
Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Folha-PE.
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De acordo com Alexandre Naime Barbosa, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), essa eficácia de 80% é contra casos leves, passando para cerca de 95% em relação a casos graves e mortes.
A demonstração da eficácia da vacina Qdenga tem suporte principalmente nos resultados de um estudo de larga escala, de fase 3 (final), randomizado e controlado por placebo, conduzido em países endêmicos para dengue com o objetivo de avaliar a eficácia, segurança e imunogenicidade da vacina.
Segundo a pediatra Vivian Lee, diretora de Medical Affairs da Takeda no Brasil, os estudos foram feitos ao longo de quatro anos e meio, em mais de 20 mil crianças e adultos em 13 países endêmicos da Ásia e América Latina. Os resultados indicam que a vacina TAK-003 previne 84% das hospitalizações causadas pela doença e evita 61% dos casos de dengue sintomática.
— É uma eficácia excelente, especialmente para formas graves da doença. Era uma necessidade não atendida uma vacina para controle da dengue num país como o nosso, com saneamento básico ineficaz, tantas áreas de enchente, de acúmulo de água, onde controlar mosquito é quase impossível — diz o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
A vacina vai ser oferecida no SUS?
— A gente [da SBI] conversou com o governo de transição e, o que posso dizer, é que com essa equipe do Ministério da Saúde, Conitec e com a nova configuração do PNI, existe um cenário muito mais otimista para que seja implementada no SUS.É lógico que depende de negociação de valores, mas é altamente desejável que seja feito, especialmente para pessoas de maior risco — declara.
Kfouri concorda:
— Incorporar vai depender de custos, de outros dados, como se vamos definir por região, idade, quem vacinar. Mas agora ter essa possibilidade e isso, sem dúvida, vai ser bem discutido lá no Ministério da Saúde e no PNI.
Duas semanas antes, a Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, também aceitou um pedido para aprovação da vacina da Takeda em regime de análise prioritária no país. O imunizante, que já foi liberado na Indonésia, está ainda em avaliação em outras partes da Ásia e da América Latina.
A dengue é uma doença endêmica no Brasil e nos períodos mais chuvosos, como no verão, costumam ocorrer surtos da doença por conta da proliferação dos mosquitos.
Em 2022, o Brasil bateu não apenas o recorde histórico de
maior número de mortes durante um ano, como também ultrapassou pela primeira
vez a marca de mil óbitos no período de 12 meses. Segundo o último boletim
epidemiológico do Ministério da Saúde, foram 1.016 vítimas da doença, 313% a
mais que as 246 registradas no ano anterior, e 3% superior às 986 em 2015, ano
mais letal até então. Outras 109 mortes ainda estão em análise.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.