Publicada em 14/03/2023 às 09h43.
Curso no Recife ensina mulheres cegas e com baixa visão a se maquiarem
Iniciativa, oferecida pelo Instituto de Cegos do Recife, começou depois que consultora aprendeu a se maquiar sozinha.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: G1.


A capacidade de se cuidar e se perceber bonita perante o mundo vai muito além do que os olhos podem ou não captar. É o que mostra um grupo de mulheres cegas ou com baixa visão que participa de um curso para aprender a fazer automaquiagem . A formação, oferecida pelo Instituto de Cegos do Recife, foi idealizada pela consultora de beleza Carolina Lemos, que aprendeu a se maquiar sozinha após perder a visão dos dois olhos aos 26 anos.


Carol deixou de enxergar depois de contrair uma infecção e sofrer uma inflamação nos olhos. A perda da visão veio enquanto ela se recuperava de uma cirurgia de catarata, que se desenvolveu como consequência da doença.


“Eu não queria que as pessoas que me conheceram quando eu enxergava, olhassem pra mim e dissessem: 'Meu Deus, Carolina ficou cega, ela não se arruma mais, não se ajeita!’. Comecei a ver formas de me maquiar sozinha e comecei a tentar. Errei bastante até conseguir", contou.


Segundo Carol, a ideia do curso surgiu a partir de uma conversa com uma amiga.

“Ela disse assim: ‘Carol, quem fez tua maquiagem?’ Aí eu falei: ‘Eu mesma’. E ela: ‘Meu Deus, ficou perfeita. Será que tu conseguias ensinar?’”, recordou.


Entre as alunas do curso, está a pedagoga Rafaela Oliveira. Cega desde os 7 anos, ela é apaixonada por maquiagem, trazendo de casa os produtos que mais gosta de usar.


“Aprendi a utilizar as sombras com os dedos porque, quando fiz o curso pela primeira vez, era on-line. Foi o meu primeiro contato com a maquiagem, porque eu pensava que era impossível aprender a me maquiar", disse.


Etiquetar os produtos


E como saber qual cor e qual produto usar durante a maquiagem? Segundo Carolina Lemos, a melhor forma de fazer isso é etiquetar os produtos.


“Colocar etiquetas em braile, com a cor do batom, [e registrar] se é blush, se é pó, quando a embalagem é igual. A paleta de sombras, a gente decora a ordem e sabe qual é o tom e quais cores combinar e usar. Sem essa organização, não teria como a gente se maquiar”, explicou.


A estudante Rute Ferreira, de 22 anos, não enxerga desde que nasceu. A mãe dela teve rubéola durante a gravidez e a doença acabou afetando a visão da filha. Esta foi a primeira vez que a jovem se maquiou.


“Experiência nova, né? Porque, para a gente que tem deficiência, é tudo novo. Para gente se maquiar, tinha que ter alguma pessoa para dizer os objetos que estavam na frente ou as cores. Estou aprendendo a levar minha vida adiante e dizer que a deficiência não atrapalha em nada. É só tentar e fazer”, comentou.



FONTE: G1.


 

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