
Alceu Valença / Reprodução: ibahia.com.
Um dos principais músicos pernambucanos, Alceu Valença completou 77 anos de vida e de muita arte, no sábado (1º). A nova idade foi celebrada com uma biografia de 600 páginas, escrita pelo jornalista Júlio Moura e lançada na semana de aniversário do cantor.
"Eu faço um show, pode ter milhares de pessoas, sabe? Quando termina, eu vou para casa, pego o carro para o hotel, estou nem aí. Eu gosto é de ser artista. Eu gosto. No palco!", disse sobre a paixão que continua viva desde que era criança, em São Bento do Una, no Agreste do estado.
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Quando jovem, ele jogava basquete e fez parte da Seleção Pernambucana de Basquetebol. A música, sua maior paixão, era quase proibida em casa. Por causa disso, ele virou advogado.
"O meu pai queria que eu fosse advogado. Lá em casa, não tinha radiola por causa de mim. Aí, quando eu passei para a faculdade de direito, ele deu a radiola", afirmou Alceu.
O destino de artista começou a girar quando Alceu estagiava num escritório de advocacia e atendeu um homem que não conseguia pagar as prestações de uma televisão.
"Eu falei: o senhor foi induzido a comprar através de uma propaganda enganosa, e não sou eu que vou cobrar o senhor. Peguei meu paletó e caí fora", lembrou.
Da advocacia, Alceu migrou para a música, onde fez e faz história, principalmente por juntar o rock com o Nordeste. Segundo o artista, a mistura surgiu da vontade de adicionar a guitarra elétrica com instrumentos usados em canções tradicionais.
"Eu me pautava era em cima de coisas que eu vi na minha infância, na cidade de São Bento do Una, nas festas de reis, quando a banda de pífano passava tocando uma música que até hoje é tocada, onde se tocam duas flautas de bambu. Aí eu botei uma guitarra junto de uma flauta transversal, e elas fazem o mesmo movimento, com a mesma melodia, e o ritmo é o mesmo", declarou.
Para Alceu Valença, a melhor definição dada à música que ele toca foi dada por Luiz Gonzaga, o rei do baião.
"Um dia eu me encontro com Luiz Gonzaga em Juazeiro do Norte (CE), terra do Padre Cícero. Ele vai ao meu show, aí eu digo assim: o senhor gostou do meu conjunto? Ele podia meter o pau em mim, não é? Aí ele disse: 'Alceu, você inventou uma sonoridade. Você inventou uma banda de pífano elétrica'", disse.
Mas, inquieto, Alceu Valença não cabe numa definição só. Em 1974, foi ator no filme "A noite do espantalho", do diretor Sérgio Ricardo. Em 2014, dirigiu o próprio filme: "A luneta do tempo".
Antes disso, fez muito sucesso com a música. Nos anos 1970, autoexilado por causa da ditadura militar, morou em Paris, onde lançou o álbum "Saudade de Pernambuco". Após voltar ao Brasil, fez o lançamento, em 1980, de "Coração Bobo", que ganhou disco de platina, com 250 mil cópias vendidas, depois que a música-título explodiu no país.
Os álbuns seguintes foram muito além. "Cavalo de Pau", por exemplo, vendeu 2,5 milhões de cópias, com canções que são consideradas clássicos da Música Popular Brasileira (MPB). Foi aí que Alceu conseguiu comprar a casa colonial de três andares no Sítio Histórico de Olinda, para onde ele volta toda vez que vai para fora ganhar o mundo.
"É uma casa em que eu paro. Aqui eu tenho lembranças maravilhosas, então, minha casa é cheia de boas lembranças. Mas não me sinto dono de nada. Dono, não sou. Sou vigia das coisas que acumulei. Esse é um verso de meu tio Geraldo", contou.
Alceu continua ativo, compondo, cantando, cheio de ideias e caminhando. "Eu faço, no máximo, 11 quilômetros. Mas quase sempre eu faço oito quilômetros por dia. Eu saio à noite, de madrugada. Eu tenho que andar", afirmou, lembrando que, de dia, não consegue caminhar sem o assédio dos fãs.
FONTE: G1.