Publicada em 27/02/2023 às 09h57.
A informação foi confirmada ao UOL pelo Ibama e pelo advogado do ex-ministro, Rodrigo Roca. O advogado afirmou que Torres foi multado, mas disse que ele vai recorrer. A multa é de R$ 54 mil, segundo o Ibram (Instituto Brasília Ambiental), que também participou da ação.

Ex-ministro da Justiça,Anderson Torres / Reprodução: Notícias ao Minuto.
O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que está preso
desde janeiro, foi alvo de uma ação do Ibama nesta sexta-feira (24). O órgão
fez busca e apreensão na residência de Torres, em Brasília, em decorrência da
criação ilegal de pássaros silvestres.
A informação foi confirmada ao UOL pelo Ibama e pelo advogado do ex-ministro,
Rodrigo Roca. O advogado afirmou que Torres foi multado, mas disse que ele vai
recorrer. A multa é de R$ 54 mil, segundo o Ibram (Instituto Brasília Ambiental),
que também participou da ação.
Na operação, foram encontradas 60 aves mantidas no criadouro, uma delas com a
pata mutilada. O Ibram informou que nenhuma delas foi apreendida, mas não
informou a razão. Ao UOL, o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que
as inconsistências encontradas no sistema sobre Torres podem indicar a
negociação dos pássaros.
"Uma das coisas que chamou a atenção dos técnicos é que existe um limite
de troca de criadouro de animais. Isso indica
que ele pode estar comercializando essas aves. Tem um limite de aves que podem
ser transacionadas e houve uma movimentação muito maior", disse Agostinho.
A base de dados sobre o cadastro dos pássaros não batia com o que foi
encontrado na casa de Torres. Algumas aves que estão cadastradas no nome dele
não estavam no local. Torres terá que apresentá-las ao Ibama, mas ainda não há
informações sobre o prazo. Agostinho afirmou que, se alguma delas morreu, ele
terá que entregar a anilha ao órgão. O presidente do Ibama não descarta ainda a
apreensão das aves, se for comprovada ilegalidade.
Em nota, o Ibama informou que a atividade foi embargada e notificou o
ex-ministro para que sejam apresentadas informações sobre os animais
registrados no sistema que não foram encontrados no local.
Anderson Torres foi autuado por irregularidades como utilizar animais em
desacordo com a autorização existente, por inserir dados falsos no sistema e
por mutilação. De acordo com o Ibama, a ação foi um desdobramento de
investigação iniciada no ano passado a partir da identificação de informações
inconsistentes no Sispass (Sistema de Controle e Monitoramento da Atividade de
Criação Amadora de Pássaros), como o registro de ave sob responsabilidade de
Torres em nome de outra pessoa.
"As investigações não eram focadas nele. Estamos visitando vários
criadores cadastrados e que apareceram em uma ação de inteligência. E o nome
dele surgiu", afirmou Agostinho. Segundo a investigação, Torres mantinha
uma funcionária para cuidar exclusivamente das gaiolas. Na operação foram
encontradas aves das espécies curió, azulão e bicudo, entre outras. De acordo
com Agostinho, o bicudo está em extinção, apesar de ser possível criá-la
legalmente. Havia ainda um casal de tiê-sangue, que têm cor vermelha.
O ex-ministro está preso desde 14 de janeiro, em Brasília, por suspeita de
omissão e conivência com os ataques golpistas de 8 de janeiro. Na ocasião, ele
era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Durante buscas na casa
de Torres, no mês passado, a PF encontrou uma minuta de um decreto golpista.
O ex-ministro nega as acusações, diz que adotou medidas para prevenir as
invasões ocorridas no ato golpista de 8 de janeiro e que há "total
ausência" de evidências para associá-lo aos ataques. Sobre a minuta, ele
afirmou em depoimento que ela não tem "viabilidade jurídica" e que
não sabe quem foi o autor do texto.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.
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