Publicada em 17/02/2023 às 10h59.
Lula sobre Campos Neto: se não posso influir para reduzir juros, o que vou conversar?
Ele tem que cuidar da inflação, ele tem que cuidar do crescimento, tem que cuidar do emprego", disse Lula, em entrevista à CNN Brasil.


Presidente Lula vem questionando a taxa de juros que é aplicada no Brasil (reprodução/google)


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou nesta quinta-feira, 16, o que conversaria com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em um eventual encontro se não poderia influir para reduzir a taxa de juros ou falar sobre emprego, mas ponderou que não tem problema em dialogar com quem quer que seja.

"A única coisa que eu quero é que ele cumpra aquilo que está na lei que aprovou a independência do Banco Central. Ele tem que cuidar da inflação, ele tem que cuidar do crescimento, tem que cuidar do emprego", disse Lula, em entrevista à CNN Brasil.


O petista, contudo, apesar de se referir a Campos Neto em diversos momentos, não citou diretamente o nome do chefe da autoridade monetária. Como mostrou o Broadcast Político ontem, aliados fizeram chegar a Lula que é momento de deixar as críticas a Campos Neto com os parlamentares da base e "despersonificar" o ataque aos juros altos.


"Eu acho que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad tem toda a disposição de conversar com o presidente do Banco Central, já conversou várias vezes e vai continuar conversando. Se for necessário o presidente da República conversar com o presidente do Banco Central, sobre alguma coisa que é do interesse do Brasil, eu também não tenho nenhum problema de conversar", afirmou o petista.


"Mas se eu não posso conversar com ele sobre a taxa de juros, se eu não posso influir para reduzir a taxa de juros, se eu não posso conversar com ele sobre emprego, então o que eu vou conversar?", emendou Lula.


O presidente também disse que a "cabeça política" de Campos Neto é diferente da dele e da cabeça dos eleitores que o elegeram, já que o atual presidente do BC foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, com aval do ex-ministro da Economia Paulo Guedes.


"Não cabe ao presidente da República ficar brigando com o presidente do Banco Central. Eu até teria direito, porque ele não é presidente do Banco Central indicado por mim. Ele foi indicado pelo Bolsonaro, ele foi indicado pelo Guedes. Então, significa que a cabeça política dele é muito diferente da minha e da cabeça daqueles que votaram em mim. Mas ele está lá, tem o mandato", declarou Lula.

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