Publicada em 23/01/2023 às 11h10.
Arábia Saudita recorre ao futebol para limpar imagem em campanha para sediar a Copa
Como trunfo, os sauditas estão dispostos a organizar eventos esportivos internacionais e a atrair estrelas do futebol mundial. Para isso, contam com recursos do Fund Investiment Public, fundo que pertence à família real e tem patrimônio estimado em R$ 2,5 trilhões.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Notícias ao Minuto.
Empenhada em receber a Copa do Mundo de 2030, a Arábia
Saudita conduz uma agenda para limpar a sua imagem, abalada em meio a acusações
de violações dos direitos humanos e truculência por parte de seu governo.
Como trunfo, os sauditas estão dispostos a organizar eventos esportivos
internacionais e a atrair estrelas do futebol mundial. Para isso, contam com
recursos do Fund Investiment Public, fundo que pertence à família real e tem
patrimônio estimado em R$ 2,5 trilhões.
O português Cristiano Ronaldo, contratado pelo Al Nassr com salário anual de R$
1 bilhão, puxará essa fila, acreditam os sauditas. Durante a passagem do Paris
Saint-Germain em Riad para um amistoso, foram repetidos boatos entre torcedores
e jornalistas árabes sobre uma eventual contratação de Lionel Messi.
O repórter argentino Miguel Osovi, convidado pela organização para acompanhar a
partida, teve que responder sobre o destino de Messi.
Riad recebeu, entre domingo (15) e quinta-feira (19), as decisões das
Supercopas da Espanha (Barcelona 3 a 1 sobre o Real Madrid) e da Itália
(Internazionale 3 a 0 sobre o Milan), além da vitória do PSG por 5 a 4 sobre o
combinado Al Nassr/Al Hilal. O amistoso ganhou grande repercussão por causa do
duelo entre Cristiano e Messi.
O saldo da Copa do Mundo no Qatar animou ainda mais os árabes. O evento
esportivo mais popular da Terra colocou Doha, com menos de 3 milhões de
habitantes, no centro do mundo por um mês.
Com uma decisão de título empolgante, a competição maquiou denúncias de suborno
e de abusos aos direitos humanos. Muitos trabalhadores migrantes contratados
para construir as instalações do Mundial foram feridos e mortos nas obras.
"As pessoas aqui, na Arábia, amam o futebol, e a realização de uma Copa
traz uma publicidade muito positiva para o país. Olha o exemplo do Qatar",
disse Bassam Harram, que nasceu na Síria e há sete anos mora em Riad.
Antes mesmo de a bola rolar em Doha, os sauditas vislumbravam no futebol esse
efeito de maquiagem.
Tido como um dos líderes mundiais mais repressores, o príncipe Mohammad bin
Salman encabeça um plano, batizado de "Visão 2030", para fomentar o
turismo e atrair multinacionais à Arábia Saudita.
O país tem oferecido às empresas estrangeiras subsídios financeiros e suporte
para treinamento de recursos humanos. Há um anseio entre os sauditas de reduzir
a dependência do petróleo, que hoje representa quase 70% de suas receitas, e
diversificar a economia.
Na Copa em Doha, Salman, chefe de fato da nação, esteve acompanhado de uma
comitiva e se sentou ao lado de Gianni Infantino, presidente da Fifa (Federação
Internacional de Futebol).
A sede do Mundial em 2030 será definida pela Fifa até o ano que vem. Até o
momento, há pretensões de uma candidatura conjunta de Argentina, Chile,
Paraguai e Uruguai, assim como uma dividida entre Espanha, Portugal e Ucrânia a competição de 2026 terá jogos no Canadá, nos Estados Unidos e no México.
A candidatura da Arábia Saudita pode seguir o modelo compartilhado e incluir
Egito e Grécia.
Enquanto isso, o país do Golfo Pérsico vem comendo pela beiradas em outras
modalidades. Estreou no circuito da F1 em 2021 e receberá os Jogos Asiáticos de
Inverno de 2029.
No futebol, os sauditas se esforçam para fazer a lição de casa. Após o Mundial
da Rússia em 2018, a Federação de Futebol da Arábia Saudita passou a oferecer
bolsas para crianças e jovens treinarem por quatro anos na Espanha.
O acesso do público feminino aos estádios foi liberado em 2018, mesmo ano em
que as mulheres também ganharam o direito de dirigir. Quatro anos antes, uma
mulher, que comprou ingresso pela internet e entrou disfarçada no estádio, foi
detida durante partida da Liga dos Campeões da Ásia.
Há questões que dificultam o êxito de uma candidatura saudita. Sob a lei
islâmica, as sauditas são obrigadas a vestir a abaya (túnica que cobre o corpo)
e o hijab (véu sobre cabeça e pescoço) para esconder as formas do corpo.
O país ainda é assombrado por execuções. Um levantamento feito pela agência de
notícias AFP, baseado em informações da mídia, aponta que autoridades sauditas
executaram 24 pessoas entre janeiro e outubro do ano passado. As execuções
geralmente se dão por decapitação.
Outra barreira é em relação às bebidas alcoólicas, cuja venda e consumo são
proibidos na Arábia Saudita. Uma das principais patrocinadoras da Fifa e do
Mundial é a marca de cerveja Budweiser.
Isso já foi um problema no Qatar, mas na sede da última Copa a legislação é
mais branda. A cerveja foi vetada nos estádios, porém pôde ser consumida em
estabelecimentos pelo país e nas festas oficiais para torcedores, as Fan Fests.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.
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