Publicada em 06/02/2023 às 10h27.
A principal suspeita é que lesões causadas por agressões da mãe e do padrasto resultaram na morte da menina.

Vítima de homicídio, Sophia de Jesus Ocampo / Reprodução: Notícias ao Minuto.
A morte de Sophia de Jesus Ocampo, 2, que aconteceu na
última semana em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, resultou na prisão
preventiva da mãe e do padrasto da menina por homicídio qualificado por motivo
fútil e estupro de vulnerável.
Sophia deu entrada já sem vida na unidade de pronto-atendimento Coronel
Antonino, no centro da capital, em 26 de janeiro.
Estava acompanhada da mãe, a estudante Stephanie de Jesus da Silva, 24, que na
época morava com o companheiro Christian Campoçano Leitheim, 25, padrasto da
criança.
Ao constatarem hematomas e escoriações no corpo da criança, os profissionais de
saúde acionaram a polícia. A principal suspeita é que lesões causadas por
agressões da mãe e do padrasto resultaram na morte da menina.
Responsável pela defesa de Stephanie e de Chistian, a Defensoria Pública foi
procurada neste sábado (4), por meio de sua assessoria de comunicação, mas não
houve resposta aos questionamentos da reportagem.
O laudo da causa morte da criança, divulgado pela Polícia Civil, aponta que ela
sofreu um traumatismo na coluna e foi vítima de violência sexual não recente.
Sophia se dividia entre as casas do pai e da mãe. Separados desde 2021, eles
tinham regime de guarda compartilhada.
O pai, Jean Carlos Ocampo, que vive um casamento homoafetivo com um novo
companheiro, Igor de Andrade, teve as primeiras suspeitas de maus-tratos à
criança na virada entre os anos de 2021 e 2022, quando encontrou lesões no
corpo da filha.
Depois de passar a virada do ano na casa da mãe e do padrasto, Sophia voltou
para a casa do pai com hematomas na perna, escoriações no braço e um ferimento
na orelha.
Na época, ele fotografou as marcas no corpo da menina e foi ao Conselho
Tutelar, onde foi aconselhado a procurar a polícia. Depois, seguiu para a
Delegacia Especializada de Proteção à Criança, onde registrou um boletim de
ocorrência.
Na época, não foi realizado o exame de corpo delito na criança porque o IML
(Instituto Médico-Legal) estava fechado. O caso chegou a ser investigado, mas a
primeira denúncia foi arquivada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Meses depois, em setembro, Sophia estava na casa da mãe quando deu entrada em
uma UPA com um quadro de infecção intestinal e precisou ficar internada.
Durante a internação, constatou-se uma fratura na perna dela.
Na ocasião, a mãe afirmou que a fratura resultara de uma queda da menina no
banheiro. O pai, contudo, mais uma vez suspeitou de possíveis maus-tratos e
acionou novamente o Conselho Tutelar e a Polícia Civil.
Registros de atendimentos da UPA apontam que a criança passou por consultas e
procedimentos ao menos 12 vezes desde outubro, incluindo atendimentos da equipe
ortopédica, até dar entrada pela última vez.
O prontuário médico apontou que a criança deu entrada no hospital em 26 de
janeiro já sem os sinais vitais. Apresentava lesões nos braços, nas costas,
joelho e olho, além de inchaço no ombro esquerdo e na barriga.
Também foi anotado que a vagina e o ânus da criança estavam excessivamente
dilatados, destoando do padrão de normalidade, o que despertou a suspeita de
que teria sido estuprada.
A equipe médica ainda constatou que a criança estava
morta havia ao menos quatro horas, pois apresentava rigidez cadavérica.
Questionada pela equipe médica, a mãe negou que tivesse agredido a filha, mas
disse que Sophia estava sob cuidado do padrasto. E admitiu que Christian
"batia em Sophia com tapas e socos para corrigi-la".
No dia seguinte, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida decretou a prisão da
mãe e do padrasto de Sophia por suspeita de homicídio qualificado por motivo
fútil e estupro de vulnerável.
Na avaliação da advogada Janice Andrade, que atua em favor do pai da criança,
houve omissão sistêmica dos órgãos que deveriam servir como uma rede de
proteção à criança: "A omissão de Estado incentivou a mãe e o padrasto a
aumentarem cada vez mais o grau de violência".
A advogada disse esperar que a mãe e o padrasto sejam punidos com "todas
as qualificadoras" pelos crimes de estupro, tortura e assassinato.
Em depoimento à Polícia Civil, Stephanie afirmou que Sophia estava vomitando
desde o dia anterior, tinha a barriga inchada e que ainda estava viva quando
decidiu levá-la ao médico, em 26 de janeiro.
Ela acrescentou que Chistian agrediu a filha algumas vezes, sendo a última vez
dois dias antes. Mas disse que ficou com medo de denunciá-lo porque ele havia
ameaçado tirar a guarda da sua outra filha, fruto do relacionamento entre os
dois.
FONTE: NOTÍCIA AO MINUTO.
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