de Eduardo Bandeira Villela, sócios da Prole
Serviços de Propaganda, receberam sucessivas entregas de dinheiro em espécie,
visando a custear, de forma dissimulada, a campanha eleitoral em que o então
prefeito buscava sua reeleição", diz a denúncia.
Ainda
segundo o MP, o deputado federal e então chefe da Casa Civil do Rio Pedro
Paulo, coordenador da campanha eleitoral de Eduardo Paes, “embora plenamente
ciente da natureza ilícita dos pagamentos recebidos, encarregou-se de gerenciar
o recebimento da vantagem indevida, especificando a forma como seria destinada
e indicando os responsáveis por sua arrecadação”.
Pedro
Paulo, assim como Paes, é réu na ação.
Mandado de busca
O
apartamento de Paes, em São Conrado, Zona Sul, foi alvo de um mandado de busca
e apreensão expedido pelo juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau, da 204ª
Zona Eleitoral.
Itabaiana
também aceitou uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e
tornou Paes e outros quatro investigados réus por crimes de corrupção,
falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
O que dizem os réus
Paes
afirmou que a busca em sua casa nesta terça-feira (8) foi "uma tentativa
clara de interferência do processo eleitoral".
"Às
vésperas das eleições para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes está indignado que
tenha sido alvo de uma ação de busca e apreensão numa tentativa clara de
interferência do processo eleitoral -- da mesma forma que ocorreu em 2018 nas
eleições para o governo do estado", disse o ex-prefeito.
"A
defesa sequer teve acesso aos termos da denúncia e assim que tiver detalhes do
processo irá se pronunciar", emendou a nota de defesa de Paes.
Pedro
Paulo apontou "uso político de instrumentos da Justiça para interferir na
eleição".
"Não
nos intimidarão. Ao ter acesso o conteúdo da denúncia, farei a minha defesa no
processo", afirmou.
Também
foram denunciados Benedicto Barbosa da Silva Junior, ex-executivo da Odebrecht;
Renato Barbosa Rodrigues Pereira, marqueteiro de Paes; e Eduardo Bandeira
Villela, sócio de Renato.
A aceitação
da denúncia pela Justiça Eleitoral não impede Paes de concorrer à Prefeitura do
Rio nas eleições deste ano – a candidatura do ex-prefeito foi oficializada na
semana passada. Para se tornar inelegível, uma pessoa tem que ser condenada em
segunda instância.
Agentes do MPRJ estiveram na casa de Paes e, por volta das 7h30, saíram com documentos.
FONTE:
G1