Atenção para os detalhes. Falas do técnico Milton Mendes: “Os jogadores costumavam sentar em grupos de quatro, na mesa. Eu dizia que queria todo mundo de frente, um para o outro. Todos juntos”. Durante a preleção, outro pedido: “Sentavam uns atrás dos outros. Mudei isso. Pedi para que todos sentassem de frente, um para o outro, em um grande círculo”. Além de mudança técnica e tática, nesses quase dois meses no Arruda, o fator psicológico dos atletas foi bastante trabalhado pelo treinador coral. Tripé completo, e que tem contribuído para a boa fase da equipe, com dois títulos já garantidos no primeiro semestre, e a surpreendente campanha no início da Série A do Campeonato Brasileiro.
A justificativa para mudanças aparentemente tão pequenas no dia a dia de trabalho dos jogadores é simples. “Tento passar para eles a ideia de que a gente tem de trabalhar olhando nos olhos uns dos outros. E só se consegue alguma coisa sendo puro, honesto, sério e dizendo o que pensa. Só assim se consegue crescer. E esse é o grande segredo nosso. Além do que é feito dentro de campo”, disse Milton Mendes. A sequência de partidas sem derrotas, que contra o Cruzeiro chegou a 17 jogos, acaba dando ao elenco uma outra necessidade: a de se provar. “Nós estamos todos os dias na sala de aula, e toda quarta e domingo é a nossa prova. Temos de mostrar pra todo mundo que estamos cada vez melhores. Porque não se consegue crescer acomodado”, contou.
No dia a dia de treinamentos, novidades também são implementadas pelo técnico tricolor. “Vou contar uma coisa que vocês (jornalistas) não sabem. Quando a gente tem jogo à noite, a gente treina pela manhã também. Desde que chegamos fazemos um trabalho de aprimoramento, um trabalho de agilidade. Ninguém sabia né?!” Vale lembrar que logo em seu segundo trabalho como comandante coral, a movimentação da tarde se estendeu tanto que os refletores do Arruda precisaram ser acessos.
Um dos jogadores que mais cresceram sob o comando de Milton Mendes foi o atacante Grafite. Sob os comandos do ex-treinador Marcelo Martelotte, na temporada 2016, o centroavante fez quatro gols em dez partidas. Com o novo treinador, ele foi às redes adversárias dez vezes em 12 partidas. “Ele pega no pé, ele pega pesado. Quando ele vê alguém que não está concentrado no trabalho ele pega no pé. Ele trabalha muito esse lado nosso. Isso é importante, ter um treinador que cobra bastante, até porque, para nós jogadores, com essa euforia toda que vem de fora às vezes nós nos deixamos levar, mas ele procura já cortar no meio para não ter problemas”, afirma o jogador.
“Lógico que pra fazer o coletivo, utilizamos o individual. Mas quando o individual pensa no coletivo, a equipe fica muito mais forte”, explicou Milton Mendes. “O coletivo realça o individual, mas o individual não realça o coletivo. ‘Sozinho vamos mais rápido, mas unidos vamos muito mais longe’. Temos uma serie de frases que falam sobre o coletivo. E os jogadores têm assimilado o que eu tenho pedido. Isso é fundamental”, finalizou o treinador.
Folha Pe