Publicada em 17/04/2023 às 08h56.
Deputados querem 'big brother' nas escolas com câmeras, detectores e reconhecimento facial
Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que foram propostos ao menos 102 projetos de lei nas Assembleias Legislativas dos 26 estados e na Câmara Legislativa do Distrito Federal nos últimos 30 dias relacionados à segurança em unidades de ensino.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Notícias ao Minuto.
Os recentes ataques a escolas com mortes em São Paulo e
Santa Catarina resultaram em uma avalanche de projetos de lei pelo país
voltados à segurança das escolas, creches e universidades.
Levantamento da Folha de S.Paulo aponta que foram propostos ao menos 102
projetos de lei nas Assembleias Legislativas dos 26 estados e na Câmara
Legislativa do Distrito Federal nos últimos 30 dias relacionados à segurança em
unidades de ensino.
A maioria dos projetos propõe a instalação de portas giratórias, detectores de
metais, portarias exclusivas, construção de muros altos, revistas em mochilas,
obrigatoriedade de muros altos e até reconhecimento facial para acesso às
unidades de ensino.
Em ao menos cinco estados foram propostos planos mais detalhados, com
procedimentos e protocolos para evitar ataques, que incluem apoio psicológico a
estudantes, envolvimento das famílias e campanhas de conscientização.
Em ao menos quatros estados, projetos de lei já foram aprovados pelos deputados
estaduais nesta semana após uma tramitação relâmpago.
No Acre, deputados aprovaram na última quarta-feira (12), por unanimidade, um
projeto de lei que prevê a instalação de detectores de metais em todas as
escolas estaduais em um prazo de até 180 dias.
No dia anterior, a Assembleia Legislativa de Rondônia seguiu na mesma linha:
definiu a obrigatoriedade de detectores de metais nas escolas e também aprovou
uma proposta que prevê a presença de policial armado, em tempo integral,
durante o horário das aulas.
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais, por sua vez, apostou em medidas que
têm como foco a prevenção e mitigação de atos violentos. O projeto aprovado na
quarta-feira prevê capacitação de alunos, professores e funcionários, além de
incentivar a formação de brigadas de emergência.
Em Sergipe, foi aprovada pela Assembleia uma proposta que garante acesso a
psicólogos e assistentes sociais aos alunos da rede pública estadual.
Em Santa Catarina, onde quatro crianças foram mortas após um ataque a uma
creche em Blumenau em 5 de abril, a iniciativa partiu do Poder Executivo. O
governador Jorginho Mello (PL) anunciou que pretende colocar uma pessoa armada
em cada uma das 1.053 escolas estaduais no prazo de dois meses e ao custo de R$
70 milhões.
A estimativa de gastos é uma exceção. Em geral, as propostas legislativas em
tramitação avançam, em sua maioria, sem estimativa de custos de implantação e
com uma indicação genérica sobre quais seriam as fontes de recursos.
Ao mesmo tempo, abrem uma discussão sobre as prioridades no investimento na
infraestrutura das escolas. Dados do censo escolar de 2021 apontam que 30% das
escolas públicas brasileiras não dispõem de água tratada, 53% não são ligados à
rede de coleta de esgoto e 36% não têm internet em banda larga.
Dos mais de cem projetos relacionados à segurança nas escolas que começaram a
tramitar nas Assembleias Legislativas nos últimos dias, a maioria tem como foco
a instalação de equipamentos de vigilância e contratação de profissionais para
fazerem rondas nas escolas.
São 25 projetos que preveem a instalação de portais com detectores de metais ou
portas giratórias na entrada das escolas, creches ou universidades públicas.
Parte das propostas também prevê inspeção nas mochilas dos estudantes.
Na Bahia, além de um projeto que prevê detectores nas 1.065 escolas da rede
estadual, a Assembleia deve apreciar uma outra proposta que autoriza a inclusão
do reconhecimento facial como forma de acesso nas escolas estaduais.
Autor do projeto, o deputado estadual Hassan (PP) afirma não obriga que o
governo adote sistema em todas as escolas. Mas defende a viabilidade da medida
para auxiliar na segurança das escolas.
"Essa onda de violência está tomando uma proporção que nos preocupa. Como
pai e político, quero ter a tranquilidade de fiz a minha parte. A gente não
pode ficar de braço cruzado esperando que o mal aconteça", diz o deputado,
que admite não ter estimado o custo de implementação a proposta.
No Rio de Janeiro, uma proposta do deputado estadual Rosenverg Reis (MDB)
propõe a instalação de grades ou construção de muros de ao menos 2,5 metros
entorno de escolas públicas e privadas.
Já deputado estadual Yglésio Moyses (PSB-MA) propôs projetos que preveem
vistorias em mochilas, detectores metais, além de uma proposta que obrigas
escolas particulares a contratarem seguranças armados.
"As causas [dos ataques] estão mais relacionadas a fenômenos como o
bullying e os conteúdos violentos em redes sociais. Sei que as propostas são
paliativas, mas é o que o imediatismo Legislativo consegue suprir",
afirma.
Outros 12 projetos de lei propostos preveem a instalação de câmaras de
vigilância e sistemas de videomonitoramento nas unidades de ensino. Iniciativas
de criação de um aplicativo com "botão do pânico" foram propostas em
nove estados.
Deputados de São Paulo, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba, Goiás, Piauí e
Roraima, por outro lado, defendem a contratação de policiais militares para
atuar no policiamento dentro das escolas.
Em ao menos três estados, a proposta é de atuação de policiais em folga na
segurança das unidades de ensino. Em Goiás, o projeto fala em policiais
reformados, repetindo o mesmo modelo de escolas militarizadas adotado nos
últimos anos por estados e municípios.
Conforme apontado pela Folha de S.Paulo, estudos apontam é que o trabalho
policial é essencial na investigação de suspeitos, não na segurança ostensiva.
Segundo especialistas, a prevenção aos ataques é mais eficiente quando ela tem
a participação de professores, funcionários e pais.
O coronel Alan Fernandes, oficial da reserva da Polícia Militar e membro do
Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacou que que o aumento do
policiamento em escolas costuma ser adotada nas primeiras semanas após casos de
grande repercussão como forma de tranquilizar a comunidade.
Com frequência, no entanto, esses programas são encerrados ou sua intensidade
diminui ao longo do tempo, quando pais, professores e alunos deixam de se
queixar dos procedimentos de segurança.
PROJETOS MAIS COMUNS
Detectores de metais: são objetos de 25 projetos de lei
em 5 estados. Deputados sugerem a instalação de portais com detectores nas
portas das escolhas ou portas do tipo giratória, semelhante a utilizada nos
bancosProgramas Preventivos de Segurança: 14 projetos em 10 estados têm escopo
mais amplo e preveem diferentes ações de monitoramento para evitar episódios de
violência e com protocolos a serem seguidos em casos de ataques em
escolas.
Videomonitoramento: 12 projetos de lei em 9 estados propõem a instalação
de sistemas de vigilância em unidades de ensino, com a instalação de câmeras de
segurança, monitoramento e armazenamento de imagensPolícia nas escolas: 9
projetos de lei em 7 estados propõem policiamento dentro das escolas. Em três
estados, a proposta é de atuação de policiais em folga na segurança das
unidades de ensino. Também há um projeto que prevê a contratação de policiais
reformados.
Botão do pânico: 9 projetos em 7 estados preveem a implantação
obrigatória de botão de pânico em todas as escolas. Ao ser acionado, o
dispositivo envia mensagem para a polícia ou empresa de segurança, informando
que algo perigoso pode estar acontecendo no local.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.
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