Publicada em 17/01/2023 às 08h18.
Medida entrou na reforma administrativa da nova gestão do Governo do Estado e deve ser ampliada por mais dois anos.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Folha-PE.
Será votada hoje na Assembleia Legislativa de
Pernambuco (Alepe) a prorrogação do Fundo Estadual de
Equilíbrio Fiscal (FEEF), por meio do Projeto de Lei Ordinária no 3.842/2023. A
medida - assegurada que não seria prorrogada pela governadora Raquel Lyra
(PSDB) durante a campanha - entrou na reforma administrativa da
gestora para valer por mais dois anos.
A prorrogação, no entanto, é contestada por advogados
tributaristas do Estado, alegando que pode evitar a chegada de novos
investimentos no Estado.
A votação acontecerá em duas sessões, uma pela manhã, quando as
comissões apreciam os projetos de lei, e a tarde, o tema será discutido e
votado pelos deputados.
Fundo para manter equilíbrio
O FEEF surgiu a partir do Convênio ICMS 42/2016, firmado entre os estados
que autorizou a criação de condições de validade de seus benefícios, sejam eles
fiscais, financeiro-fiscais ou simplesmente financeiros, a um depósito em fundo
especialmente instituído com o objetivo emergencial de manutenção do equilíbrio
fiscal. Em 2016, quando criado, a medida determinava que os estados captassem
um décimo dos incentivos fiscais que haviam aprovado para captar novos
empreendimentos ou ampliar os já existentes.
O Fundo foi criado para atuar no período de 1º de agosto de 2016 a 2020, e
depois foi estendido para 31 de dezembro de 2022. Setores contestam ampliação.
Apesar da sugestão, a categoria tributária não se mostrou favorável à
ampliação. O Instituto dos Advogados do Estado de Pernambuco (IAP) emitiu
uma nota, alegando a necessidade de não ampliar o fundo.
Segundo o advogado tributarista Walter Manzi, membro do IAP e Presidente
da Comissão de Direito Tributário, a medida pode acarretar em tornar o Estado
menos competitivo. “As empresas com os benefícios aprovados não contavam
com isso, já que quando atrai se faz um projeto para captar o incentivo, e
depois vem um adicional de 10% em cima dele, é como se tivesse que ser
devolvido. Toda questão judicial diz que ele é ilegal e inconstitucional, e, no
argumento extrajurídico, ele afasta a atração de empresas”, disse.
Manzi explica ainda que os programas de incentivo são válidos para a atração de
novos empreendimentos, e uma prorrogação do FEEF pode acabar impactando o
consumidor final. “Para ter o benefício é dentro do que produz, sempre na nova
produção, então os programas estimulam o estado e a competitividade. Quem já
está instalado tinha feito uma conta de que seria encerrado, prorrogando gera
custo a mais com as empresas e o consumidor final é onerado porque tem produtos
mais caros”, contou.
O advogado tributarista Gustavo Ventura, aponta ainda que a prorrogação do
fundo pode causar uma instabilidade no equilíbrio fiscal. “A questão do equilíbrio
deve passar sem restabelecer esse fundo porque ele traz instabilidade, acaba
afastando investimentos, traz reflexos caso não cumpra os incentivos”,
declarou.
Já o Centro das Indústrias de Pernambuco (Ciepe) e a Federação das
Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) sugerem ampliar o FEEF por um
ano. “As entidades industriais de Pernambuco se posicionam contra os aumentos
de impostos e a prorrogação do Fundo. Contudo, diante do caso de emergência
exposto pela equipe econômica do governo, a FIEPE e o CIEPE compreendem as
justificativas para uma prorrogação pelo prazo máximo de um ano”, afirmaram as
entidades em nota.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.
Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.